Volkswagen Golf Comfortline 3 Min

Acredite, o Volkswagen Golf 1.0 TSI é divertido

Volkswagen Golf 1.0 TSI entrega diversão ao volante, mas cobra muito por isso: R$ 91.790! Será que vale?


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“Mesmo 1.0?” Essa foi a pergunta mais comum que me fizeram quando eu, categoricamente, cravei em uma roda de amigos que é muito fácil se divertir ao volante do novo Golf Comfortline 1.0 TSI automático, que parte de R$ 91.790. Claro que não empolga como o 1.4 TSI da versão Highline, e nem é digno de comparações ao 2.0 TSI do icônico GTI. Mas, sim, é bom acelerar a versão de entrada do mítico hatch da Volkswagen.

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Legenda: Volkswagen Golf Comfortline tem câmera de ré
Crédito: Divulgação

E essa diversão não é composta pela simplicidade e frieza dos números, mas se revela em uma série de ingredientes, que inclui até mesmo a aura do carro. Motor e câmbio estão bem acertados. Suspensão tem ajuste refinado, voltado para a esportividade. Posição ao volante ‘socada no chão’ (para quem gosta). Direção elétrica progressiva direta, nada anestesiada e que copia bem o asfalto. Quando ‘vivo’ (motor ligado), o Golf parece sussurrar ao ouvido do motorista: “se não for para pisar fundo, nem me tira da garagem...”

VÍDEO: RAIO X VOLKSWAGEN GOLF COMFORTLINE

 

O motor 1.0 TSI do Golf Comfortline tem três cilindros apenas, é turbo e oferece injeção direta de combustível. A potência não impressiona. São 128 cv, quando abastecido com etanol, que aparecem plenos a 5.500 rpm. O segredo deste propulsor, como todo motor sobrealimentado, está no momento em que é entregue o torque máximo. Aqui no caso do Golf, os mais que dignos 20,4 kgf.m surgem a baixos 2.000 giros. O Volks é um carro esperto poucas rotações cima da marcha lenta. E isso é bom!

A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 10,3 segundos e a velocidade máxima bate os 192 km/h. Para comparar, o 1.0 TSI anterior, com 3 cv a menos e câmbio manual, chegava aos 100 km/h em 9,7 segundos e a velocidade máxima de 194 km/h.

 Volkswagen Golf 2018 manteve a mesma silhueta e medidas
Legenda: Volkswagen Golf 2018 manteve a mesma silhueta e medidas
Crédito: Divulgação

Salta aos olhos o bom relacionamento deste bloco com a transmissão automática de seis marchas Tiptronic (conversor de torque), entregando conforto em uma volta no quarteirão, por exemplo, mas eficiência em termos de performance quando a ideia é esportividade. Há também opções de trocas manuais pela alavanca, basta dar um tapa para a direita na manopla e cambiar. Também é possível usar as pequenas aletas plásticas atrás do volante (paddle shift), que são de série. Aqui vale uma ponderação: as borboletas, aqui no caso do Golf, pelo menos, poderiam ser maiores e de repente em outro material, exaltando mais a esportividade que o modelo exala até quando está estacionado.

O legal é que, apesar de não existir a opção de escolher entre alguns modos de condução – algo que está à disposição no GTI, por exemplo –, é possível dar uma leve apimentada na pilotagem dando mais uma puxada para trás na alavanca do câmbio, quando a mesma estiver no ‘D’ (Drive), assim selecionando o modo ‘Sport’. Na prática, o Golf passa a realizar as mudanças de marchas em rotações mais elevadas. Um recurso que pode até parecer banal, mas que aqui na versão Comfortline fica até mais interessante.

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Legenda: Volkswagen Golf Comfortline tem lanternas em full-LED
Crédito: Divulgação

Não dá para negar: é gostoso sair forte dos semáforos e escutar os ‘três canequinhos’ trabalhando freneticamente em busca de desempenho. O ronquinho que sai do escapamento não arrepia, longe disso, mas diverte. E trabalhando entre 3.000 rotações e 3.800, as retomadas são muito eficientes, o que possibilita ultrapassagens seguras, mesmo em estradas sinuosas em que não se tem longas retas.

A suspensão trabalha muito bem, também. É firme, limitando ao mínimo possível a ‘dança’ da carroceria em uma sequência de curvas acentuadas carregando um pouco mais de velocidade que o normal. Resultado é sempre um Golf na mão, obediente e previsível. Também minimiza sensivelmente o efeito mergulho em frenagens mais fortes – lembrando que o Volks nessa versão tem freios a disco nas quatro rodas com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) e ABS (antitravamento das rodas, mantendo o veículo no comando do motorista).

Importante ressaltar que os anjos da guarda da eletrônica estão presentes: controles de tração e estabilidade. O Golf é tração dianteira e a tendência é de sair de frente. Ponto positivo também para o sistema de vetorização de torque, que identifica se o veículo está saindo de sua trajetória normal e passa a atuar no freio da roda interna da curva com o objetivo de trazer o ‘bólido’ para os ‘trilhos’ novamente. É possível desligar o controle de tração – mas lembro que o recurso é item de segurança e pode salvar vidas.

 Central de entretenimento tem tela colorida de 8 polegadas sensível ao toque.
Legenda: Central de entretenimento tem tela colorida de 8 polegadas sensível ao toque.
Crédito: Divulgação

ESPORTIVIDADE NA ESSÊNCIA

A versão Comfortline do Golf não exala requinte, mas escancara a qualidade de montagem. Se as peças não são de materiais incrivelmente luxuosos, todas estão muito bem encaixadas, sem apresentar folgas – algo que o proprietário vai dar valor apenas quando o odômetro passar dos 50.000 km rodados e o bate-bate das peças ‘soltas’ não acontecer. O volante, por exemplo, é revestido em couro – assim como a manopla do câmbio. No entanto, os bancos são em tecido. Um tecido superior, de qualidade, mas ainda tecido – para um carro de R$ 90 mil, couro talvez esteja nas expectativas do futuro comprador.

Os ajustes de altura, longitudinal e encosto do banco do motorista são manuais e amplos. Para aqueles que apreciam, como eu, uma posição de pilotagem, basta socar o assento o mais baixo possível e elevar a direção, já que a coluna tem regulagens amplas também de altura e profundidade. A empunhadura do volante multifuncional, com base achatada, também é muito boa. O Golf tem o dom de entregar uma atmosfera esportiva. Está na sua essência. Sua aura.

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Legenda: Volkswagen Golf Comfortline tem câmbio automático de 6 marchas
Crédito: Divulgação

O interior também tem como destaque a central de infotaiment Composition Media, com tela de 7 polegadas sensível ao toque e colorida. É compatível com Android Auto e Apple CarPlay – e espelha o Waze. Para quem aprecia esta conectividade – e quem não pode começar a se coçar, pois é um caminho sem volta –, trata-se de uma das melhoras centrais disponíveis no mercado brasileiro. Muita rápida, extremamente intuitiva e que reúne uma série de funções – que possibilita inclusive em mexer em alguns parâmetros do carro, como desligar o controle de tração.


 Autopago é um produto exclusivo Webmotors
Legenda: Autopago é um produto exclusivo Webmotors
Crédito: Webmotors/WM1

 


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O ar-condicionado é de apenas uma zona e não é digital. O ponto positivo é que tem saída de ar via duto central para o pessoal que viaja no banco traseiro. Ficou faltando apenas uma entradinha USB ou uma tomada 12 volts para os passageiros recarregarem seus smartphones.

E por falar em passageiros, o Golf não é uma referência em espaço – apesar de não ser apertadão. Com 4,25 metros de comprimento, o Volks tem 2,63 metros de distância entre os eixos. Joelhos não batem nos bancos dianteiros e cabeças não raspam no teto, caso os ocupantes tenham menos de 1,80 metro de altura. Para uma galera que passa disso, as coisas começam a ficar ligeiramente desconfortáveis. O duto central elevado também atrapalha o posicionamento das pernas de quem viaja na posição central – lembrando que o Golf tem encosto de braço central rebatível com dois porta-copos.

 Volkswagen Golf Comfortline é equipado com central de infotainment Composition Media, compatível com Android Auto e Apple carPlay
Legenda: Volkswagen Golf Comfortline é equipado com central de infotainment Composition Media, compatível com Android Auto e Apple carPlay
Crédito: Divulgação

Completando a lista de equipamentos de série, vale ressaltar que o Golf, mesmo na versão de entrada Comfortline, entrega câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes, e dois pontos para ancoragem da cadeirinha infantil (ISOFIX). O grande diferencial, porém, fica por conta dos sete airbags de série: frontais, laterais, de cortina e de joelhos para o motorista.

Já entre os opcionais, a Volkswagen oferece duas opções para o Golf Comfortline: rodas de liga leve de 17 polegadas (R$ 2.450) – as de fábrica são de liga, mas de 16 polegadas – e teto solar elétrica (R$ 4.800). Completinho, colocando ainda uma das duas pinturas metálicas disponíveis por R$ 1.750 (cinza Platinum ou prata Sargas), o valor do hatch passa dos R$ 100 mil: mais precisamente R$ 100.790.

CUSTOS EXTRAS

A Volkswagen oferece três anos de garantia para o Golf. E em termos de revisões periódicas, as três primeiras (10.000 km, 20.000 km e 30.000 km) são gratuitas. Já as três seguintes – totalizando as seis manutenções obrigatórias até 60.000 km –, o valor é de R$ 1.952,39.

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Legenda: Versão de entrada ganhou transmissão automática de seis marchas
Crédito: Divulgação

VALE A COMPRA?

Não. O Volkswagen Golf Comfortline 1.0 TSI é um carro que entrega a esportividade esperada, apesar de em doses mais suaves que as outras versões; e tem equipamentos de série que realmente fazem a diferença, como os sete airbags, câmera de ré, controles de tração e estabilidade, e central de infotaiment muito boa. No entanto, o valor inicial de R$ 91.790 é alto. Para se ter uma ideia, o novo Polo topo de linha Highline, com todos os opcionais disponíveis – alguns que sequer são oferecidos ao Golf Comfortline, como painel digital – e exatamente o mesmo conjunto mecânico, sai por R$ 81.100 – mais de R$ 10.000 de diferença.

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Ancora: Conclusão Score

 

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