Honda Fit EXL, a R$ 66,07 mil, custa mais do que o Civic

Renovação da minivan eleva seu preço a um patamar que sugere a pergunta: vale tudo isso?


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- O novo Honda Fit está maior. O espaço interno, amplo, é quase tão confortável quanto o do Civic. O monovolume também está mais esportivo, seguindo a linha de estilo do Civic. O nível de equipamentos é equiparável ao do Civic. O câmbio, agora, é um automático convencional de cinco marchas, como o do Civic. Talvez seja por isso que a Honda tenha resolvido cobrar por ele mais do que cobra pelo Civic LXS, que custa R$ 62.005. O Fit EXL automático sai por R$ 66,07 mil, pouco menos do que o Civic LXS automático, que custa R$ 66,8 mil. A pergunta que fica é: ele vale tudo isso?

Foi isso que muitos de nossos leitores questionaram, espantados com o aumento de preço do atual modelo de entrada da Honda no Brasil. Afinal de contas, o Fit antigo sempre foi mais respeitador. Sua versão mais sofisticada nunca superou em preço o Civic mais barato, o que estabelecia uma hierarquia bem definida entre os dois modelos. O fenômeno, em todo caso, é mundial.

Nos EUA, o Fit começa nos US$ 14,75 mil R$ 33.446 e vai até os R$ 18,96 mil R$ 42.992. É um valor muito próximo do cobrado pelo Civic, que começa nos US$ 15.505 R$ 35.158 e vai até US$ 20.855 R$ 47.289.

Com preços quase na mesma faixa, a opção entre um Fit e um Civic realmente ficará por conta das necessidades de cada comprador. Para aqueles que valorizam performance e um carro de aparência mais vistosa, o Civic, com seu motor 1,8-litro de 140 cv, sempre parecerá mais interessante. Quem privilegia a versatilidade, por outro lado, há de preferir os bancos ULT utility, long and tall, algo como utilidade, long e alto do Fit, que permitem carregar diversos tipos de objeto em seu interior.

No Brasil, há pelo menos mais uma explicação para os preços mais altos do Fit: a chegada, agora não tão iminente, do City/Aria, sedã da Honda que seria fabricado na Argentina até o final deste ano. Seria porque a Honda já anunciou que adiará a entrada da fábrica em operação por pelo menos seis meses, o que empurra a estréia do novo sedã compacto para 2010.

Como o City/Aria deve se tornar o veículo de entrada da marca no país, a Honda pode ter elevado os preços do Fit para abrir espaço para ele e evitar disputas entre seus dois modelos mais em conta. Se foi essa a razão, ela apenas empurrou a canibalização para outro patamar.

Caro ou barato?

Seja qual for a explicação mais adequada para o aumento, essa será uma excelente oportunidade para a Honda testar seus limites no mercado brasileiro. Afinal de contas, o Fit antigo já era considerado um carro caro, mas isso nunca impediu que ele vendesse mais que pãozinho quente.

Com o modelo novo, esse conceito de caro e barato será novamente testado. Normalmente, qualquer coisa que custa mais do que vale vende menos do que se espera. Esperemos para ver como o mercado reage à novidade e a seu preço.

O que é certo é que a falta de um corpo de engenharia independente da matriz, por mais paradoxal que possa parecer, acaba beneficiando o consumidor brasileiro.

Empresas mais tradicionais, com engenheiros capacitados para muito mais do que isso, acabam desenvolvendo produtos sobre plataformas antigas para atender a nosso mercado, evitando a vinda de produtos mais modernos. O novo Ford Ka, feito sobre o primeiro Fiesta nacional, e o Chevrolet Celta, construído sobre a plataforma do primeiro Corsa, são exemplos desse uso restrito mas rentável para a montadora da capacidade da engenharia brasileira.

Empresas mais recentes, como a Honda, acabam tendo de fabricar aqui a mesma coisa que fabricam no exterior. Os engenheiros cuidam apenas da adaptação do produto ao mercado nacional. O Fit é um dos exemplos deste fenômeno, para o bem e para o mal.

A parte boa foi a aparência mais bonita do carro, que tende a cair mais facilmente no gosto daqueles que chamavam o modelo antigo de “sapão”, por causa dos faróis salientes. O modelo novo está mais agressivo, com um perfil mais esportivo, ainda que tenha assumido de vez a identidade monovolume, uma evolução aparentemente paradoxal.

Outra herança do modelo do exterior é o ganho em espaço interno. Com 5 cm a mais de entreeixos, quem viaja no banco de trás tem muito mais conforto em viagens. Mesmo assim, quando o assunto é largura, os três passageiros que cabem na parte traseira ainda se acotovelam em busca de espaço.

Os motores também ganharam mais potência. O 1,5-litro do modelo EXL, que avaliamos, passou de 105 cv, apenas com gasolina, para o mundo flex. Agora, ele tem 115 cv com gasolina e 116 cv com álcool.

A parte ruim diz respeito aos mostradores em cristal líquido. Herdados do Civic, eles se saem melhor no sedã. No Fit, talvez pela posição em que ficam instalados, eles são difíceis de ler em dias ensolarados.

A regulagem de altura do banco do motorista, por roldana, também é motivo de queixa, especialmente para o público feminino, pela dificuldade de seu acionamento.

Mas o ponto mais fraco do carro é o fato de, no fechamento das portas, os vidros não se fecharem automaticamente. Como o modelo do exterior não faz isso, o nosso também não faz. Em todo caso, as portas se travam sozinhas quando se dirige o monovolume, um conforto muito bem-vindo, especialmente nas grandes cidades.

Ao volante

Quando chega o momento de dirigir o Fit, é fácil encontrar a melhor posição para isso. Ainda que não seja das melhores, a regulagem de altura permite atender a quem gosta de dirigir em uma posição mais baixa e também às mulheres, que têm preferência por uma posição mais alta. O volante tem regulagem de altura e distância.

A segurança da condução é garantida tanto de forma ativa, com freios ABS, EBD e uma excelente visibilidade, quanto passiva, por meio de airbags e da estrutura do Fit, conhecida por ser extremamente resistente já no modelo anterior.

O estilo mais esportivo do novo Fit condiz com o que ele mostra ao volante. O modelo anterior tinha a tendência de passarinhar na pista, ou seja, apresentava ao volante a sensação de ser muito sensível a irregularidades do piso e a ventos laterais. O novo anda exatamente onde o motorista quer e mantém a trajetória com firmeza. Parece um carro de maior porte.

Ainda que muita gente vá sentir saudades do câmbio CVT, o de cinco marchas do Civic dá conta do recado. O tempo de resposta dele é que poderia ser melhor. Quando se aciona o kick-down, para reduzir marchas, há uma certa demora que incomoda. Mesmo no modo Sport.

O consumo do novo Fit, com isso, também se mostrou bem alto. Na cidade, com álcool, ele rodou 4,8 km/l. Na estrada, ele fez 9,4 km/l de álcool. Surpreendentemente, com gasolina a marca não foi melhor: 9,9 km/l. Isso, aliado ao tanque pequeno, de 42 l, rende uma baixa autonomia ao monovolume japonês. A sensação piora pelo aviso de falta de combustível, que se acende quando 35 l de combustível vão embora.

Além de bom de asfalto, o Fit de nosso teste também se mostrou um guerreiro. Caímos por acidente em uma das piores estradas que já enfrentamos, que liga Cunha a Parati, e o Fit a enfrentou de nariz erguido, não só por questão de orgulho, mas também porque a pegamos na subida da serra. Num dia de chuva. E ele chegou ao fim do percurso praticamente como entrou, a não ser por um bocado de lama. Belo companheiro de viagem, ainda mais uma tão difícil de fazer.FICHA TÉCNICA – Honda Fit 1.5 EXL

MOTOR Quatro tempos, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, transversal, com comando de válvulas simples variável i-VTEC e refrigeração a água, 1.496 cm³
POTÊNCIA115 cv a 6.000 rpm gasolina e 116 cv a 6.000 rpm álcool
TORQUE145 Nm a 4.800 rpm álcool ou gasolina
ALIMENTAÇÃO Injeção PGM-FI
CÂMBIOAutomático de cinco velocidades, com opção de trocas de marcha no volante
TRAÇÃO Dianteira
RODASDe liga-leve, em aro 16”
PNEUS185/55 R16
COMPRIMENTO3,90 m
ALTURA1,54 m
LARGURA1,70 m
ENTREEIXOS 2,50 m
PORTA-MALAS 384 l
PESO em ordem de marcha 1.136 kg
TANQUE42 l
SUSPENSÕES Dianteira independente , tipo McPherson; traseira Interdependente, com barra de torção
FREIOSDiscos ventilados na dianteira e sólidos na traseira; com ABS e EDB
CORESVermelho Rally, Preto Cristal, Prata Global, Grafite Magnesium, Branco Taffeta, Verde Deep, Dourado Poente, Cinza Paladium e Verde Vermont
PREÇOS R$ 66,07 mil
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