Elétricas e Híbridas 5 min. de leitura

Harley-Davidson agora tem marca de motos elétricas

"LiveWire" deixa de ser nome de modelo e representará uma nova linha, cuja primeiro motocicleta será lançado em julho

Roberto Dutra
Roberto Dutra

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A Harley-Davidson passa a ter, a partir desta segunda-feira (10), uma marca de motos elétricas. E o nome é justamente LiveWire, o mesmo que batizou seu primeiro modelo elétrico – lançado em 2019.

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Livewire 2018
Livewire 2018Crédito: Divulgação
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My21 Location Photography
My21 Location PhotographyCrédito: Divulgação

Com a iniciativa, a Harley-Davidson pretende aprofundar sua participação no segmento de motos elétricas, que podem ainda não ser tão populares nem vender tanto quanto as com motores a combustão, mas que são vistas pelos fabricantes como o futuro inevitável do setor de duas rodas. Tanto que marcas como a japonesa Honda, a austríaca KTM e a italiana Piaggio já se movimentam nesse sentido.

Segundo O CEO da Harley-Davidson, Jochen Zeitz, a iniciativa é parte da “Estratégia Hardwire” – o plano de negócios da marca para os próximos cinco anos. E um dos seis “pilares” deste plano é  liderar o segmento de motos elétricas.

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“Queremos ser a marca de motocicletas elétricas mais desejável do mundo: a LiveWire será pioneira no futuro do motociclismo e planeja inovar e desenvolver tecnologia que será aplicável às futuras motos elétricas Harley-Davidson”, disse o executivo.

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21 Kf Livewire Touchscreen Display 002
21 Kf Livewire Touchscreen Display 002Crédito: Divulgação

A segunda moto elétrica da Harley-Davidson e primeira sob a nova marca LiveWire será lançada em 8 de julho deste ano – ou seja, daqui a dois meses – e vai estar no International Motorcycle Show, que começa em 9 de julho.

O foco inicial das motos LiveWire será urbano, e sua sede virtual será dividida em duas, uma no Vale do Silício, na Califórnia, e outra em Milwaukee, a casa da Harley no Wisconsin. As motos elétricas serão vendidas nas concessionárias Harley-Davidson, mas como uma marca independente. Mas as motos também serão exibidas em showrooms especiais, montados em locais selecionados. O primeiro será justamente na Califórnia (o local exato não foi revelado)

Uma experiência fascinante

A motocicleta elétrica LiveWire  foi lançada oficialmente em 2019 e causou polêmica junto aos clientes mais conservadores das motos Harley-Davidson. Até hoje a moto é vista como “algo à parte” no universo Harley e seus compradores são obviamente diferentes daqueles que preferem os tradicionais modelos grandes e encorpados, equipadas com os famosos motores V2.

Mas basta pilotar a LiveWire para sentir que o futuro está ali. Tive a oportunidade de experimentar um protótipo em 2014, em Miami, nos Estados Unidos, e foi uma experiência fascinante.

É muito mais fácil do que parece e muito mais divertido do que podemos supor, apesar da ausência de qualquer ruído mais característico de uma motocicleta. Nada do velho “potato, potato, potato” dos V2: só um zumbido agudo e baixo, como o de uma pequena turbina. Um “zzzuuu” que lembra o das motos do filme  “Tron — Uma odisseia eletrônica”.

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Grande1
Grande1Crédito: Divulgação

A da moto elétrica da Harley-Davidson impressionou principalmente pelo desempenho. Com tamanho semelhante ao de uma Honda CB 250F Twister e pneuzão traseiro 180/55 R17, aquela unidade tinha motor com 55kW de potência – o equivalente a uns 74 cv, coisa de moto com motor a combustão de 650 cm³.

O torque de 7,2 kgf.m já estava disponível a 1 rpm e, por isso, a entrega da força acontecia de forma instantânea e as arrancadas eram fortíssimas. Na ficha técnica, o protótipo exibia máxima de 158 km/h e zero a 100 km/h em 4 segundos.

As retomadas de 40 km/h para 120 km/h aconteciam antes que você pudesse falar a palavra “retomada”. Mas lembro que não era difícil dosar a progressividade. E, nas sequências de curvas, a LiveWire foi muito ágil e obediente, até porque era bem curta e leve – tinha 210 quilos com centro de gravidade bem baixo

Não havia alavanca de embreagem nem pedal de marcha. Os freios eram normais, mas pouco necessários: a forte redução do motor elétrico (usada na regeneração de energia) quase sempre era suficiente para que a moto perdesse velocidade na progressão desejada. Isso transmitia uma ótima sensação de segurança e domínio da moto.

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Harley Davidson Livewire Digitsl Meter Spritamplifier
Harley Davidson Livewire Digitsl Meter SpritamplifierCrédito: Divulgação

A autonomia daquele protótipo era limitada: 80 km em ciclo misto e uns 100 km em tocada urbana tranquila. A recarga exigia três horas, em tomada de 220v. Tudo isso evoluiu: a moto até ficou mais pesada, com 251 quilos em ordem de marcha, mas passou a ter potência de 78kW (ou 105 cv), torque de 11,8 kgf.m e autonomia de até 235 quilômetros.

A LiveWire atual ainda tem suspensões Showa (dianteira invertida, ambas com curso de 11,5 cm), freios com quatro pistões na frente e dois pistões atrás, iluminação full-LED, painel em tela de TFT com 4,3 polegadas e conectividade via Bluetooth a smartphone com reconhecimento de voz para exibir informações de navegação por GPS, telefone e música.

Se o caro leitor ainda insistir que “não dá para viajar” de LiveWire, pode até ter razão – pelo menos para longe. Mas sempre vale lembrar que veículos elétricos são feitos fundamentalmente para uso urbano, no dia a dia, em tiros curtos. E há modelos elétricos, como as da marca americana Zero Motorcycles (vendidas há 15 anos por lá), que  já rodam mais de 250 km com uma carga completa.


Roberto Dutra

Escrito por Roberto Dutra

Editor

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