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Revelado por inteiro, VW Tera só chegará em maio

Estratégia aberta de pré-lançamento para criar expectativas é até comum no exterior, todavia pouco frequente no Brasil

Fernando Calmon
Fernando Calmon

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O Tera é um SUV compacto que divide a arquitetura com o Polo, o automóvel mais vendido em 2024 e 2023 (perdeu para a picape Strada, um modelo comercial leve).

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Volkswagen Tera
Volkswagen confirma o Tera como o lançamento mais importante das duas últimas décadasCrédito: André Deliberato/WM1

A revelação ou pré-apresentação no sambódromo ainda vazio do Rio de Janeiro (RJ)
foi no domingo de Carnaval, sem disfarces. Está em pré-produção em Taubaté (SP), ao lado do Polo, para estrear dentro de dois meses. Não só este, outros hatches, SUVs e até o Nivus, da VW, terão as vendas afetadas desde já pelo natural impacto da antecipação.

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Volkswagen Tera
Carro será equipado com pacote ADASCrédito: André Deliberato/WM1

Inteiramente projetado aqui, pelo brasileiro José Carlos Pavone, foi exibido na versão topo de linha e sem nenhum disfarce. A frente imponente tem capô elevado, luzes de rodagem diurna duplas, grandes entradas de ar laterais, grade do radiador imponente e para-choque tão bem integrado que mal se percebe.

As laterais têm desenho limpo, pronunciados arcos de rodas (de 17 polegadas), colunas e portas traseiras em particular harmonia, barras de teto funcionais (como no Kardian), teto preto, traseira com luzes de posição e de freio discretas, tampa do porta-malas curta e para-choque minimalista, mas com efetiva proteção. O bom porta-malas tem capacidade cerca de 10% maior que os 300 litros do bagageiro do Polo.

A VW não adiantou especificações do Tera, contudo o entre-eixos é o mesmo do Polo — 2,56 m — e o espaço interno é semelhante, porém melhor para cabeças no banco traseiro. Há três alças de teto, duas portas USB-C atrás e duas no console
(todas de fácil acesso), além de carregador por indução para celular com refrigeração regulável.

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Volkswagen Tera
SUV será lançado ainda no primeiro semestre deste anoCrédito: André Deliberato/WM1

Os bancos dianteiros são os do Polo com novos revestimentos, a central multimídia é mais completa, o painel e as laterais de portas têm aspecto muito bom. Há seis
airbags e pacote de assistência ADAS.

Receberá o mesmo motor turbo flex do Polo: o 1.0 litro de 116 cv (E)/109 cv (G) e 16,8 kgf.m com câmbio automático de seis marchas. No total serão quatro versões, incluindo uma de entrada com motor 1.0 de aspiração natural e câmbio manual. Preço estimado: R$ 95.000 a R$ 135.000.

Sinal destes tempos: União Europeia relaxa emissões

Nada de retrocesso impensado. Apenas o reconhecimento dos países da União Europeia (UE) de que, financeiramente, os prazos são inviáveis para redução de emissões em motores a combustão e de investimentos simultâneos, sem bases técnicas, de
infraestrutura e econômicas em veículos elétricos.

O adiamento das exigências de 2025 para 2028, anunciado no começo desta semana pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é apenas um alívio temporário. VW, grupo Stellantis e Renault apoiaram a decisão de imediato. A situação poderá exigir novas postergações.

Ecologistas protestaram com o alarido de sempre. Estão no seu papel, porém algo de racionalidade tornou-se mandatório. Políticos da UE acham (ou achavam) que em 2035, por lei, só carros elétricos deveriam ser vendidos. Escrevi mais de uma vez: nada mais irracional, pois não se muda todo um complexo de produção em tão pouco tempo.

Sem contar limitações imediatas, longe de resolver: infraestrutura e tempo de recarga que dificultam as viagens, alcance menor em velocidade típica de estradas, variações de temperaturas ambiente, soluções caras de reciclagem de baterias, valor de revenda incerto, entre outras.

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Como viajar de carro elétrico sem dor de cabeça
Comece por viagens curtas para entender a autonomia do modeloCrédito: Divulgação

Quem compra ou troca de carro precisa ponderar vários fatores. Ocorreu um resfriamento súbito da demanda, logo que os governos europeus atestaram a falta de lastro financeiro para manter subsídios e os retiraram. A transição apressada só podia dar errado. As vendas desaceleraram e depois recuaram, no último trimestre de 2024.Várias marcas já tinham anunciado que voltariam a desenvolver também motores a combustão, como Mercedes-Benz, Porsche, Audi e sem contar as de alto volume de vendas. Japonesas, como a Toyota, deixaram claro que manteriam o foco em híbridos e
motores mais eficientes, sem esquecer dos elétricos que são o futuro, sem data marcada. E estão certas.

Ataques cibernéticos à rede de recarga preocupam

Segundo o site americano Automotive News (AN), um relatório recém-divulgado da empresa Upstream, especializada em segurança cibernética automobilística e mobilidade inteligente, os ataques à infraestrutura de carregamento de veículos elétricos
aumentaram 39% em 2024 frente a 2023.

“Quase três quartos dos ataques às estações de recarga identificados pela Upstream
envolveram interrupções de serviço ou negócios. Na maioria dos casos, os hackers conseguiram afetar a funcionalidade dos carregadores”, informou o AN. Embora se trate de um caso de polícia nos EUA, traz alguma preocupação.

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Tesla Model Y carro mais vendido do mundo
Tesla Model Y 1Crédito: Divulgação

O mais estressado talvez esteja Elon Musk. Ele já enfrenta forte queda de vendas da Tesla pelo aumento da concorrência na China, EUA e Europa, além de atraso nos lançamentos. O maior fabricante mundial de carros elétricos sofre agora com discussões e até brigas entre motoristas na sua rede própria de mais de 30 mil pontos de recargas rápidas, depois que o governo americano obrigou que as estações ficassem disponíveis para modelos de qualquer marca.

A fim de contornar esse problema, a empresa vai criar um aplicativo para organizar uma “fila” virtual de acesso aos carregadores. Pode resolver, mas para quem já encara outras filas ou não gosta delas, uma a mais — e virtual — certamente desanima.

Tiggo 7 Pro PHEV: estilo e economia destacam-se

O SUV médio da Caoa Chery, importado da China, teve boa recepção de mercado no ano passado e a versão híbrida plugável do Tiggo 7 PHEV chega agora por competitivos R$ 239.990. Deverá ser produzido ainda este ano nas instalações do grupo brasileiro em Anápolis (GO).

Pode ser reconhecido pelas mudanças na dianteira: o para-choque tem interessantes elementos diagonais nas extremidades e a grade exibe elementos diamantados, além de novas rodas de 18 polegadas também com acabamento diamantado.

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Caoa Chery Tiggo 7 Pro PHEV
Caoa Chery Tiggo 7 é o terceiro carro mais vendido no varejo em novembroCrédito: Divulgação

Dimensões: comprimento, 4,51 m, entre-eixos, 2,67 m, largura, 1,86 m, altura, 1,69 m e porta-malas com capacidade para bons 475 litros. O tanque de combustível agora passou para corretos 60 litros.

No interior sobressaem a tela integrada que totaliza 24,6 polegadas (quadro de instrumentos e multimídia), a nova alavanca seletora de câmbio (tipo joystick) e os comandos separados para ar-condicionado de duas zonas com boa associação de botões capacitivos e físicos. Há teto solar panorâmico e câmeras com visão de 360°. O pacote de segurança é completo, com 10 funções.

As duas baterias de 19,3 kWh permitem alcance no modo elétrico de até 63 quilômetros. E para um carro com massa em ordem de marcha de 1.822 quilos, o consumo no padrão Inmetro é 36,9 km/l na cidade e 30,2 km/l, na estrada. Contudo, no uso cuidadoso,
essas marcas podem ser superadas em condições ideais (pouco trânsito, velocidade constante), desde que o motor elétrico atue na maior parte do tempo.

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Caoa Chery Tiggo 7 Pro PHEV
Caoa Chery Tiggo 7 Pro PHEVCrédito: Divulgação

O motor turbo a gasolina de 170 cv e 22,4 kgf.m e os dois motores elétricos dianteiros de 174 cv e 32,2 kgf.m entregam o total de 317 cv e 56.6 kgf·m. A tração é sempre dianteira. O câmbio traz uma intrincada combinação de três marchas físicas e oito continuamente variáveis. O resultado final é muito bom, com aceleração de zero a 100 km/em 6,8 s.

O primeiro contato foi curto (cerca de 20 quilômetros), dentro de São Paulo, mas o carro demonstrou um conjunto ágil, suspensões bem calibradas mesmo em asfalto
irregular e baixo nível de ruído na cabine.


Fernando Calmon

Escrito por Fernando Calmon

Colunista

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