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Veloster: injustiçado ou promessa não cumprida?

Com visual ousado, o hatch com alma de cupê tinha potencial para ser sucesso no Brasil. Mas havia um problema…

Evandro Enoshita
Evandro Enoshita

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A Hyundai mostrou o Concept THREE lá no Salão de Munique (Alemanha) e esse carro-conceito me lembrou muito um modelo que teve uma breve, mas bem movimentada, passagem pelo mercado automotivo brasileiro. Estou falando do Hyundai Veloster

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Hyundai Veloster 2012 F1
Hyundai Veloster 2012 F1Crédito: Divulgação

Há quem diga que brasileiro não gosta de carro. No máximo, quer um automóvel novinho e chamativo para projetar para o mundo que é alguém que “chegou lá”. E dentro desse contexto, o Veloster parecia o carro perfeito.

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O Veloster foi lançado no início de 2011 na Coreia do Sul e chegou ao Brasil em junho de 2012. Com porte de hatch médio, o modelo da Hyundai estava longe de ser barato: custava a partir de R$ 75.700.

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Hyundai Veloster 2012 F3
Hyundai Veloster 2012 F3Crédito: Divulgação

Com esse preço, era mais caro do que modelos como o Fiat Bravo T-Jet e o Peugeot 308 Feline, e custava pouco menos que o topo de linha Chevrolet Cruze Sport6 LTZ. Mas muita gente nem se importava com isso. Justamente porque o Veloster era muito diferente do convencional.

Era um hatch com alma e visual de cupê e se diferenciava dos concorrentes diretos justamente por ter somente uma porta traseira, posicionada na lateral direita. Espaço interno era um problema. Mas quem ligava para isso levava um i30. O Hyundai Veloster era para chamar a atenção.

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Hyundai Veloster 2012 F5
Hyundai Veloster 2012 F5Crédito: Divulgação

Mas embora vendesse uma imagem ousada e esportiva, o Veloster tinha um problema. No material de divulgação do modelo, o motor 1.6 16V aparecia com 140 cv de potência. Mas essa era a potência do carro equipado com injeção direta de combustível. Como os exemplares vendidos no Brasil tinham injeção multiponto, a potência real era de 128 cv.

Numericamente falando, embora não fosse tão menos potente que os concorrentes na mesma faixa de preço, o desempenho real do Hyundai Veloster ficava atrás do exibido pelos oponentes diretos e muito abaixo do que sugeriam as linhas bem arrojadas e esportivas do modelo.

Tanto que o Veloster acabou ganhando apelidos jocosos como “Lentoster” ou “Moloster”, numa alusão à performance do modelo. E ai, já era! Rolou até processo judicial de clientes insatisfeitos com o “erro” na ficha técnica. O Veloster virou infame e disse adeus ao mercado brasileiro já no início de 2014.

rior Na versão esportiva N, o Veloster de segunda geração era equipado com um motor de 275 cv de potênciaLá fora, não houve polêmica envolvendo o Veloster. Além de versões mais interessantes e até com motor turbo, o hatch com alma de cupê teve uma vida bem mais longa do que por aqui. Ganhou uma segunda geração em 2018 e só saiu de cena em 2022. Na época, a versão esportiva N esbanjava saúde com os seus 275 cv de potência.

Respondendo à pergunta do título, no final das contas, a trajetória do Hyundai Veloster no Brasil acabou virando as duas coisas: injustiçado – já que tinha um belíssimo potencial, pois bastava um motor mais potente – e promessa não cumprida, justamente por entregar desempenho inferior ao que o visual sugeria.

O Hyundai Veloster é um bom negócio?

Embora tenha durado pouco tempo por aqui, o Hyundai Veloster pode ser uma opção interessante no mercado de usados. Aqui na Webmotors, você encontra vários exemplares do modelo na faixa entre R$ 55 mil e R$ 70 mil. Mais barato que um subcompacto zero-quilômetro.

E não estou falando apenas do visual exótico e que ainda chama bastante atenção mesmo depois de tanto tempo. Mas do motor 1.6 16V, que é um parente bem próximo do propulsor do HB20 e é um motor confiável e de fácil manutenção. Algo fundamental em um carro com mais de uma década de estrada.

A dor de cabeça virá apenas na hora de um possível acidente, já que as peças de lataria e acabamento do Veloster são caras e não necessariamente fáceis de achar. Mas esse é um problema comum a outros automóveis importados mais antigos.

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Evandro Enoshita

Escrito por Evandro Enoshita

Repórter, WM1

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