Lançamentos 7 min. de leitura

Koleos revela face VIP da Renault

SUV estará no Salão de São Paulo e deverá chegar em 2017

Marcelo Monegato
Marcelo Monegato

Patrocinado

No Brasil, a Renault joga com um competitivo time B, formado por jogadores criados no CT (Centro de Treinamentos) da Dacia, subsidiária romena da marca francesa. São atletas eficientes – goleadores (bons de vendas), como Logan e Sandero –, mas que não encantam pelo toque de bola refinado. Talvez preocupadas com a falta de brilho do seu escrete, diretoria e comissão técnica da Renault acertaram – mas ainda não anunciaram – a contratação do Koleos, este sim nascido nos gramados dos arredores de Paris. Sua estreia em solo tupiniquim será em novembro, no Salão do Automóvel de São Paulo, e deverá chegar às concessionárias no início de 2017.

25
00109670
00109670

Após um contato superficial em uma pista off-road extremely light, reencontrei o SUV em uma ensolarada sexta-feira na saída do Hotel Le Molitor, um dos mais antigos e bem-frequentados da Cidade Luz, para uma voltinha de 163 quilômetros por ruas, avenidas e estradas da região. Exibindo aquele azul clássico da marca francesa (Meissen Blue, mas especificamente), a segunda geração do Koleos é visivelmente maior que a anterior, apesar de não impressionar pelo tamanho. Nas fotos, quando foi apresentado em abril no Salão de Pequim, na China, minha impressão é de que teria o porte de um Volkswagen Touareg ou do novo Toyota SW4, e não de um Toyota RAV4 ou Honda CR-V, com os quais chega para competir.

Assumi a posição ao volante e logo de cara me impressionei com a sensação de amplitude. O Koleos é espaçoso – são 4,67 metros de comprimento, 2,70 metros de distância entre os eixos e porta-malas com capacidade para 466 litros. A qualidade do acabamento salta aos olhos e em nenhum momento remete ao que encontramos no Duster, por exemplo. O couro está em diversas partes e os demais materiais utilizados na cabine são de qualidade superior, como o cromado acetinado distribuído na medida certa. Todas as peças estão muito bem encaixadas. Folgas e rebarbas não existem. Se a busca é pela excelência das alemãs, a Renault está no caminho certo.

Os ajustes de altura e profundidade da coluna são manuais (algo que não me incomoda) e amplo (o que me agrada), facilitando encontrar a melhor posição ao volante. Já as regulagens do banco são elétricas.  

A chave dorme no bolso da calça. Sua simples presença no interior do veículo é o suficiente para permitir pressionar o botão start/stop e colocar os quatro cilindros do motor 2.5 16V a gasolina (injeção direta de combustível) de 170 cv para trabalhar. A transmissão automática é tipo CVT (continuamente variável) X-Tronic, ideal para entregar o conforto exigido por 99,9% dos proprietários de um SUV como este. Há opção de trocas manuais pela alavanca, já que a eletrônica do câmbio simula até sete marchas.

Passando pelo centro de Paris, o silêncio e a suavidade do conjunto mecânico impressiona. Sem passar dos 90 km/h, o conta-giros atua abaixo dos 2.000 rpm. O torque de 23,7 kgf.m aparece em sua plenitude somente a medianos 4.000 giros. No entanto, as acelerações são satisfatórias. É necessário apenas pisar com um pouco mais de fé no pedal da direita para agregar agilidade aos 1.607 kg do Koleos. Normal…

25
00109651
00109651

25
00100116
00100116

Na rodovia, atingimos o 110 km/h (limite permitido). E o conta-giros descansa em ‘berço esplendido’ a 2.100 rpm. Basta, porém, carcar o acelerador no assoalho para ele beliscar as 5.000, 5.500 rotações. Neste momento, o ronco invade com o ‘pé na porta’ o interior do carro. O ganho de velocidade não impressiona, acontecendo de maneira linear e progressiva. Talvez um bloco turbo, com mais força e em mais baixas rotações, deixasse o Koleos na medida. Não vejo a necessidade de seis ou oito cilindros para os anseios deste modelo.

A tração integral agrega equilíbrio nas curvas, mesmo quando estamos próximo do limite. A eletrônica trabalha pesado, lendo o modo de condução e distribuindo o torque as rodas da frente e de trás. Até 50% da força pode ser ‘jogada’ para o eixo de trás. Este sistema também tem opção 4×4 Reduzida, que é escolhida por meio de um botão e crava 50/50 do torque na dianteira e na traseira. Controles eletrônicos de tração e estabilidade estão presentes, mas em poucos momentos atuaram, mostrando um equilíbrio natural do projeto. A direção elétrica é extremamente leve, mas não muito direta.

A suspensão – McPherson na dianteira e Multi Link na traseira – tem um setup firme. No entanto, nas frenagens mais bruscas é possível sentir certa transferência de peso para a dianteira (chamado efeito mergulho). Trata-se de uma característica típica dos SUVs com a qual temos que aprender a conviver. As rodas de liga leve são de 19 polegadas.

25
00109678
00109678

O painel de instrumentos é uma tela colorida configurável de 7 polegadas. Os mostradores, tanto velocímetro e conta-giros quanto informações do computador de bordo, têm boa visualização. O volante multifuncional é menor em relação aos que costumam equipar veículos deste porte. A empunhadura é excelente e a base levemente achatada.

Mas o que chama a atenção mesmo é o tablet no painel que expõe as funções da central multimídia R-Link 2. Com 8,7 polegadas, sensível ao toque e com funções como zoom com dois dedos e rolagem de página, por exemplo, este sistema traz navegação por GPS, informações extras sobre o veículo, além de permitir o controle de todos os recursos de entretenimento disponíveis – o áudio, por exemplo, é Bose e conta com 13 alto-falantes. É possível baixar aplicativos para o próprio R-Link, mas ainda não há compatibilidade com Android Auto ou CarPlay. E todas as funções já são em ‘português brasileiro’ – sem sotaque lusitano…

25
00109770
00109770

Entre os demais itens de conforto e segurança, o Koleos entregar airbags frontais, laterais e tipo cortina, freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), alerta de mudança de faixa, alerta de veículo no ponto-cego, alerta de fadiga do motorista, câmera de ré, acendimento automático dos faróis baixo ou alto, sensores de estacionamento traseiro e nas laterais, sistema de auxílio de estacionamento (popular Park Assit, que no caso da marca francesa se chama Easy Park Assist), teto solar panorâmico e ar-condicionado de duas zonas.

Conclusão

Grandalhão, o Koleos – produzido na Coreia do Sul – não chega para ser artilheiro, como Logan e Sandero, líderes de vendas da marca por aqui – ou como deverá ser o Kwid futuramente. Seu papel dentro do esquema tático da Renault é impor respeito. Mostrar que o ‘time’ francês tem modelos que vão além do básico em diversos sentidos. Espero apenas que em um futuro próximo cheguem também outros jogadores formados em Paris, como o novo Clio ou os Mégane hatch e sedan. Estes, sim, craques!

Viagem à convite da Renault do Brasil


Tags

Marcelo Monegato

Escrito por Marcelo Monegato

Editor-chefe

Mais artigos do autor

Notícias relacionadas