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Por que os conversíveis são mais pesados?

Curiosamente, os modelos de teto retrátil carregam alguns quilos a mais que as versões fechadas

Guilherme Silva
Guilherme Silva

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É quase impossível ficar indiferente ao charme de um carro conversível. Cada vez mais raros nas ruas brasileiras – devido aos altos preços e à insegurança das grandes cidades -, esses modelos proporcionam uma experiência única ao volante quando utilizados com a capota aberta em uma estrada num dia ensolarado.

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Porsche 718 Boxster Gts 2018 1600 48
Porsche 718 Boxster Gts 2018 1600 48
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Porsche 718 Cayman T
Curiosamente, o Porsche 718 Boxster nasceu antes de sua versão cupê, o 719 CaymanCrédito: Divulgação

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Vamos deixar um pouco de lado a sensação de dirigir com os cabelos ao vento e abordar questões técnicas desses modelos: os conversíveis são tecnicamente controversos quando comparados com as versões de teto fechado. Muita gente pensa que basta cortar a capota de um cupê e pronto, mas o processo é bastante complexo.

Praticamente todos os carros de passeio atuais são construídos com estrutura monobloco. Além de viabilizar e reduzir os custos de produção, a maior parte dos componentes dessa concepção tem funções estruturais em sua deformação nas acelerações, nas frenagens, nas curvas e na absorção de impactos em capotamentos e colisões.

Somente peças móveis, como capô, portas e tampa do porta-malas, não cumprem o papel de elementos estruturais da carroceria.

No caso dos conversíveis, o teto retrátil (geralmente revestido de tecido, mas pode ser todo feito de metal) também não serve como reforço estrutural, diferentemente do que ocorre com os carros totalmente fechados.

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Land Rover Range Rover Evoque Convertible 2017 1280 01
Até mesmo SUVs, como o Range Rover Evoque possuem versões conversíveisCrédito: Divulgação

Caixa de sapatos sem tampa

Uma forma simples de entender como isso funciona é pensar em uma caixa de sapatos como se ela fosse a carroceria monobloco de um automóvel. Essa estrutura está sujeita às torções e deformações provocadas pelas arrancadas, frenagens e mudanças de direção.

Com a tampa, a caixa fica mais rígida e resistente às deformações. Se tirarmos a tampa, a situação muda completamente: a caixa fica mais maleável e frágil.

Um monobloco de pouca rigidez torcional compromete o comportamento do veículo, o que afeta a estabilidade, o nível de ruído e também provoca o desalinhamento das portas e peças de acabamento. Em casos mais extremos, a movimentação da estrutura chega a trincar os vidros do carro.

Materiais nobres para reduzir o peso

Para “compensar” a falta dessa estrutura na capota, as montadoras aplicam uma série de reforços diretamente no monobloco, o que resulta em um aumento de peso em relação ao mesmo modelo com carroceria cupê ou sedã. Esses quilos extras, consequentemente, podem influenciar negativamente no consumo e no desempenho do carro.

Para efeito de comparação, o Audi A3 Cabriolet pesa 1.430 kg ante os 1.295 kg da versão sedã com a mesma motorização.

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2015 Audi A3 Cabrio
Reforços estruturais do Audi A3 Cabriolet destacados em vermelhoCrédito: Divulgação Audi

No entanto, alguns modelos podem “engordar” menos com a aplicação de materiais nobres, como aços de alta resistência e até mesmo fibra de carbono.

Além do peso maior, o desempenho dos conversíveis também sofre influência da aerodinâmica. A velocidade máxima desses carros é, em média, 30 km/h inferior à dos similares fechados.

Tipos de conversíveis

É comum chamar todo carro de teto retrátil de conversível, mas o termo é mais indicado aos modelos de quatro ou cinco lugares. Os roadsters são, especificamente, pequenos conversíveis de proposta mais esportiva e com capacidade para até dois ocupantes.

Os targa, por fim, diferenciam-se pelo arco estrutural na coluna B e vigia traseira fixa (geralmente de vidro), como o Porsche 911 Targa (foto abaixo).

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Porsche 911 Targa 4 2021 1024 28
Porsche 911 Targa 4 2021 1024 28

Guilherme Silva

Escrito por Guilherme Silva

Repórter

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