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Harley-Davidson X350 e X500: da Ásia para o mundo?

Criadas com a Qianjiang chinesa, as duas serão vendidas na Austrália. Seria o primeiro passo rumo a outros mercados?

Roberto Dutra
Roberto Dutra

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As Harley-Davidson X350 e X500, desenvolvidas em parceria com a chinesa Qianjiang Motorcycle Company, foram feitas para serem vendidas exclusivamente em alguns mercados asiáticos.

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Harley Davidson X350 E X500
Harley Davidson X350 E X500Crédito: Reprodução

As duas motos fazem parte de uma estratégia da marca de atuar na região também com produtos mais adequados aos perfis locais. Ou seja, nesses lugares, a Harley vende suas tradicionais motos grandes, mas também as duas com baixa cilindrada e preço mais razoável.

Assim, atinge o público mais endinheirado e, ao mesmo tempo, “espalha” sua marca com modelos mais acessíveis – e ainda fazem rentáveis volumes de venda.

Bem diferente do que acontece nos Estados Unidos e na maioria dos outros países onde atua – inclusive o Brasil -, onde o line-up só tem modelos grandes e caros.

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Harley Davidson X350
Harley Davidson X350Crédito: Reprodução

Fora da terra do Tio Sam, aliás, segue em curso a estratégia “global” de ter uma linha enxuta e composta apenas por modelos de alta cilindrada e preços idem, para sempre posicionar a Harley-Davidson como ” marca premium”.

Pois agora foi anunciado que as duas motos – X350 e X500 – serão vendidas na Austrália. É um mercado “rico”, que pouco ou nada tem a ver com os dos países asiáticos nos quais os dois modelos vinham sendo comercializados.

Na Índia, aliás, a Harley lançou uma terceira versão, a X440, que é montada por lá em parceria com uma fabricante local chamada Hero MotoCorp Limited.

A chegada das duas motos à Austrália é uma surpresa, e nos leva a questionar se seria um primeiro passo rumo a outros mercados.

Como são a X350 e a X500

Tanto a X350 quanto a X500 são movidas por motores bicilíndricos com refrigeração líquida. São parecidos – o que muda, mesmo, é a capacidade cúbica e, por tabela, potência e torque.

A X350 entrega 36,7 cv e 3,1 kgf.m de torque. Já o motor da X500 rende 47,6 cv e 4,6 kgf.m. As duas têm câmbio de seis marchas com secundária por corrente.

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Harley Davidson X500
Harley Davidson X500Crédito: Reprodução

Apesar da capacidade cúbica intermediária, a X440 vendida na Índia tem calibragem adequada ao gosto local: lá o bicilíndrico gera 27 cv e 3,8 kgf.m. Ou seja, proporcionalmente entrega mais torque do que potência. É a tradicional serenidade indiana…

Os modelos também compartilham alguns outros componentes e, mais evidente ainda, o design básico. Este é claramente inspirado no das motos que competem em corridas de flat track – aqueles circuitos ovais de terra -, e nada tem a ver com o das grandes custom, cruiser e touring vendidas no resto do mundo.

Harley-Davidson X350 e X500 no Brasil?

A chegada das duas motos à Austrália também chama a atenção por se inserir em um “movimento” que muitas marcas vêm fazendo.

A Triumph, inglesa, por exemplo, lançou na própria Índia os modelos Speed 400 e Scrambler 400 X, e já confirmou que as duas serão vendidas em outros países – inclusive no Brasil.

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Speed 400 e Scrambler 400 X: com preços acessíveis, modelos ajudaram a impulsionar as vendas da Triumph no Brasil
Speed 400 e Scrambler 400 X: com preços acessíveis, modelos ajudaram a impulsionar as vendas da Triumph no BrasilCrédito: Divulgação

As duas usam o mesmo motor monocilíndrico de refrigeração líquida e 398 cm³, que rende 40 cv e 3,8 kgf.m de torque. Virão competir com as Royal Enfield Meteor, Classic e, principalmente, Hunter 350.

As duas primeiras já são vendidas no mercado brasileiro e a Hunter está prestes a chegar. As três têm o mesmo motor, que é um tanto mais modesto que o das Triumph: um monocilíndrico refrigerado a ar, com 350 cm³,  20 cv e 2,7 kgf.m.

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Royal Enfield Classic 350 16
Classic 350 16Crédito: Alexandre Ciszewski/WM1

Outra que investiu forte nesse segmento de cilindrada intermediária foi a Bajaj. Aqui, a marca começou suas operações no início do ano com três modelos – as Dominar 160, 200 e 400.

Adivinhe qual tem vendido mais? Exatamente: a Dominar 400, cujo motor monocilíndrico com refrigeração líquida entrega 40 cv e 3,5 kgf.m.

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Bajaj Dominar 400 Divulgação 1
A Bajaj é dona de três das cinco primeiras posições no ranking das naked/roadster – que lidera com a Dominar 400Crédito: Divulgação

A explicação para isso é simples. Honda e Yamaha, as principais marcas que atuam no país – e que dominam o mercado -, não têm modelos nesse segmento, muito menos com os perfis nos quais essas outras investem (custom, clássicas, retrô etc).

Então, em vez de apostar em modelos para brigar com best-sellers das duas gigantes, a estratégia é jogar em nichos e volumes menores, porém rentáveis.

Diante disso tudo, poderemos ver as Harley-Davidson X350 e X500 no mercado brasileiro? As chances são remotíssimas, mas não é impossível.

Por um lado, a americana mantém por aqui seu posicionamento de marca “premium”, com line-up enxuto, preços altos e poucas concessionárias – e ter modelos baratos e de muito volume exigiria investimentos na ampliação de lojas, oficinas, ferramentais, funcionários e afins.

Por outro lado, o que importa é rentabilizar o negócio, certo? Então se vária marcas estão indo por um determinado caminho, é porque ali é rentável. E a Harley-Davidson já mostrou que não tem o menor problema em mudar suas estratégias de negócios. A conferir.

Houve uma vez um verão…

Nunca é demais lembrar que, cerca de 10 anos atrás, a Harley-Davidson cogitou vender por aqui um dos dois modelos que na época compunham a chamada linha Street – Street 500 e Street 750.

Eram interessantíssimos modelos custom de média cilindrada e com motores V2 refrigerados a água, que certamente encontrariam um ótimo espaço no mercado brasileiro.

Mas a recessão atingiu o país em cheio, a economia afundou e a marca cancelou os planos. Um bom tempo depois, em 2021, as duas saíram de linha e ficamos com saudades do que não chegamos a ver…

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Harley Davidson Street 500
Harley Davidson Street 500

Roberto Dutra

Escrito por Roberto Dutra

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