Parceria Dafra-SYM lança novo scooter: o ADXTG 150
Aceleramos o novo modelo, que tem imponente estilo "aventureiro" e conjunto competitivo. Veja especificações e preço
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O mercado brasileiro de veículos de duas rodas está em ebulição. A produção de motos e similares no primeiro bimestre deste ano foi a melhor em 15 anos, e as vendas no varejo foram simplesmente as melhores da história. E naturalmente o segmento de scooters está inserido nesse contexto.

Não por acaso, a todo momento as marcas presentes no país lançam novidades. A bola da vez, agora, vem da Dafra, que junto com a já tradicional parceira SYM Sanyang, de Taiwan, lança o scooter SYM ADXTG 150. Sim, o nome é grande – é que esse é o nome mundial do modelo, e a parceria está “cada vez mais SYM e menos Dafra”.
Explicamos: a SYM quer ganhar espaço relevante no mercado brasileiro. E a Dafra, nessa simbiose, ficará cada vez mais como nome ligado à montagem dos veículos em Manaus (AM) e às concessionárias, enquanto as motos e scooters terão o nome SYM em evidência.

SYM é uma potência mundial em scooters
Para quem acha isso um problema, vale lembrar que a SYM é líder de mercado em sua terra natal, Taiwan, onde os scooters representam 90% das vendas de veículos de duas rodas. E não é pouca coisa: em todo o ano passado, mais de 700 mil scooters foram vendidos por lá, e a SYM respondeu por nada menos que 44% desse total – à frente da conterrânea Kymco e da japonesa Yamaha.
Além disso, scooters da SYM são vendidos em todo o mundo, inclusive nos exigentes países europeus. Ou seja, a marca é uma especialista no assunto – no geral, está presente em mais de 95 países e tem fábricas não só em Taiwan, mas também no Vietnã e na China, que são grandes consumidores de scooters.

No Brasil, tornou-se a parceira da Dafra em 2010, o que trouxe para nosso mercado o ótimo scooter Citycom 300 e a moto Next 250, entre outros. Hoje, monta em Manaus (AM) os scooters Cruisym 150, Cruisym 300, Joyride 300 e Maxsym 400 GT, e as motos modelos NH 190, NH 300 e NHX 190.
Scooter quer tirar onda até com o nome
A novidade tem potencial para fazer as vendas da SYM crescerem bem no país. Tanto que a marca acredita que venderá 4 mil unidades ainda este ano. De fato, o modelo tem um conjunto atraente: porte imponente, estilo “aventureiro” que está na moda (em scooters, motos e carros), mecânica conhecida e confiável, e ainda um preço bem competitivo.

Levando-se em conta tudo isso, algumas especificações e o desempenho, que não impressionam tanto, não fazem a menor diferença. Já aceleramos o modelo, e falaremos sobre isso mais adiante. Neste momento, vamos ao que é esse ADXTG.
A sopa de letrinhas do nome une a sigla da fábrica (SYM), o conceito de “adventure cross country” (ADX) e uma abreviação de “Tiger” (TG), que alude ao design do modelo. Nos dois últimos casos, o objetivo é reforçar o caráter “aventureiro” do scooter, que em teoria – pelo menos na ideia vendida pelo marketing – é destinado a rodar não apenas no trânsito urbano, sobre asfalto, mas também por “quase todo tipo de terreno”.
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O visual tenta vender o conceito “aventureiro”
Pois é, o conceito de “veículo aventureiro” está na moda não é de hoje, e pode ser visto em scooters, motos e carros. No ADXTG 150, é reforçado principalmente pelo design agressivo e imponente. E, porque não dizer, realmente bonito.
O modelo tem linhas retas, muitos vincos e carroceria corpulenta, e ainda um bom grau de modernidade com a iluminação full-LED e o painel com tela de TFT de cinco polegadas. Que, surpreendentemente, não tem conectividade – mas a marca assume que isso está nos planos futuros.

Outros baratos são a chave presencial, a abertura remota do bocal do tanque e do banco, a tomadinha USB para carregar dispositivos e o sistema start & stop, que desliga o motor nas paradas mais demoradas e o religa quando o piloto abre o acelerador.
A parte mecânica, porém, é conhecida
Se a roupa é “aventureira”, por baixo dela o ADXTG 150 é mais pacato. O motor é o mesmo monocilíndrico com 149,6 cm³, quatro válvulas e refrigeração líquida do urbaníssimo Cruisym 150, que já é vendido no Brasil desde 2021. Só muda a calibragem.
No veterano, são 14,3 cv de potência a 8.500 rpm e 1,3 kgfm de torque a 6.500 rpm. Agora, no ADXTG, são 14,7 cv a 7.500 rpm e 1,4 kgfm a 6.000 rpm. Ou seja, números ligeiramente superiores e com entregas mais rápidas. Poderiam proporcionar um desempenho mais arisco, mas na prática apenas compensam os quase 10 quilos que o ADXTG pesa a mais que o Cruisym. No fim das contas, empate técnico.

A transmissão obviamente é CVT, como em qualquer scooter autêntico. E há alguma diferença nos cursos das suspensões: no ADXTG, tanto nos tubos convencionais dianteiros quanto no monochoque traseiro, são 9 cm. No Cruisym, 10 cm na frente e 7,5 cm atrás.
Ainda comparando os dois, há uma distância maior na capacidade do tanque: enormes 22 litros no ADXTG, contra apenas seis litros no Cruisym. No novo modelo a altura mínima do solo também é maior, de 12,5 cm contra 11 cm, e o banco está a 80 cm do solo, contra 77,5 cm do “irmão urbano”.

São especificações que tentam proporcionar, de fato, um uso mais versátil. Mas será que o ADXTG 150 tem mesmo essa capacidade “quase todo-terreno” que a SYM anunciou lá no lançamento? Acompanhe abaixo nosso test-ride e confira.
Como é pilotar o SYM ADXTG 150?
O primeiro contato com O ADXTG 150, visual, impressiona. O scooter é bonito, imponente e cheio de detalhes. Tem olhar invocado e instiga a pilotagem. Assumo a posição de pilotagem e encontro um banco bem satisfatório, mais em anatomia do que em maciez, mas no geral bastante bom. A posição de pilotagem é absolutamente cômoda.

O painel de TFT impressiona, mas operá-lo requer alguma paciência. Os dois botões de seleção e setups, nos cantos, são duros e deixam dúvidas se foram pressionados corretamente. Isso dificulta escolher o modo de exibição da tela – são três -, controlar o hodômetro parcial e mesmo desligar ou religar o controle de tração.
Botei minha mochila no bom espaço sob o banco, que acomoda 22 litros, e parti. O test-ride no Rio de Janeiro teve cerca de 50 quilômetros, distância razoável para uma boa avaliação. Pegamos alguns trechos com bastante trânsito, algumas avenidas à beira-mar, inclusive as subidas e descidas da região do Grumari, e passamos por uma pequena serrinha bem travada e íngreme – que liga o recreio dos Bandeirantes a Pedra de Guaratiba. Um bom trajeto.

No trânsito normal, e plano, o ADXTG 150 se saiu muito bem. Foi desenvolto, muito ágil, leve para o piloto e exibiu respostas adequadas. Os comandos estão à mão, são fáceis de operar e ergonômicos, e os retrovisores deram conta do recado.
Mas bastou começar a encarar as subidas do Grumari para ficar evidente que a potência e o torque são apenas adequados – porém, longe de impressionar. É fato que nosso scooter estava praticamente zero-quilômetro e, depois de “amaciado”, terá mais disposição. Mas certamente não mostrará respostas especialmente vigorosas.
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