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F-250 recebe tração integral para bater a RAM

F-250 recebe tração integral para bater a RAM

Gustavo Henrique Ruffo
Gustavo Henrique Ruffo

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– A ameaça da Dodge RAM e a desvalorização do dólar fizeram a Ford se mexer para não perder terreno num território que tem sido dela há um bom número de anos: o de picapes grandes. Depois que a GM desistiu de fabricar a Silverado no Brasil, a outra gigante americana ficou com a exclusividade do mercado, dando-se inclusive ao luxo de não oferecer tração nas quatro rodas para a F-250. Com a chegada da concorrente, fabricada no México e trazida ao país sem imposto de importação, a empresa do oval azul resolveu se mexer. E se mexeu bastante.

Em primeiro lugar, atendeu aos pedidos de muitos dos consumidores-alvo da picape: incorporou a ela a tração nas quatro rodas. Isso porque não se vê uma máquina dessas na cidade, mas sim no campo, onde as estradas nem sempre são boas e chuvas e riachos as tornam ainda piores.

Atender ao consumidor foi extremamente conveniente para a Ford. Primeiro, porque preencheu uma lacuna que não precisava ter ficado tanto tempo vazia, ainda mais considerando que a empresa exportava uma versão com esse tipo de tração para a Austrália. Segundo, porque essa mesma exportação caiu demais devido à valorização do real diante da moeda norte-americana, transformando o modelo fabricado em São Bernardo do Campo em um negócio menos atraente. Se o mercado externo não compra, o interno sempre quis comprar.

Na linha 2007, apresentada na belíssima Serra Gaúcha, as novidades se mostraram ainda maiores do que apenas a tração. Outra mudança importante foi de motor, ainda que ela possa não agradar a todos os compradores. Em vez do 4,2 litros MWM de seis cilindros, entrou um 3,9-litros Cummins de quatro cilindros, 16V e a injeção de diesel por galeria única, mais conhecida por common-rail.

Em números absolutos, a troca parece bastante vantajosa. São 203 cv a 2.900 rpm e 56 kgfm de torque a 1.500 rpm, contra os respectivos 180 cv a 3.400 rpm e 51 kgfm a 1.600 do MWM. A velocidade máxima é, segundo a Ford, limitada em 160 km/h por questões de segurança. O peso bruto total de todas as versões da picape vai de 3,99 a 4,05 toneladas.

A limitação pode parecer estranha, já que as relações de marcha também foram todas aumentadas e o diferencial passou de 4,11:1 para 3,55:1, tanto na frente quanto na traseira, o que tanto favorece o consumo quanto a velocidade máxima. Aqui é que vem a explicação do possível desagrado de alguns consumidores: por ter quatro cilindros, o motor Cummins gira menos que o MWM.

Isso é, inclusive, a forma como a Ford conseguiu limitar a velocidade máxima da picape. Em quinta marcha, a picape atinge os 160 km/h a pouco mais de 3.000 rpm, quando a injeção é cortada para evitar que o motor ultrapasse o limite de giro. A faixa vermelha de rotação surge a partir dos 3.000 rpm, enquanto o motor anterior girava fácil até os 4.500 rpm. Por conta disso, o Cummins tem de fazer o mesmo que o antigo fazia numa rotação bem mais baixa.

Pode ser que alguns não gostem, mas o perfil típico dos compradores, que apreciam um carro que gaste pouco e seja silencioso, será perfeitamente atendido. Além de gastar menos, o novo motor é menos rumoroso e tem uma autonomia de até 1.000 km em estrada, segundo a Ford. O tanque contribui para isso: passou de 98 litros para 110 em todos os modelos.

Na apresentação da picape, a Ford declarou que 82% das vendas são dos modelos mais equipados, da versão XLT. Ainda assim, a empresa não pretende oferecer câmbio automático, que existia na versão RHD righ-hand drive, ou com direção do lado direito, exportada para a Austrália. Considerando que o mercado gosta de modelos luxuosos, o fato de a empresa não oferecer essa opção para a F-250 é como entregar à RAM de bandeja os compradores que fizerem questão deste conforto. A Ford justifica dizendo que o consumidor considera os engates manuais mais seguros, mas, se fosse assim, ela também se preocuparia em oferecer o engate da tração 4×4 e da reduzida por alavanca. Na nova F-250, ele é eletrônico, por meio de um seletor no painel, igual ao da Ranger. O sistema é motivo de queixa para muitos compradores, que o consideram mais frágil. A verdade é que a empresa não tem uma escala que justifique o desenvolvimento de um câmbio automático para a F-250.

A capacidade off-road da picape é boa. Na versão cabine dupla ela tem ângulo de ataque de 31º e de saída de 26º. O que pode atrapalhá-la é o longo entreeixos, de 3,97 m, e o vão livre de 210 mm, relativamente pequeno. Os pneus, Pirelli Scorpion STRa, de medida 265/75R16 na versão XLT, são de uso misto e não ajudam muito a ter aderência na terra. O ideal, para quem comprar a picape, é verificar em qual situação ela será mais utilizada e comprar pneus lameiros se houver necessidade. Com tração 4×4, a F-250 é capaz de atravessar trechos de até 90 cm de altura de água.

Ao volante

Feitas as apresentações, nos dirigimos ao lugar mais importante da picape: o volante. O acesso, para pessoas baixas, não é dos mais tranqüilos, mas há elementos para ajudar na subida à cabine, como um estribo na porta e uma alça no teto. O painel, também renovado, é bem completo e traz marcador de carga de bateria, de temperatura de água e de nível de óleo, além dos instrumentos indispensáveis, como hodômetro e conta-giros. Apesar de também renovados, os bancos são um tanto duros.

O sistema de direção é por esferas recirculantes, mais resistente que o por pinhão e cremalheira utilizado na maioria dos carros, mas muito menos sensível. Isso deixa a condução da F-250 4×4, ainda mais alta do que a versão 4×2, ideal para quem gosta de ver tudo de cima, mas um tanto incômoda para quem aprecia um veículo mais na mão.

Apesar de ser capaz de fazer curvas com competência e de ter um bom acerto de suspensão, a picape desencoraja qualquer atrevimento por sua posição de dirigir e a baixa sensibilidade ao volante. Tanto melhor. Um veículo de mais de quatro toneladas não se presta a arroubos esportivos, apesar de ter potência para tanto. Afinal, ele acelera que é uma beleza, mas para frear…

A percepção de ruído na cabine é muito curiosa. Ao volante, a picape é extremamente silenciosa, mas quem se senta no extremo oposto ao do motorista, ou seja, no banco traseiro mais à direita, tem a sensação de que a picape é mais barulhenta. Culpa da proximidade com o escapamento. Como a F-250 tem torque de sobra, é comum o motorista deixar a quarta marcha engatada a 120 km/h, o que incomoda esses passageiros, já que o giro fica mais alto e o barulho, também.

As vendas da linha 2007 da F-250 só se iniciam em maio. Por conta disso, a Ford não forneceu os preços das novas picapes, apenas uma estimativa: R$ 93 mil para a versão 4×2 cabine simples, R$ 110 mil para a versão 4×4 da mesma carroceria e R$ 120 mil para a 4×4 cabine dupla.

Gustavo Henrique Ruffo viajou a convite da Ford.
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Gustavo Henrique Ruffo

Escrito por Gustavo Henrique Ruffo

Repórter, WM1

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