Lapidar um diamante não é uma tarefa fácil. São necessários dias, horas e muita dedicação. Quando chegou ao Brasil em 2007, o Renault Logan era como uma pedra bruta, com suas linhas robustas e nada de estilo. Outra brutalidade encontrada naquela peça recém-chegada era a da aceitação do mercado. Para cativar o consumidor, a Renault ressaltou os pontos fortes do “patinho feio”, oferecendo custo-benefício, espaço e robustez.
A receita deu certo, tanto é que após o Renault, surgiram na sua “cola” os espaçosos, mas de desenhos duvidosos, Versa, Cobalt e Grand Siena. Hoje, aquele diamante bruto que serviu de abre-alas recebeu uma boa evolução, sem perder os pilares que o colocaram em uma boa posição no ranking de vendas. “Estamos lançando um produto novo, sofisticado e inovador, mantendo os pontos fortes da geração anterior, que fizeram do Logan um sucesso no mercado”, explica Olivier Murguet, presidente da Renault do Brasil.
Apresentado no Salão de Frankfurt, com o logo da romena Dacia, o novo Logan traz a nova identidade visual da frances criada por Laurens van der Arcker. Na dianteira o conjunto ótico traz linhas quase que retangulares, ao contrário das tendências triangulares ou em forma de gota aplicadas na maior parte dos modelos. Para o mercado nacional, a grade frontal, destaca-se um friso cromado e o símbolo da Renault com mais evidência. Na parte inferior da grade dianteira, a versão Dynamique reforça o design sofisticado com uma moldura cromada, já a de entrada traz uma peça preta. A traseira é marcada por lanternas retangulares que invadem as laterais e um acabamento ao mais famoso estilo extrator ao lado do escapamento.
O ponto mais forte do Logan foi mantido. Trata-se do bom espaço interno. São 2,63 m de distância entre-eixos, 4,35 m de comprimento, 1,73 m de largura (sem retrovisores) e 1,52 m de altura.
Para concorrer com o sistema de multimídia, o sedã passou a oferecer opcionalmente o mesmo sistema do Duster, denominado de Media NAV 1.2. Com GPS e tela touch screen de 7” integrada ao painel o equipamento custa R$ 850, dependendo da versão.
O motor 1,0L desenvolve 80 cv (com etanol no tanque) e 77 cv (abastecido com gasolina), sempre a 5.750 rpm. São 10,5 kgfm (etanol) e 10,2 kgfm de torque máximo a 4.250 rpm (gasolina). No ciclo urbano, faz 8,1 km/l (etanol) e 11,9 km/l (gasolina). E na estrada, a média de consumo fica em 9,2 km/l (gasolina) e 13,4 km/l (etanol). De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o Logan obteve nota “A”. A segunda opção de motor disponível é o 1,6L 8V de 106 cv quando abastecido com etanol e 98 cv quando abastecido com gasolina. Em relação ao torque são 15,5 kgfm com etanol e 14,5 kgfm com gasolina.
Versões e equipamentos
O Novo Logan está chegando ao mercado nacional em quatro versões: três de acabamento e duas de motorização. São elas:
– Authentique 1.0 16V Hi-Power: airbag duplo, ABS, EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), brake light, rodas 15’’, retrovisor na cor preta, maçanetas externas na cor preta, retrovisor com regulagem interna, para-sol com espelho cortesia, aberturas internas do porta-malas e reservatório de combustível. Principais opcionais: direção hidráulica e ar-condicionado.
– Expression 1.0 16V Hi-Power e 1.6 8V Hi-Power: os mesmos equipamentos da versão Authentique mais ar-condicionado (1.6 8V Hi-Power), direção hidráulica, rádio CD MP3 2 DIN + USB + Bluetooth, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas das portas, alarme perimétrico, computador de bordo, banco traseiro rebatível 1/1, ar quente, desembaçador traseiro, retrovisor na cor carroceria, maçanetas externas na cor carroceria, coluna B com acabamento em preto. Principais opcionais: ar-condicionado (1.0 16V Hi-Power), Media NAV 1.2 e sensor de estacionamento.
– Dynamique 1.6 8V Hi-Power: os mesmos equipamentos da versão Expression mais bancos com tecnologia CCT, rodas 15’’ em liga leve, faróis de neblina, vidros elétricos traseiros, piloto automático, limitador de velocidade, luzes indicadoras de direção nos retrovisores, comando elétrico dos retrovisores, banco rebatível 1/3 e 2/3 e volante revestido em couro. Principais opcionais: Media NAV 1.2, sensor de temperatura externa, ar-condicionado automático e sensor de estacionamento.
Impressões ao dirigir: Apesar de estar bem mais agradável de olhar, o novato não mudou tanto nas suas características de condução. A posição de dirigir continua elevada, mas desagradável, e o volante continua com reações lerdas. A suspensão está mais suave, porém um pouco imprecisa. No trajeto que fizemos, entre São Paulo e Campinas, o Logan nos apresentou situações de flutuação em mais de uma situação. O acabamento interno melhorou muito, mas o excesso de plástico pode tornar o sedã em um verdadeiro dono de escola de samba. O motor 1,0L de 80 cv responde muito bem a tocada do motorista, principalmente no circuito urbano. Em nenhum momento o propulsor deixou a desejar. Já o modelo equipado com o 1,6L se saiu muito bem na estrada, e nem tanto na cidade. A justificativa desta característica fica mais evidente por causa da relação reduzida das marchas do modelo 1,0L.
Para o consumidor que procura um modelo espaçoso e de um bom preço, o Logan é a bola da vez. A boa notícia é que ele não está mais tão feio assim.