Chery Q aparece na China e pode vir ao Brasil para brigar com Geely EX2 e BYD Dolphin Mini
Elétrico é vendido como QQ3 na China e usa outro nome internacionalmente; WM1 apurou que a marca estuda trazê-lo ao Brasil
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Esqueça tudo o que você lembra do antigo Chery QQ. Durante o International User Summit, realizado pelo Grupo Chery em Wuhu, na China, a Webmotors conheceu de perto o Chery Q, um pequeno carro elétrico, bem compacto, mas que pouco tem a ver com o hatch vendido no Brasil na década passada.

No mercado chinês, aliás, esse modelo é comercializado como QQ3. Só que para os mercados internacionais, a própria Chery adotou oficialmente o nome Q.
E existe uma perspectiva real de vê-lo novamente no Brasil. O WM1 apurou com fontes ligadas ao Grupo Chery que há, sim, a intenção de comercializar o modelo no país.
Mas calma: ainda não existe confirmação de lançamento, data ou versão. A principal discussão em andamento é justamente sob qual marca do grupo o carro seria vendido por aqui.
Ou seja: ele poderia chegar como Chery ou integrar o portfólio de outra bandeira do grupo, como a Omoda & Jaecoo, recebendo uma estratégia específica para o mercado brasileiro.



Esqueça o antigo QQ
Apesar da ligação evidente com o QQ usado na China, o novo carro mudou completamente de tamanho e proposta.
O Chery Q mede 4,195 metros de comprimento e tem 2,70 metros de entre-eixos. É um carro que já entra no território dos hatches elétricos compactos atuais, e não mais naquele universo de subcompactos extremamente pequenos do antigo QQ.
Para colocar isso em perspectiva, ele fica muito próximo do Geely EX2, que tem 2,65 metros de entre-eixos, e é consideravelmente maior que o BYD Dolphin Mini, que mede 3,78 metros e tem 2,50 metros entre os eixos.
A unidade exibida pela Chery aqui em Wuhu usa motor elétrico de 90 kW, o equivalente a cerca de 122 cv. Um detalhe interessante está na arquitetura: o motor fica no eixo traseiro – e a tração também é traseira.
A bateria dessa configuração tem 41,28 kWh, enquanto a autonomia declarada pela fabricante chega a 420 quilômetros pelo ciclo chinês CLTC. Também chama atenção o tempo de recarga: segundo a Chery, em corrente contínua, a bateria pode ir de 30% a 80% em quase 17 minutos.
Vale lembrar que os 420 quilômetros são medidos pelo padrão usado na China, geralmente mais otimista que o ciclo adotado pelo Inmetro no Brasil. Portanto, esse número não deve ser comparado diretamente com a autonomia homologada dos elétricos vendidos por aqui.
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Mercado aquecido
Se realmente vier ao Brasil, o Chery Q encontrará justamente um dos segmentos mais quentes do mercado de elétricos. E é difícil olhar para dimensões, potência e proposta sem enxergar o Geely EX2 como um dos principais rivais, brigando também com o BYD Dolphin.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o BYD Dolphin Mini soma 60.619 licenciamentos, liderando com folga entre os hatches compactos de entrada. O Geely EX2, por sua vez, tem 29.205 unidades no ano, mesmo sendo mais recente no mercado, segundo dados da Fenabrave.
E não é só volume de venda direta ou frota. Em setembro, 77,75% dos emplacamentos do Geely EX2 foram no varejo, destinados a consumidores finais. No caso do Dolphin Mini, foram 5.886 unidades vendidas no varejo no mês, o suficiente para colocá-lo na liderança dessa modalidade.
Esse cenário ajuda a explicar por que um modelo como o Chery Q faz sentido para o Grupo Chery no Brasil: ele entraria justamente em uma faixa em que o consumidor já mostrou disposição para comprar elétricos compactos em volume, e onde BYD e Geely constroem a cada mês uma presença relevante.
A aparição do carro no International User Summit, portanto, coloca o Chery Q no radar nacional em um momento bem oportuno. Ele resgata uma linhagem conhecida do público, mas agora entra em uma categoria completamente diferente: elétrico, maior, mais potente e muito mais próximo de modelos como Geely EX2 e BYD Dolphin do que do antigo QQ.
E, se realmente vier ao Brasil, encontrará uma disputa bastante aquecida.
