A Chevrolet vai ampliar sua estratégia de eletrificação no Brasil com a produção nacional do Captiva PHEV. O SUV híbrido plug-in será fabricado ainda este ano na Planta Automotiva do Ceará (PACE) e se tornará o primeiro modelo da marca com esse tipo de motorização produzido no país.
A escolha acontece em um momento em que os veículos eletrificados ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro, mas também em que os consumidores têm demonstrado comportamentos diferentes de acordo com o tipo de tecnologia e o segmento do veículo.
Enquanto o segmento de carros 100% elétricos é dominado por modelos mais acessíveis, principalmente hatches e SUVs compactos, no de híbridos plug-in o domínio é dos SUVs médios e veículos com proposta mais familiar.
É justamente nesse cenário que a chegada do Captiva PHEV pode fazer sentido para a Chevrolet. O modelo é maior, mais sofisticado e tem uma proposta diferente dos elétricos de entrada. Poderá aproveitar o crescimento da procura por híbridos plug-in entre consumidores que buscam um SUV para uso cotidiano e também viagens mais longas.
Captiva PHEV será o terceiro Chevrolet produzido no Ceará
Além de representar a entrada da Chevrolet na produção nacional de híbridos plug-in, o Captiva PHEV também reforça a importância da PACE na estratégia da marca.
O SUV será o terceiro modelo a entrar em produção na unidade em menos de um ano, depois do Spark EUV e do Captiva EV. Com isso, a fábrica passará a concentrar modelos com diferentes tecnologias de propulsão, acompanhando a diversificação da demanda no mercado brasileiro.
Para a Chevrolet, a produção local permite ampliar a oferta de veículos eletrificados no país justamente em um momento em que o consumidor brasileiro passa a ter cada vez mais opções entre diferentes níveis de eletrificação.
No caso do Captiva PHEV, a aposta ainda combina essa tendência com uma característica importante do mercado atual: a procura por SUVs maiores e mais familiares. Ao oferecer a possibilidade de rodar no modo elétrico nos deslocamentos do dia a dia sem abrir mão do motor a combustão em viagens, o modelo poderá ocupar um espaço diferente daquele explorado atualmente pelo Captiva EV.
A Chevrolet ainda não divulgou as especificações finais, versões e preços do Captiva PHEV produzido no Brasil.Híbridos plug-in já representam 37% da frota eletrificada
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), considerando a frota eletrificada brasileira desde 2012, os híbridos plug-in representam 37% do total, enquanto os veículos 100% elétricos respondem por 35%.
Os números mostram que as duas tecnologias têm participação bastante próxima dentro da frota eletrificada brasileira. Mas olhar apenas para os percentuais não conta toda a história. Também é preciso observar quais tipos de veículos estão concentrados em cada categoria.
Entre os híbridos plug-in, há uma presença maior de SUVs médios e modelos de perfil familiar. São veículos que, em muitos casos, precisam atender tanto à rotina urbana quanto a viagens mais longas, nas quais a possibilidade de usar o motor a combustão depois de esgotada a carga da bateria pode representar uma vantagem.
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Já entre os elétricos puros, a oferta e a procura estão mais concentradas em modelos de entrada. Hatches compactos, como o BYD Dolphin Mini, e modelos como BYD Dolphin e Geely EX2, além de SUVs compactos, ocupam uma parcela importante desse mercado.
Essa diferença ajuda a explicar por que a estratégia da Chevrolet de oferecer o Captiva também como híbrido plug-in pode ser especialmente interessante. O modelo não está necessariamente no mesmo território dos elétricos de entrada, e se encaixa melhor entre os consumidores que procuram um SUV maior e mais completo sem abrir mão da possibilidade de rodar no modo elétrico.
Captiva EV já é vendido no Brasil
A Chevrolet já oferece no mercado brasileiro uma versão 100% elétrica do SUV, o Captiva EV, por R$ 199.990. O modelo tem motor elétrico de 201 cv de potência, 31,6 kgfm de torque e bateria de 60 kWh. A autonomia informada pela marca é de 304 quilômetros no padrão do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro.
O Captiva EV também tem uma proposta mais sofisticada dentro da gama de elétricos da Chevrolet. Entre os equipamentos estão central multimídia de 15,6 polegadas, painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas, câmera com visão 360 graus, assistentes de condução e porta-malas com capacidade para 403 litros.
Ou seja, embora o Captiva EV faça parte da expansão da Chevrolet no segmento de veículos elétricos, não segue exatamente o perfil dos modelos mais acessíveis que têm encontrado maior espaço nesse mercado.
É aí que o Captiva PHEV entra como uma alternativa estratégica. Em vez de disputar apenas entre os SUVs elétricos, o modelo passa a atuar também em uma categoria na qual a combinação entre eletrificação e motor a combustão pode conversar melhor com a proposta de um SUV familiar.
Como é o Captiva PHEV em outros mercados?
Em outros mercados, o Chevrolet Captiva PHEV combina um motor 1.5 aspirado a gasolina com um sistema elétrico. Na configuração comercializada no México, o propulsor a combustão entrega 105 cv, enquanto o motor elétrico desenvolve 201 cv e torque máximo de 31,7 kgfm. A bateria tem 20,5 kWh de capacidade.
Na Argentina, a Chevrolet informa potência combinada de 204 cv e torque de 31,6 kgfm. O modelo usa a mesma bateria de 20,5 kWh e pode rodar por até 90 quilômetros exclusivamente no modo elétrico, considerando o ciclo NEDC.
A autonomia total supera os mil quilômetros, de acordo com a Chevrolet argentina. A proposta é permitir que o SUV use prioritariamente a propulsão elétrica em trajetos urbanos, enquanto o motor a combustão entra em ação quando são exigidos deslocamentos mais longos ou velocidades elevadas.
O sistema também conta com regeneração de energia nas frenagens e pode receber carga externa. Na configuração argentina, a bateria pode ser recarregada por corrente contínua com conector CCS2 ou em corrente alternada, com potência de até 6,6 kW. A transmissão é automática DHT e a tração é dianteira.
É importante destacar, porém, que esses são os dados do Captiva PHEV comercializado em outros mercados. Como o modelo terá produção nacional, a Chevrolet ainda poderá fazer alterações no conjunto mecânico, bateria, equipamentos e calibração para a versão brasileira.
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