Elétricos e Híbridos 5 min. de leitura

Dados prévios cravam: vendas crescem 2,4% em outubro e eletrificados ficam com 1/4 do mercado

Emplacamentos somaram quase 254 mil unidades no mês e os carros eletrificados já representam 24,4% das vendas

André Deliberato
André Deliberato

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O mercado brasileiro de veículos leves fechou outubro com 253.952 veículos emplacados, um crescimento de 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, e com quase 25% de carros eletrificados na participação. A informação é da Bright Consulting e deve ser confirmada ainda esta semana pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

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BYD Dolphin Mini supera o marca do 50 mil unidades vendidas
Novo acordo no segmento de vendas diretas pode ter influenciado o rankingCrédito: Divulgação

Apesar do resultado positivo, vale dizer que os números mostram desaceleração importante do setor, que havia registrado altas mais expressivas ao longo do ano. Os eletrificados, por sua vez, chegaram a 24,4% de participação nas vendas, ou seja, praticamente 1/4 dos licenciamentos.

Em setembro, o mercado havia registrado 268.768 emplacamentos. Outubro, portanto, teve retração de 5,5% na comparação mensal. Já no acumulado dos dez primeiros meses de 2026, o setor soma 2.412.157 unidades, bom avanço de 17,2% sobre o mesmo período de 2025, quando foram vendidos 2.057.907 veículos.

O desempenho de outubro reforça uma tendência de acomodação que começou a aparecer em setembro. Para se ter ideia, o crescimento na comparação anual chegou a 22% em agosto, mas caiu para 2,4% no mês passado.

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A BYD é uma das associadas à Abeifa - e a marca que mais vende carros eletrificados importados no País, atualmente
A BYD é uma das associadas à Abeifa – e a marca que mais vende carros eletrificados importados no País, atualmenteCrédito: Reprodução/Webmotors

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Parte dessa leve desaceleração, segundo especialistas, pode estar relacionada ao fim do ciclo de antecipações de compras corporativas e à menor disponibilidade de modelos eletrificados mais acessíveis.

Vale dizer, ainda, que o período eleitoral também é apontado pelos peritos como um possível fator de influência sobre o comportamento dos consumidores.

Mas calma: o calendário também ajuda a explicar parte da diferença. Outubro teve 22 dias úteis, contra 21 em setembro e 23 em outubro de 2025. Na média diária do mês, foram 11.544 vendas, queda de 9,8% sobre setembro, mas crescimento de 7% ante outubro do ano passado.

Venda direta e varejo empatam

Outro dado interessante é o equilíbrio entre os canais de comercialização. Em outubro, as vendas diretas responderam por 49,6% dos emplacamentos, enquanto registros de showroom, que representam as vendas no varejo, ficou com 50,4%.

Apesar da proximidade, os desempenhos dos dois canais são diferentes na comparação anual – por enquanto, o varejo cresceu 12,8%, enquanto as vendas diretas recuaram 6,5%.

Isso indica que o crescimento do mercado brasileiro em 2026 será sustentado principalmente pelas compras feitas pelos consumidores nas concessionárias. Aqui, vale registro da redação: a busca de clientes por carros eletrificados diretamente nas concessionárias autorizadas tem sido muito forte – e isso deve aumentar ainda mais nos próximos anos.

No acumulado do ano, o showroom soma 1.242.860 unidades, alta de 22,9%. As vendas diretas, por sua vez, totalizam 1.169.297 licenciamentos, crescimento de 11,7%.

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BYD ganha espaço e Fiat e Volkswagen recuam

Entre as fabricantes, a BYD foi um dos destaques de outubro. A marca recuperou participação e chegou a 9,5% de market share, avanço de 1,2 ponto percentual em relação a setembro. Com isso, consolidou a quarta posição no ranking brasileiro.

Hyundai e Chevrolet também ganharam espaço, com avanços de 1,1 e 0,9 ponto percentual, respectivamente. Na direção contrária, Fiat e Volkswagen registraram as maiores perdas.

A primeira recuou 1,6 ponto percentual, enquanto a segunda perdeu 1,5 ponto. Note que, juntas, as duas fabricantes deixaram mais de três pontos percentuais de participação em apenas um mês – e repare que nenhuma das duas tem carros eletrificados no atual segmento de “entrada” do mercado, o que diz muito sobre o recuo.

A comparação com outubro de 2025 também mostra uma mudança importante: a Fiat caiu de 21,2% para 18,4% de participação, enquanto a Volkswagen passou de 16,9% para 14,3%.

Do outro lado, as fabricantes chinesas com cada vez mais produtos modernos e eletrificados ampliaram significativamente sua presença. A BYD mais que dobrou seu market share em um ano: passou de 4,3% para 9,5%. Já a GWM também mais que duplicou: saltou de 1,6% para 4,2%, enquanto a Geely (esta com 100% de carros eletrificados) já chegou a 1,2%.

Strada é líder e BYD coloca dois carros no top 15

No ranking de modelos, a Fiat Strada continua na liderança com participação praticamente estável: ela vai saltar de 5,6% para 5,7% em um ano.

O destaque, novamente, é a presença crescente das fabricantes chinesas. A BYD colocou dois modelos eletrificados entre os 15 mais emplacados de outubro: o Dolphin Mini, na terceira posição; e Dolphin, na 14ª colocação.

A Chevrolet também voltou a aparecer com dois representantes no ranking: o Onix, em oitavo lugar; e o Onix Plus, em 13º.

Fiat e Volkswagen tiveram três modelos cada entre os mais vendidos. A primeira apareceu com Strada, Argo e Toro, enquanto a segunda teve Polo, T-Cross e Tera. A Hyundai também teve dois representantes, HB20 e Creta; e a Toyota se fez presente na lista com o Yaris Cross.

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Eletrificado, Toyota Yaris Cross é o representante da marca japonesa na lista dos mais vendidos
Eletrificado, Toyota Yaris Cross é o representante da marca japonesa na lista dos mais vendidosCrédito: Evandro Enoshita/WM1

Só que, na comparação anual, alguns movimentos chamam atenção. O Volkswagen Polo perdeu participação, e passou de 5% para 3,2%, enquanto o Fiat Argo caiu de 4,1% para 3,3%.

Já o BYD Dolphin Mini praticamente triplicou sua presença, e subiu de 1,2% para 3,3%. O Dolphin também avançou consideravelmente, de 0,6% para 2,1%. Outro destaque apontado pelos dados prévios foi o GWM Haval H6, que dobrou sua participação e chegou a 2,4%.

Os números mostram que, mesmo com a leve desaceleração do mercado brasileiro, a disputa por participação está longe de ficar menos acirrada. E as fabricantes chinesas – cada vez em maior número, sempre com carros eletrificados – seguem protagonistas dessa transformação.


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Escrito por André Deliberato

Editor-assistente

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