Veículos definidos por software disputam chips com a IA
Tudo resulta em aumento de custos, que acabam repassados para o comprador de automóveis
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Enquanto a fabricação de veículos definidos por software se amplia e a indústria também se transforma com o uso da Tecnologia da Informação, a acelerada evolução da inteligência artificial (IA) virou uma ameaça direta à produção automobilística em razão dos preços.

Isso porque os data centers de IA necessitam de grandes quantidades de memória de acesso aleatório (RAM, em inglês). Fabricantes desses componentes preferem priorizar o fornecimento para empresas como Meta e Google, que não sofrem restrições em relação aos custos, como ocorre na fabricação de automóveis.
Segundo especialistas do setor, a indústria automobilística pode estar à beira de uma nova crise no fornecimento de semicondutores, parecida com a que ocorreu durante a pandemia de Covid 19. Só que, agora, os fabricantes de veículos precisam enfrentar gigantes da tecnologia, que têm recursos ilimitados.
Modelos de última geração definidos por software cada vez mais dependem de memória RAM para executar sistemas de assistência ao motorista, além de alimentar informações nos painéis digitais e centrais multimidia complexas.
Este cenário foi levantado pelo site Automotive News e os prejuízos já se refletem nos balanços trimestrais dos fabricantes nos EUA – as queixas vieram da Ford, GM e da subsidiária americana da Honda, que relataram impacto dos gastos extras nos resultados financeiros.
No cenário atual de disputas acirradas por estes insumos, o consumidor poderá sair prejudicado ao ter que pagar mais por um carro novo.
Os valores da DRAM (sigla em inglês para Memória Dinâmica de Acesso Aleatório) dispararam 450%. Fabricantes de veículos se esforçam para garantir o fornecimento e assim poder alimentar seus sistemas – que exigem grande volume de dados.
Já os produtores de semicondutores detêm todo o poder de negociação. Samsung, SK Hynix e Micron controlam quase 90% do mercado mundial de memória dinâmica para automóveis.
A fim de garantir o fornecimento contínuo, fabricantes enfrentam contratos plurianuais mais caros. Dessa forma, acordos de longo prazo acabam por se refletir nos custos de fabricação e, consequentemente, nos preços finais.

Carro novo pede cada vez mais software
Veículos definidos por software não estão mudando apenas as próprias características de projeto e fabricação. Para manter seus níveis de produção, os fabricantes dependem de complexas redes globais de suprimentos.
Essas novas funcionalidades, especialmente aquelas possibilitadas por softwares e eletrônica, exigem não só maior diversidade de fornecedores, mas também que os novos componentes sejam adicionados a essas redes de suprimentos.
As exigências também vêm evoluindo e agora há novos recursos, que acabam por ajudar a definir as decisões dos compradores de carros. Mais consumidores esperam novas e avançadas soluções. Fabricantes têm que seguir nesta direção e ainda tentar administrar o aumento de custos para atender atuais e futuras demandas.
Não há alternativas fora a de ter de se adaptar a essa situação.
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A era dos automóveis definidos por software está em pleno andamento e a própria indústria precisou se transformar juntamente com os modelos que produz. Além disso, desafios na transição para veículos definidos por software não ficam só na utilização destes sistemas.
Outro problema são os ciclos de produção. Carros geralmente usam gerações mais antigas de arquitetura de memória devido aos longos ciclos de validação exigidos durante o desenvolvimento de qualquer projeto.
Já para as fábricas de chips as margens de lucro nas vendas são muito maiores ao desenvolver tecnologia de última geração, para atender servidores de IA, sem restrições de prazo, nem de custo de produção no fornecimento.
E a concorrência aumenta com o avanço de marcas chinesas. Um exemplo é Huawei, que começa a desafiar a Nvidia, multinacional americana de alta tecnologia, famosa por criar as unidades de processamento gráfico (GPU, na sigla em inglês) e líder no mercado mundial de IA.
