Alfa Romeo completa 110 anos de história

Marca italiana chegou a ter fábrica local e é cultuada até hoje no Brasil, mas não deve voltar tão cedo

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Renan Rodrigues
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Se você costuma se atualizar das notícias através das redes sociais, certamente já esbarrou em algum post sobre o aniversário de Lionel Messi. No entanto, aqui no WM1 falaremos de uma comemoração muito mais importante e icônica: os 110 anos a Alfa Romeo.

O fabricante automotivo foi fundado em 1910 e certamente arrebatou corações (até mesmo pelo visual cuore da grade, como já falamos por aqui) ao redor do mundo e também no Brasil. Confira abaixo um pequeno histórico da marca italiana e também a respeito do seu futuro por aqui.

Fundação

A história começa um pouco antes, em 1907, quando Calaiere Ugo Stella, um aristocrata de Milão, e Alexandre Darraca, fabricante de carros francês, criaram a Darracq Italiana. A empresa fazia automóveis na cidade de Nápoles, no sul do país europeu.

 Fábrica da Alfa Romeo no subúrbio de Milão
Legenda: Fábrica da Alfa Romeo no subúrbio de Milão
Crédito: Reprodução

No entanto, a parceria durou pouco. Com o fim, a dupla se mudou para Portello, um subúrbio de Milão (no norte), e mudaram o nome da empresa, criando a ALFA - Anonima Lombarda Fabricca Automobilli.  O primeiro carro produzido inteiramente pela companhia foi o modelo 24 HP de 1910, desenhado por Giuseppe Merosi.

Guerras

Só que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) atrapalhou os planos de crescimento da empresa, e a produção foi paralisada por três anos. Logo em seguida, Nicola Romeo, que havia assumido a companhia em 1916, alterou o nome da montadora para Alfa Romeo e lançou o Torpedo.

Ainda em 1919, um tal de Enzo Ferrari passaria a ser piloto da Alfa Romeo em competições. Sim, o personagem em questão fundou anos mais tarde a Scuderia Ferrari e a famosa marca de esportivos. No entanto, além de conquistas nas pistas, a Alfa convenceu Vittoriano Jano a abandonar a Fiat e substituir Merosi como designer-chefe da empresa.

Enzo Ferrari Alfa Romeo
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Legenda: Antes de ser famoso pela Ferrari, Enzo foi piloto da Alfa Romeo
Crédito: Reprodução

Foi sob o comando de Jano que a Alfa desenvolveu uma serie de motores pequenos e médios com 4, 6 e 8 cilindros em linha, que estabelecerem a arquitetura clássica da marca: bloco em liga-leve, câmaras de combustão dupla hemisféricas, velas em posição central e duas válvulas em linha por cilindro.

Depois de uma crise econômica em 1928, o governo italiano se apropriou da empresa, que foi utilizada por Mussolini como um Emblema Nacional. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a fábrica foi bombardeada e com muito custo voltou à ativa. Dessa vez, para sobreviver, abandou o mercado de luxo e focou em carros populares.

Ao longo dos anos, foi a marca responsável por carros com design marcante. Entre eles, a primeira geração do Giulia (e suas variantes GT, GTV e Spider), o 2600 Spider, 33 Stradale, Montreal, 4C Spider, 8C Competizione, entre outros.

Brasil

Muito antes de a Fiat se tornar dona da marca, ainda pertencente ao governo italiano, a empresa se tornou parceira de uma estatal brasileira, a Fábrica Nacional de Motores (FNM). Isso aconteceu em meados dos anos 1950.

O caminhão D-9.500, carinhosamente chamado de “cara chata”, foi responsável por reativar a fábrica em Xérem, no Rio de Janeiro. A montadora nacional se baseava em caminhões da Alfa na Itália. O mais lendário desses modelos foi o D-11.000.

Só em 1960 a FNM lançaria um sedã, o JK, que depois passaria se chamar 2000. Em 1968, já no auge da ditadura militar, a FNM foi privatizada, passada justamente à Alfa Romeo. Essa operação foi cercada de sigilo - inclusive, foi dispensada a concorrência pública. Além disso, a Alfa já não fazia caminhões há quatro anos na Itália.

 Alfa Romeo 2300 marcou a história da empresa no Brasil
Legenda: Alfa Romeo 2300 marcou a história da empresa no Brasil
Crédito: Reprodução

Nacionalização e Fiat

A empresa até tentou investir em caminhões e chassis de ônibus, mas o grande salto veio em 1974, quando o primeiro legitimamente Alfa Romeo foi feito fora da Itália. Nascia o 2300, “um importado fabricado no Brasil”, dizia a campanha.

O sedã representava um salto de qualidade inegável. Havia câmbio de cinco marchas, duplo comando de válvulas no cabeçote, freio a disco nas quatro rodas e até comando de embreagem hidráulico.

Ao longo dos anos, até 1986, quando deixou de ser fabricado no Brasil, o modelo ofereceu versões com 149 cv e velocidade máxima equiparada aos motores V8 americanos.

Além de itens como cintos de segurança de três pontos para motoristas e passageiros, painel completo (conta-giros, voltímetro, barômetro, sensor de desgaste das pastilhas de freio), banco traseiro bi-partido, encostos de cabeça para motorista e passageiros, ar-condicionado, direção hidráulica progressiva e comandos elétricos das travas, vidros, retrovisores e porta-malas (a partir de 1983).

Também oferecia abertura elétrica do tanque de combustível, que comportava 100 litros. O que garantia boa autonomia em uma época na qual os postos fechavam em feriados e finais de semana.

Em 1987, após outra crise econômica na Itália, a Fiat passou a controlar a Alfa Romeo. De imediato, a empresa passou a produção para Betim (MG), mas logo em seguida deixou a operação no Brasil.

Voltou em 1991 na abertura das importações de veículos, com modelos como 156, 164 e Spider, mas não obteve os mesmos resultados e foi descontinuada por aqui em 2006.

Histórico campeão

 Fangio foi um dos pilotos vencedores com a Alfa Romeo
Legenda: Fangio foi um dos pilotos vencedores com a Alfa Romeo
Crédito: Reprodução

Quem chegou até essa parte do texto viu lá no início se falar de Enzo Ferrari e competições. A Alfa teve sucesso em diversos tipos de provas, desde Fórmula 1 a Super Turismo e rali. As vitórias mais marcantes aconteceram com o 8C 2300 nas 24 horas de Le Mans, entre 1931 e 1934.

Em 1950, a empresa venceu seu primeiro campeonato de Fórmula 1 com Nuno Farina no Alfa Romeo 158. No ano seguinte, com Juan Manuel Fangio, um dos maiores nomes do esporte, a empresa venceu novamente, desta vez com o Alfetta 159. Portanto, nos dois primeiros campeonatos, dois títulos.

Dá para comprar no Brasil?

A Fiat vive na promessa de voltar com a Alfa Romeo oficialmente para o país, no entanto, isso parece cada vez mais distante de acontecer. Caso você seja um apaixonado pela empresa, pode desfrutar de uma grande quantidade de veículos anunciados, inclusive em nosso estoque com ofertas especiais durante o Mega Feirão Webmotors.

Agora, caso você deseje um 0 km, a importadora Direct Imports oferece dois modelos. O primeiro deles é o novo SUV Stelvio com motor 2.0 turbo de 280 cv e cerca de 40 kgf.m de torque. O preço para importação, uma vez que não há unidades em estoque, é de R$ 399.990.

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Legenda: Quadrifoglio é a versão mais nervosa do Alfa Romeo Giulia

A segunda opção é o nervoso sedã Giulia Quadrifoglio com motor 2.9 litros V6 biturbo, desenvolvido em parceria com a Ferrari. O propulsor gera nada menos que 512 cv de potência e 61,2 kgf.m de torque. Detalhe: o carro é vendido aqui do lado, na Argentina, terra de Messi...

Para agradar ainda mais os puristas, a tração é traseira, mas o câmbio é automático de oito marchas. Segundo a Alfa Romeo, os 100 km/h são atingidos em 3,9 segundos e a velocidade máxima é de 307 km/h. O preço para acelerar o “cuore sportivo” é de R$ 649.990. Haja coração!

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