Itens que valorizam ou desvalorizam o carro

Veja os equipamentos que fazem falta não só para o conforto e segurança, mas também melhoram a revenda do seu automóvel

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Fernando Miragaya
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Automóvel no Brasil não é só objeto de desejo e meio de transporte. É um bem de alto valor e a segunda compra mais importante na vida de uma pessoa. Por esta razão, é preciso pesar não só as características do carro e as condições do veículo (quando seminovo), mas também os equipamentos que ele traz e que podem fazer a diferença na hora de revendê-lo.

Alguns itens de série praticamente se tornaram mandatórios no mercado de seminovos, como ar-condicionado e direção assistida. São componentes que podem representar diferença no preço de até 20% e interferir na liquidez do carro. A ausência de outros equipamentos, porém, pode comprometer a facilidade para repassar o usado.

Centrais multimídias têm se tornado pré-requisitos, principalmente a partir do segmento de compactos premium. Já no de médios, vender um modelo sem câmbio automático tornou-se tarefa das mais difíceis. WM1 selecionou os itens que mais impactam a desvalorização e liquidez de um carro.

Ar-condicionado

Sem essa de que “no Sul o equipamento não é tão demandado”. Carro sem ar-condicionado, aos poucos, se torna um sapato - tanto que há pouquíssimas versões de modelos que ainda saem de fábrica sem o dispositivo. Conforme o ano/modelo e segmento, vale, em média, de 20% a 30% menos do que um similar com o item.

Ar-condicionado Fiat Argo
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Legenda: Ar-condicionado já é mandatório entre os itens que valorizam ou desvalorizam o carro
Crédito: Divulgação

Em cidades mais quentes, como Rio, Cuiabá, Manaus, ainda há a dificuldade em repassar o veículo. Tem loja na capital fluminense que nem aceita mais carro sem ar. “Já fiquei oito meses para vender um hatch sem ar. Prefiro não pegar mais modelo assim do que depreciar demais o veículo ofertado na troca e perder o cliente para sempre”, conta o dono de uma agência da zona norte carioca, que pediu anonimato.

Direção assistida

Outro item que se popularizou e quem teve carro com direção hidráulica, elétrica ou eletro-hidráulica dificilmente vai querer outra vida - principalmente na hora de manobrar. Tanto que, assim como o ar, é oferecido de série em 95% dos modelos à venda no país. Sua ausência significa depreciação entre 8% e 10%.

Central multimídia

Em tempos de conectividade, kit multimídia virou mandatório. É fator de compra nos segmentos de médios e SUVs seminovos - principalmente nos utilitários esportivos mais caros e com pouco tempo de uso.

Entre os sedãs, representa valorização de até 15% na comparação com um concorrente sem a central. Mesmo entre os compactos, essa diferença já ultrapassa os 10%, além do equipamento ser um argumento de venda.

Trio elétrico

Vidros dianteiros e travas elétricos são valorizados até nos hatches de entrada e podem representar uns 5% a mais na comparação com um rival sem os componentes. Já o retrovisor elétrico pode ser a diferença para vender o veículo mais rápido. No caso de sedãs médios, compactos premium e utilitários esportivos, o trio é imprescindível para uma negociação feliz.

Cores

A gente se amarra em cores que fujam da ditadura monocromática nas ruas, mas é fato que, no Brasil, carros em tons de preto, prata e cinza, além de branco, são os mais fáceis de vender e que menos têm perdas. Pinturas metálicas e perolizadas também são desejadas.

Os tons azuis mais sóbrios são bem aceitos. Mas cores berrantes, como verde, amarelo, laranja, podem desvalorizar o carro em até 5% - além da demora em serem repassados.

Sensores de estacionamento

Outro item que ganha importância na revenda de seminovos, especialmente em sedãs e SUVs devido ao porte destes tipos de modelos. Compactos com kit de opcionais que inclui o sensor de ré podem ter valorização de 10% a 15%, conforme a faixa de preço.

Câmbio automático

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Legenda: Indispensável entre sedãs médios, câmbio automático já se populariza no segmento de compactos
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

No mercado de sedãs médios, comercializar um exemplar sem a caixa automática é uma dura missão. E o carro perde na comparação. Um Chevrolet Cruze LT 2014 manual, por exemplo, custa 5% a menos que a mesma versão e ano/modelo com transmissão automática. Já o Corolla GLi 1.8 automático 15/16 pode valer 12% a mais que a configuração manual.

E atenção porque esse item pode valorizar também os hatches e sedãs compactos. Mesmo modelos de entrada já têm versões ou opções de transmissões automáticas.

Já o automatizado...

O mesmo não pode-se dizer das transmissões automatizadas de embreagem simples. Os compactos equipados com a caixa que dispensa o pedal esquerdo (mas ainda têm embreagem) podem custar exatamente o mesmo que a versão manual, conforme a marca e modelo.

Em alguns casos, porém, há depreciação média de 15% a 20% na comparação, como alguns Easytronic, da GM, e mesmo os com câmbio de dupla embreagem da Ford, o Power Shift. Não é raro ver versões automatizadas deste modelo valerem menos ou a mesma coisa que seus pares com câmbio manual.

Itens de segurança

Fazem diferença no segmento de sedãs médios para cima. Controles de estabilidade, assistente à subida em rampas e airbags laterais e do tipo cortina são requisitos de valorização de seminovos acima dos R$ 60 mil. Mas, a médio prazo, farão a diferença entre os compactos de entrada - lembre-se que o item já é obrigatório no país para projetos novos.

Blindagem

Carros blindados tendem a desvalorizar mais com o tempo. Uma das razões é a “deterioração” de partes da blindagem, como, por exemplo, as janelas, que tendem a formar bolhas devido à separação das camadas de proteção dos vidros.

Outro fator é que o peso maior da blindagem afeta o desempenho e o consumo do carro. Tem SUV médio blindado à venda com mais de 20% de perda. E retirar a blindagem do seu carro não é algo simples.

Itens instalados

Ar, comandos elétricos e teto-solar que não são originais de fábrica, nem foram instalados como acessórios de concessionária, não valorizam o carro. Pior, tendem a depreciar o veículo, pois não se sabe a procedência e qualidade do equipamento, que ainda pode ter comprometido a garantia do automóvel.

Acessórios externos

Spoiler, saias, aerofólios, rodas com aros maiores, adesivos… Tenha em mente que nem todo mundo curte tais acessórios e carros muito emperequetados podem demorar a serem vendidos. Fora o fato do valor subjetivo para tais componentes, ou seja: o comprador pode não considerar o preço correto dos acessórios na hora de avaliar o veículo.

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