Quais as principais dúvidas dos motociclistas sobre os óleos que devem ser usados nos motores de suas motos? Fizemos uma ampla pesquisa e reunimos aqui as respostas para a maioria - senão todas - elas.
Identificamos que as principais dúvidas giram em torno de intervalos de trocas , bases do produto - mineral, semissintética ou sintética -, viscosidade e eventuais substituições, inclusive desafiando hábitos antigos.
A dúvida mais comum é se a troca deve ocorrer a cada 1.000 quilômetros ou se o motociclista deve seguir o manual.
Especialistas indicam que trocar a cada 1.000 quilômetros em motos modernas é desperdício, mas recomendam reduzir o intervalo indicado no manual pela metade se o uso for severo - ou seja, uso no trânsito urbano intenso, como no caso de entregadores ou para quem faz percursos curtos onde o motor não atinge a temperatura ideal.
Se você não roda tanto assim, siga o manual.
Não.
Essa é uma dúvida crítica, pois óleos de carro têm modificadores de atrito que podem causar o deslizamento da embreagem em motocicletas - a famosa "patinada", além de danos ao câmbio. Vale lembrar que, na maioria das motos, o mesmo óleo lubrifica motor, embreagem e transmissão.
Muitos motociclistas negligenciam a verificação diária ou semanal do nível. Manter o nível correto é tão vital para a vida útil do motor quanto a marca do óleo escolhida e a troca nos intervalos indicados, pois o lubrificante também evapora e é consumido naturalmente pelo motor.
Uma dúvida frequente é se deve-se trocar o óleo mesmo sem rodar a quilometragem indicada para isso. A recomendação padrão é trocar a cada seis meses ou um ano, dependendo do fabricante, pois o lubrificante oxida e perde propriedades mesmo com a moto parada.
Afinal, rodar muito pouco também é um tipo de uso severo.
A diferença nos níveis de viscosidade dos óleos para motocicletas, regidos principalmente pela classificação da Society of Automotive Engineers (SAE), reside em como o óleo flui em diferentes temperaturas de operação do motor.
A escolha correta, especificada no manual do proprietário da moto e regulamentada pela ANP no Brasil, é crucial para a lubrificação e proteção do motor.
Quase todos os óleos para motocicletas vendidos no mercado brasileiro são multiviscosos, o que significa que eles se comportam de maneira diferente em baixas e altas temperaturas. A sigla, como 10W40 ou 20W50, indica dois aspectos da viscosidade:
Os óleos mais encontrados no mercado brasileiro variam para atender a diferentes tipos de motores, condições climáticas e recomendações dos fabricantes. Os mais comuns são os seguintes:
Fabricantes de motocicletas e especialistas no Brasil geralmente não recomendam o uso de aditivos de óleo suplementares, pois os óleos modernos já contêm a formulação de aditivos necessária. O uso de produtos não aprovados ou em excesso pode, inclusive, ser prejudicial ao motor e à embreagem da motocicleta.
Adicionar aditivos extras por conta própria pode desequilibrar a composição química original do óleo, resultando nas seguintes consequências:
Mas existem alternativas recomendadas. Em vez de buscar aditivos suplementares, as seguintes práticas são mais benéficas para a saúde do motor da sua moto:
A principal é seguir rigorosamente as especificações e os intervalos de troca de óleo indicados no manual do proprietário da sua motocicleta.
Além disso, vale destacar que você deve usar lubrificantes de qualidade - opte por produtos de alta qualidade comprovada e de marcas reconhecidas, formulados especificamente para motocicletas (que geralmente usam o mesmo óleo para motor, embreagem e câmbio).
Esses óleos têm pacote complexo e balanceado de aditivos (como antiespumantes, antidesgastante e modificadores de fricção) para garantir o desempenho e a proteção adequados a esses sistemas integrados.
Uma dúvida frequente é justamente essa: a substituição do óleo original do motor da moto por um superior. Ou seja, substituir o mineral por um semissintético, mineral por sintético ou semissintético por sintético.
Sim, você pode substituir o óleo do motor da sua moto por um superior (mineral por semissintético ou sintético, e semissintético por sintético), desde que siga as especificações de viscosidade e qualidade (classificação API e JASO) recomendadas no manual do proprietário.
Aliás, óleos sintéticos e semissintéticos são geralmente considerados melhores do que os minerais, oferecendo maior proteção contra desgaste e depósitos, e melhor desempenho em temperaturas extremas. O que você não pode fazer é substituir por um de base inferior (sintético por semissintético ou mineral, e semissintético por mineral).
Apesar de poder substituir o óleo por um de base superior, isso não é necessário. Siga o manual do proprietário: a regra de ouro é sempre usar as especificações (viscosidade, classificação) indicadas pelo fabricante. O motor foi projetado para funcionar com um tipo específico de lubrificante.
Jamais.
A transição entre bases diferentes é possível, mas misturar bases diferentes (por exemplo, completar o nível de óleo sintético com mineral) não é recomendado, pois os aditivos podem reagir entre si e até perder a eficácia, podendo formar borra.
Eis o procedimento de troca: ao mudar o tipo de óleo, é fundamental esvaziar completamente o cárter do óleo anterior e, se possível, trocar o filtro de óleo para garantir que não haja contaminação significativa do óleo novo com resíduos do antigo. Alguns especialistas sugerem trocas de óleo mais frequentes no início, até o óleo mineral sair por completo do motor.
Fique atento a vazamentos: em motores muito antigos que sempre usaram óleo mineral (mais viscoso), a mudança para um óleo sintético muito fluido pode, eventualmente, evidenciar pequenos vazamentos em retentores e juntas que já estavam ressecados.
Além disso, certifique-se que o novo óleo é específico para motos: deve-se sempre usar óleos desenvolvidos especificamente para motos, que pois têm aditivos apropriados para sistemas de transmissão e embreagem (especificação JASO MA ou MA2), diferentemente dos óleos destinados ao uso em automóveis.
Eis aqui outra dúvida relativamente frequente e que merece uma resposta detalhada: posso substituir o óleo original do motor da moto por um de mesma base - seja mineral, semissintética ou sintética -, porém de viscosidade diferente?
Não, você não deve substituir o óleo do motor por um de viscosidade diferente da especificada pelo fabricante no manual do proprietário. A viscosidade correta é crucial para a lubrificação e proteção adequadas do motor.
A viscosidade é importante porque é um fator crítico que afeta diretamente o desempenho, a durabilidade e o funcionamento do motor. Confira abaixo alguns aspectos sobre isso:
O uso de óleo com a viscosidade incorreta pode acarretar diversos problemas, mesmo que a base (mineral, semissintética ou sintética) seja a mesma. Listamos algumas abaixo:
Siga sempre as diretrizes do fabricante da moto impressas no manual. As especificações ali contidas, incluindo a viscosidade (ex: 10W30, 20W50), são o resultado de engenharia e testes rigorosos para garantir a longevidade e o bom funcionamento do motor.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) exige que os lubrificantes de motocicleta vendidos no país atendam a padrões mínimos de desempenho, incluindo classificações da API (American Petroleum Institute) e JASO (Japanese Automotive Standards Organization), que é específica para motos e garante a compatibilidade com a embreagem úmida (se aplicável).
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