Honda CB 750 Hornet: dois cilindros resolvem tudo

Modelo exibe desempenho divertido, seguro e equilibrado em toda as condições de rodagem. Preço não é baixo, mas compensa

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Roberto Dutra
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Se o caro leitor que curte - e pilota - motos acha que os motores com quatro cilindros em linha são tudo de bom, saiba de uma coisa: eu concordo com você. Quatro cilindros em linha costumam ter respostas ótimas em todas as faixas de giros, potência alta e torque de sobra. E, ainda por cima, exibem baixo nível de vibração e são capazes de produzir roncos sedutores.

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    Pois é, mas motos com motores de quatro cilindros em linha costumam ser caras. Isso porque produzir motores "quatro-em-linha" tem custo elevado: são motores grandes, largos, com muitas peças móveis e que exigem sintonia fina na calibração para proporcionar as respostas que seus usuários exigem.

    Honda Cb 750 Hornet 2026 Galeria Caio Mattos (75)
    A Honda CB 750 Hornet é vendida nas cores branca perolizada com quadro vermelho e toda preta fosca
    Crédito: Divulgação
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    Na outra ponta da corda, estão os motores com apenas um cilindro. Aí não há milagre. Podem ser injetados, ter refrigeração líquida e ótima calibração, mas dificilmente vão passar muito ali dos 40 cv de potência e/ou dos 4,5 kgfm de torque.

    A solução está no meio do caminho: os motores com dois cilindros em linha. Nem tanto lá, nem tanto cá, entregam potência e torque em boas medidas, sem serem histéricos ou indomáveis. E, ao mesmo tempo, também não são mancos.

    Pelo contrário: as motos bicilíndricas costumam ser bastante domáveis, mas ainda assim capazes de entregar diversão e agilidade - e isso com a vantagem de terem manutenção mais simples e barata que as equipadas com um "quatro-em-linha". E, para completar, aqui vai mais um argumento importante: ainda por cima são inquestionavelmente mais acessíveis na hora da compra, zero-quilômetro.

    A Honda CB 750 Hornet tem motor e 755 cm³, que rende 69,3 cv de potência e 7 kgfm de torque
    Crédito: Divulgação
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    Honda CB 750 Hornet: dois cilindros que resolvem tudo

    Expliquei isso tudo porque quando a Honda lançou a nova CB 750 Hornet - ou apenas Hornet 750 - no ano passado, muita gente torceu o nariz. Inclusive pelo fato da potência ser razoavelmente menor que a da moto vendida na Europa. Mas isso, caro leitor, é "culpa" exclusiva dos ajustes necessários para homologar motos no Brasil, tanto em emissões de poluentes quanto - principalmente - em ruídos, cuja aferição brasileira é diferente da usada em praticamente todo o resto do mundo. Claro, né: o Brasil sempre na "vanguarda"...

    Pois saiba que, mesmo com potência inferior à da similar europeia, a Hornet 750 vendida no mercado brasileiro é extremamente satisfatória. Tive a oportunidade de fazer uma viagem de 220 quilômetros com o modelo lá nas serras de Santa Catarina, rodando de Bom Jardim da Serra, ali no topo da Serra do Rio do Rastro, até Santo Amaro da Imperatriz, já perto de Florianópolis, e a experiência foi bem legal.

    Tanto nos trechos urbanos quanto na estrada a moto jamais deixou a desejar. E entregou um desempenho que uniu diversão, agilidade, alguma dose de adrenalina e, sobretudo, segurança. Teve aspecto negativo? Teve. O resultado geral? Confira abaixo essa experiência.

    O motor com dois cilindros resolve bem na cidade e na estrada, e exibe baixo consumo de combustível
    Crédito: Divulgação
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    Os prós e os contras da Honda CB 750 Hornet

    Vamos começar falando rapidamente sobre design. De uns bons anos para cá, qual foi a última moto da Honda que te impressionou? Difícil, né? Pois é, a Honda raramente faz motos que surpreendem nesse aspecto. Lembro da revolucionária CBR 1.100 XX Super Blackbird, da elegante VFR 1200F e até mesmo da imponente big trail CRF 1100L Africa Twin. Mas, de maneira geral, os modelos da marca são discretos e comportados.

    Mas é uma característica da marca. O negócio da Honda é seduzir por outros aspectos - como eficiência, equilíbrio e segurança. E quase sempre consegue. A Hornet 750 é isso aí. Não impressiona pelo design, que até lembra o de alguns modelos de uma rival japonesa que gosta da cor verde. Mas dá aula em ciclística, agilidade, domínio e segurança.

    O conjunto é harmonioso e até tem detalhes legais, como o quadro pintado de vermelho na versão com carenagens brancas ou o conjunto sinistro e malvadão da versão toda pintada na cor preta fosca. No geral, parece uma flecha apontada para a frente - e, segundo a Honda, o design foi inspirado mesmo na aerodinâmica de uma vespa (que, em inglês, não por coincidência, é "hornet").

    O banco é um ponto negativo da Hornet 750: deveria ser mais macio, pois cansa depois de algum tempo
    Crédito: Divulgação
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    E basta subir na moto e começar a rodar para esquecer o visual discreto. O encaixe do piloto na Hornet 750 é extremamente correto, com guidão, banco e pedaleiras "conversando" na medida certa e proporcionando uma posição de condução quase esportiva, mas sem ser demasiadamente inclinada à frente.

    E como em toda Honda tudo está no lugar certo. Os punhos têm boa pegada, os comandos estão à mão e são fáceis de operar e o painel de instrumentos com tela de TFT de cinco polegadas exibe as informações necessárias e mais algumas, como consumos instantâneo e médio. Também é através dele, e do "joystick" no punho esquerdo, que o piloto visualiza e seleciona os quatro modos de condução.

    O painel com tela de TFT de cinco polegadas exibe as informações necessárias e mais algumas, que são realmente importantes
    Crédito: Divulgação
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    Desempenho é extremamente satisfatório

    O desempenho proporcionado pelo motor bicilíndrico de 755 cm³, 69,3 cv de potência a 7.000 rpm e 7 kgfm de torque nas mesmas 7.000 rpm dá plena conta do recado. Exibe respostas imediatas ao acelerador, com especial entusiasmo ali na faixa das 4.000 rpm e um segundo impulso instigante mais acima, nas 6.000 rpm.

    O câmbio de seis marchas é justinho e a embreagem assistida e deslizante não cansa a mão do piloto. A pilotagem dessa moto, aliás, só não é 100% "descansada" por um senão: o banco, que poderia ser mais macio e sacrifica os quadris depois de uma certa quilometragem.

    Fora isso, pernas e tronco não sentem o passar do tempo ou os quilômetros rodados. Mas, sejamos justos: a Hornet não é moto para viagens longas. Aqui, a indicação de uso são rolés urbanos e tiros curtos, tipo almoço bate-e-volta na cidade vizinha. Mais que isso vai cansar.

    A Hornet 750 exibe comportamento ágil, divertido e seguro
    Crédito: Caio Mattos/Honda
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    As curvas e as frenagens são feitas de forma extremamente segura, e a Hornet 750 jamais dá sustos. E isso é uma vantagem em relação aos modelos com motores "quatro-em-linha", que dependendo da calibração, da potência e do torque podem surpreender negativamente os menos habituados a modelos mais nervosos. Aqui, a chance de perder o controle é muito pequena.

    Outra boa surpresa nessa Hornet 750 são as suspensões, que têm tubos invertidos na frente e monochoque traseiro, ambos com 13 cm de curso. As calibragens de fábrica são bem acertadas e proporcionam enorme estabilidade tanto nas retas quanto nas curvas, sem sustos ou reboladas.

    Nos trechos urbanos, a moto roda tranquila em segunda ou terceira marcha, sem solavancos pedindo reduções e sem gritaria pedindo subida de marcha. Na estrada, ali pelos 100 km/h ou acima, você vai trabalhar em quinta ou sexta marcha quase sempre, ouvindo um ronco suave - que, se não se compara aos produzidos pelos "quatro-em-linha", também não decepciona.

    Rodar com a Hornet 750 na estrada é muito agradável, mas a moto é mais adequada a tiros curtos - ou rolés urbanos
    Crédito: Caio Matos/Honda
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    Além disso, ainda conseguirá ótimas médias de consumo. Eu anotei 24,7 km/l na "minha" Hornet depois de 228 quilômetros rodados. Na Transalp 750, que usa o mesmo motor, consegui menos: 20,5 km/l. Mas o trajeto do test-ride foi mais travado, sinuoso e teve a subida da Serra do Rio do Rastro. Pois é, a Hornet 750 fez comigo quase 25 km/l, que é um consumo excelente! Tente fazer em uma moto com motor de quatro cilindros em linha...

    Aliás, falando na Transalp 750, confira aqui neste link como foi a experiência de pilotagem na big trail:

      E mais:

        Especificações técnicas de alto nível

        Agora vamos deixar o comportamento dinâmico de lado e conferir as principais características e especificações técnicas da Honda CB 7590 Hornet. Confira abaixo:

        • Motor bicilíndrico em linha de 755 cm³ refrigerado a água com comando simples
        • Potência de 69,3 cv a 7.000 rpm e torque de 7 kgfm a 7.000 rpm
        • Picos de desempenho nas 4.000 rpm e nas 6.000 rpm
        • Câmbio convencional de seis marchas com secundária por corrente
        • Embreagem assistida e deslizante
        • Freios com ABS
        • Cinco modos de condução, sendo três fixos e dois personalizáveis: Sport, Standard, Rain, User 1 e User 2
        • Modos de condução interferem na entrega da potência, no freio-motor e no controle de tração
        • Iluminação full-LED
        • Painel de TFT de cinco polegadas com setups via "joystick" no punho esquerdo
        • Alerta de frenagem de emergência (ESS) a partir de 56 km/h
        • Piscas com desligamento automático
        • Chassi com apenas 16,6 quilos - 2 quilos a menos que o da CB 650R
        • 180 quilos a seco
        • Freios com disco duplo com pinças radiais Nissin de quatro pistões na frente e disco simples atrás
        • Suspensão dianteira invertida invertida Showa SFF-CA de 41 mm e 13 cm de curso
        • Suspensão traseira monochoque Showa Pro-link com sete ajustes na pré-carga da mola e 13 cm de curso
        • Mesas superior e inferior de alumínio
        • Rodas de liga leve pintadas na cor preta com pneus nas medidas 120/70 R17 na frente e 160/60 R17 atrás
        • A Hornet 750 custa R$ 10 mil a mais que a Hornet 500. E vale a diferença!
          Crédito: Caio Mattos/Honda
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          E o preço, vale a pena?

          Como quase todas as motos vendidas no Brasil - inclusive da Honda -, a Hornet não é barata. O preço público sugerido (PPS), sem frete, seguro ou ágio, é R$ 53.694. Exatamente R$ 10.654 a mais que o pedido pela irmã menor CB 500 Hornet, também bicilíndrica. Por outro lado, é R$ 25.176 mais barata que a irmã maior CB 1000R - que tem motor de quatro cilindros - viram a diferença?

          Na sua garagem, com os "custos extras" mencionados acima, a Hornet 750 deve chegar ali nos R$ 58 mil. Mas, ainda assim, é o modelo com melhor custo/benefício das três.

          Entrega o que se espera, é bem completinha e muito segura. E junto com esse valor vêm a garantia de três anos e o serviço Honda Assistance pelo mesmo período - com abrangência no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. As cores disponíveis são a branca perolizada com chassi vermelho e a toda preta fosca - que é bem interessante.

          Confira a galeria de imagens da Honda CB 750 Hornet:

          Vídeo: lançamento da Honda CB 750 Hornet:

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