Muitas vezes já me perguntei porque a turma que trabalha para aplicativos de entrega prefere comprar modelos city/street em vez de modelos trail urbanos. Afinal de contas, as trail urbanas ficam praticamente na mesma faixa de preço - eventualmente meio degrau acima - e entregam desempenho similar, já que na maioria das vezes compartilham chassi e motor com alguma city/street.
Peguemos, por exemplo, a bem-sucedida Honda NXR 160 Bros. É nada mais que uma CG 160 com "roupa trail" - tem a mesma base, porém com suspensões de curso mais longo, vão livre superior e roda dianteira maior, com aro de 19 polegadas, enquanto que na CG são 17 polegadas.
Desta forma, uma trail urbana acaba entregando performance semelhante à de uma city/street, mas com algumas vantagens a mais - principalmente a melhor capacidade de superar buracos, valetas e quebra-molas, e por tabela proporcionar mais conforto ao piloto.

É exatamente isso. Muitas vezes eu me perguntei porque as coisas são assim, mas sempre "me respondi" que são os custos pós-aquisição. É que, frequentemente, os pneus de uso misto destes modelos trail urbanos são mais caros que os das city/street. E se hoje em dia nenhum pneu decente de moto é barato, imagine pneus que são ainda menos baratos. Para completar, algumas pastilhas de freio são diferentes, e também mais caras.
Ok, está explicado. Para essa turma, que muito compreensivelmente tem fazer contas na compra e no pós-venda, é importante economizar tudo o que for possível. E olha que eles gastam muito pneu, pastilha de freio, óleo e filtro de óleo.
Mas eu volto a insistir que a troca vale a pena. Como nossas ruas não são exatamente europeias, as trail urbanas são uma compra racionalmente mais interessante que as city/street. Tudo o que se sofre em cima de uma Honda CG 160 ou Yamaha Factor 150 fica mais suportável em cima de uma NXR 160 Bros ou Crosser 150.
Para o caro leitor que entrou na minha onda e começou a refletir sobre o assunto, montei abaixo uma lista com as principais opções de trail urbanas que podem servir muito bem à turma do delivery. E, mais ainda, para quem busca apenas mobilidade urbana - e talvez possa se dar ao luxo de investir um tantinho a mais, em relação ao que pagaria em uma city/street.
Aproveitei, também, para fazer uma breve análise - comparativa, inclusive - de cada modelo. E olha que o resultado dos modelos com melhor custo/benefício surpreendeu. Vale lembrar que os preços não incluem frete e seguro, com exceção da última da lista. Confira abaixo e comente o que achou das nossas observações.
A NXR 160 Bros é a best-seller da lista. Uma das motos mais vendidas do país, tem eficiência e robustez comprovadas. Compartilha sua base com a CG 160, mas exibe desempenho um pouco mais comportado. No entanto, passa por quase todos os obstáculos como se estivesse dando uma voltinha no parque.
Tem especificações inferiores às de algumas concorrentes, mas é a opção para quem quer confiabilidade. O freio dianteiro com ABS, vale observar, só está presente em uma das versões - a mais cara, naturalmente.
Muita gente acha que a XRE 190 é apenas uma NXR 160 Bros "crescidinha". Bem, é isso mesmo: o motor é o mesmo da Bros, mas com capacidade cúbica levemente aumentada. Por conta disso, entrega um desempenho superior e mais convincente. Mas exibe design mais bonito e moderno, e painel mais completo.
Como os preços aqui são apenas pouca coisa acima dos cobrados pela Bros, considero que a XRE é uma opção melhor para que busca uma moto para a mobilidade urbana - para delivery, a Bros é uma escolha mais racional.
A Crosser também é vendida em duas versões, cuja diferença básica está no para-lama dianteio tradicional, rente ao pneu, ou duplo, com um curtinho rente ao pneu e outro mais alto. Tem farol com projetor de LED que, se não é exatamente bonito, é muito eficiente.
A trail urbana da Yamaha exibe grande versatilidade, e se sai bem também em ambientes fora-de-estrada. O ABS na roda dianteira é de série nas duas versões. O pecado da Crosser, no fim das contas, é a potência modesta demais.
A NK 150 foi lançada nbo Brasil em 2022 e jamais sobressaiu. Nem a Haojue se esforçou para torná-la conhecida e vender mais. Tudo isso é uma grande injustiça: embora suas especificações não sejam superiores às das concorrentes, ficam na média. E como tem preço mais acessível, acaba exibindo uma relação custo/benefício bem interessante - inclusive para turma do delivery.
Confira aqui: é até mais potente que a Crosser, tem iluminação convencional (fácil reposição), tanque na média, bons números de vão livre e cursos de suspensões, ABS na roda dianteria de série e tomadinha USB-C. Tudo isso por menos de R$ 20 mil.
A outra Haojue nesse segmento é a DL 160. E aí preciso destacar uma coisa: que experimenta essa moto fica com uma impressão muito positiva. Isso porque, apesar de não ser especialmente potente nem torcuda, entrega essas forças com ótima progressão e te dá a sensação de ser mais forte.
Além do desempenho empolgante, a DL 160 tem visual bacana. As especificações "off-road" são inferiores às das concorrentes, mas isso não faz a menor diferença se você não for fazer trilha: vão livre e suspensões dão plena conta do recado em ambiente urbano, mesmo que cheio de buracos, valetas e quebra-molas. Ótima opção pelo custo/benefício.
A moto menos popular da lista é, surpreendentemente, a que exibe as melhores especificações e uma relação custo/benefício excelente. A Dafra NH 190, que na prática é uma moto produzida pela confiável Sym Sanyang, de Taiwan, tem design maneiro e características muito convincentes.
O motor tem refrigeração líquida, a potência chega a 18 cv, o câmbio tem seis marchas, a iluminação é full-LED, o vão livre e os cursos das suspensões são bons, tem ABS nas duas rodas e os pneus são mais largos que os das concortentes. Tudo isso por R$ 21 mil, já com frete. Falta o que? Falta a Dafra investir para mostrar que é um produto confiável e que o comprador não ficará na mão no pós-venda.
Aproveite também: