País deve produzir 2,07 milhões de motos em 2026

Este ano o setor já conseguiu produzir 1,98 milhão de unidades e as vendas passaram de 2 milhões - um recorde histórico

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Roberto Dutra
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A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Motociclos e Bicicletas (Abraciclo) completará 50 anos em 2026. E espera que este seja o melhor ano da história para o setor. O otimismo é motivado pelos excelentes resultados obtidos em 2025. A produção de motos de janeiro a dezembro chegou a 1.980.538 unidades. Esse volume representou 13,3% de crescimento em relação às 1.748.317 unidades produzidas no mesmo período de 2024 - foram 232.221 unidades a mais.

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    Foi o melhor resultado de produção na história. E o recorde também aconteceu nas vendas no varejo: foram comercializadas 2.197.851 unidades. Um volume que representou o expressivo crescimento de 17,1% em relação às 1.876.427 unidades vendidas em 2024 - foram 321.424 unidades a mais que no ano anterior.

    As projeções para 2026 apontam para uma produção de cerca de 2.070.000 unidades, o que seria um crescimento de 4,5% em relação a 2025. E, pela primeira vez na história, superaria a barreira das 2 milhões de unidades produzidas.

    A produção de motocicletas em novembro deste ano foi a melhor para o mês desde 2011
    A produção de motocicletas atingiu 1,98 milhão de unidades em 2025
    Crédito: Divulgação
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    Além disso, a Abraciclo projeta que as vendas no varejo poderão chegar a aproximadamente 2.300.000 unidades, o que seria um crescimento de 4,6% em relação às 2.197.851 do ano passado - e também um novo recorde. O volume de 2025, por sinal, foi 17,1% maior que as 1.876.427 unidades de 2024 - foram emplacadas 321.424 unidades a mais.

    Por fim, a entidade estima que as exportações, este ano, poderão chegar a 45 mil unidades, o que seria um crescimento de 4,4% em relação às 43.117 de 2025. O volume do ano passado, aliás, representou um crescimento de 39,1% em relação às 30.986 unidades exportadas em 2024 - ou 12.131 unidades a mais.

    As principais categorias exportadas foram trail. cpm 51,6% do volume; off-road, com 45,4%; e scooter, com 2,9%. Os maiores importadores de motocicletas brasileiras em 2025 foram Argentina, Colômbia e Estados Unidos.

    A Abraciclo acredita que, este ano, a produção de motos no Brasil vai superar a barreira das 2 milhões de unidades
    Crédito: Roberto Dutra/WM1
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    Segundo a Abraciclo, o Brasil tem capacidade instalada para produzir mais de 2 milhões de unidades. Mas ressaltou que a meta imediata é, mesmo, chegar a pelo menos é 2.070.000 de unidades.

    O otimismo para este ano é motivado não só pelos bons números de 2025, mas também pelo cenário do mercado. A Abraciclo ressalta que houve demanda consistente em todos os estados, com destaque para as regiões Sul e Nordeste - esta, inclusive, pela primeira vez na história, passou a região Sudeste.

    Também houve estabilidade nos níveis dos rios, que asseguraram a manutenção dos volumes de produção e uma valorização dos atributos da moto - como baixo consumo, facilidade na mobilidade urbana, menor custo de aquisição em relação aos automóveis e aumento no uso profissional.

    Segundo a Abraciclo, o Brasil já tem uma capacidade instalada capaz de produzir mais de 2 milhões de motocicletas
    Crédito: Divulgação
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    Para completar, 2025 também teve o lançamento de novos modelos, oferecendo ao consumidor produtos novos mais modernos, versáteis e tecnológicos. Segundo a Abraciclo, o consórcio continuou sendo uma importante ferramenta de vendas, respondendo por cerca de 30% do volume total.

    A Abraciclo, contudo sabe que não será fácil e existem boas preocupações no caminho. Para começar, a produção deverá ser alta, regular e estável, sem sofrer solavancos.

    "Para chegar em 2 milhões de unidades, é preciso uma média de 170 mil unidades mensais", lembrou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento.

    Preocupações para 2026

    No âmbito internacional, há preocupações com conflitos entre países, que podem gerar impactos na logística mundial. Além disso, podem acontecer a ampliação de políticas protecionistas.

    Já em âmbito nacional, há a expectativa de continuidade de atividade econômica moderada, com manutenção da política monetária restritiva. Mas acredita-se no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

    Além disso, também será necessário manter o monitoramento dos níveis dos rios, para assegurar a manutenção dos volumes de produção, e sempre é bom lembrar que 2026 será um ano com eleições majoritárias, Copa do Mundo e muitos feriados prolongados - eventos que atrapalham os negócios nas concessionárias.

    O crescimento no número de trabalhadores com motos foi um dos fatores que impulsionaram as vendas de motos em 2025
    Crédito: Divulgação
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    Por outro lado, a entidade também espera que ocorra a regulamentação da Reforma Tributária, o que poderá gerar segurança jurídica e assegurar novos investimentos na Zona Franca de Manaus.

    A Abraciclo espera que a demanda continue pelo menos estável em 2026, devido aos atributos das motos mencionados acima, e também devido ao potencial de crescimento dos segmentos de baixa e média cilindradas e à continuidade do fluxo de investimentos para melhorias industriais - com aumento da capacidade produtiva, lançamento de novos modelos e introdução de novas tecnologias.

    Polo Industrial de Manaus (PIM) é o mais verticalizado do mundo

    Mas o que é isso? Entende-se por "verticalizadas" as fábricas nas quais a maioria dos componentes dos produtos finais são fabricada internamente. No caso de algumas plantas em Manaus (AM), isso inclui itens como chassi, rodas, assentos e motores. Ou seja, não ocorre apenas a montagem, mas também a produção interna de componentes-chave.

    O PIM, por outro lado, não é o maior do país em número de empregos. Mas, segundo a Abraciclo, é o maior em massa salarial porque tem muitos funcionários especializados.

    Linha de montagem da fábrica da Honda em Manaus (AM)
    Crédito: Divulgação
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    Confira abaixo alguns dados interessados sobre o PIM e sobre a produção de motos no Brasil:

    Dados do Polo Industrial de Manaus (PIM):

    • 20.600 empregos diretos
    • Faturamento de R$ 41,6 bilhões de janeiro a novembro de 2025 (+23% em elação a 2024)
    • Capacidade produtiva de 2 milhões de motocicletas por ano
    • Mercado de motos em 2025 - participação por cilindrada:

      • Até 160 cm³: 78,2% - crescimento de 13,4% em relação a 2024
      • De 161 cm³ a 449 cm³: 19,1% - crescimento de 15,9% em relação a 2024
      • Acima de 450 cm³: 2,7% - redução de 5,1% em relação a 2024
      • Mercado de motos em 2025 - participação por categorias:

        • Street - 50,8% - crescimento de 17,6% em relação a 2024
        • Trail - 20,9% - crescimento de 19,8% em relação a 2024
        • Motoneta - 13,6% - crescimento de 0,3% em relação a 2024
        • Scooter - 8,5% - crescimento de 7,8% em relação a 2024
        • Naked - 2,6% - crescimento de 18,5% em relação a 2024
        • Off-road - 1,2% - redução de 23,6% em relação a 2024
        • Big trail - 1,3% - redução de 5,7% em relação a 2024
        • Sport - 0,8% - crescimento de 33,6% em relação a 2024
        • Custom - 0,2% - redução de 43,8% em relação a 2024
        • Touring - 0,1% - crescimento de 20% em relação a 2024
        • Saiba mais:

            Produção de motocicletas - histórico

            • 2016 - 887.700 unidades
            • 2017 - 883.000 unidades
            • 2018 - 1.036.800 unidades
            • 2019 - 1.107.800 unidades
            • 2020 - 962.000 unidades
            • 2021 - 1.195.100 unidades
            • 2022 - 1.413.700 unidades
            • 2023 - 1.573.300 unidades
            • 2024 - 1.748.300 unidades
            • 2025 - 1.980.500 unidades
            • O crescimento em 2024 em relação a 2023 foi de 11,1%. Já o crescimento em 2025 diante de 2024 foi de 13,3%.

              Participação nas vendas de varejo por região brasileira:

              • Nordeste - 33,1% - 728.500 unidades
              • Sudeste - 32,7% - 717.800 unidades
              • Norte - 13,1% - 288.300 unidades
              • Sul - 11,9% - 261.500 unidades
              • Centro-Oeste - 9,2% - 201.800 unidades
              • Projeções para 2026

                • Produção - 2.070.00 unidades - crescimento de 4,5%
                • Exportação - 45.000 unidades - crescimento de 4,4%
                • Varejo - 2.300.000 unidades - crescimento de 4,6%
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