O caro leitor já conferiu todos os detalhes visuais e técnicos da nova Royal Enfield Bear 650 - revelamos tudo aqui. É uma moto bonita e charmosa, com visual típico de uma scrambler - tipo de moto que mistura características de naked e trail para proporcionar estilo e versatilidade.
Agora é hora de saber como é o comportamento dinâmico da nova Royal Enfield recém-lançada no mercado brasileiro. Tive a oportunidade de rodar por cerca de 100 quilômetros com novidade, em um test-ride que contemplou áreas urbanas, estrada de asfalto e um trechinho de estrada terra. Então vamos lá, por partes.
Em área urbana, a Bear 650 exibiu um comportamento bastante neutro. Isso quer dizer que não impressionou, mas também não decepcionou. Por suas dimensões e peso - 214 quilos em ordem de marcha -, não é moto para congestionamentos. É relativamente grande e larga, e tem alguma dificuldade nos "corredores".
Por outro lado, em grandes centros urbanos onde há muitas pistas expressas - caso de São Paulo, por exemplo, pode ser uma boa opção, pois seus 47 cv de potência e 5,7 kgfm de torque dão plena conta do recado com sobras, e você nunca terá aquela impressão de estar no limite e que, mesmo assim, algum outro veículo pode passar por cima de você.
As arrancadas e as retomadas são sempre vigorosas e o desempenho, nesse caso, dá plena conta. Também nesse ambiente a posição de pilotagem típica de uma scrambler, com corpo ereto e pedaleiras e guidão em posições totalmente alcançáveis e confortáveis, proporcionam uma condução segura e descansada.
Em resumo: se, no seu trajeto diário, você pega muito trânsito confuso e congestionado, a Bear 650 não é uma boa opção - como qualquer moto média não seria. Prefira algum modelo menor, de baixa cilindrada, mais ágil e leve. Mas se você roda distâncias razoáveis e pega vias expressas, considere seriamente o modelo.
Importante destacar algo que sobressai na Bear 650: aqui, os 214 quilos em ordem de marcha não são tão sentidos pelo piloto, e até parecem menos. Algo completamente diferente do que se sente nos outros modelos da "família" bicilíndrica da Royal Enfield - Interceptor, Continental GT, Super Meteor e Shotgun - , cujos pesos sempre são bem sentidos na condução.
Na Bear 650, o comprimento e o entre-eixos proporcionais resultam nessa sensação, que gera uma condução mais segura e descansada. A Bear 650 é, disparada, a mais ágil e maneável da "família".
Isso é sentido em qualquer situação, a na estrada - asfaltada - não é diferente. E é justamente nesse ambiente onde a Bear 650 se sente mais à vontade. Ali, despeja todo o vigor de forma desinibida e proporciona uma pilotagem absolutamente divertida.
O motor "enche" logo, as marchas são trocadas rapidamente e a nova coroa da relação secundária - com 40 dentes, enquanto nas outras tem 37 dentes - gera uma sensação de ainda mais força. Inclusive você pode achar que está em uma marcha mais alta do que está: em primeira parece estar em segunda, em segunda parece estar em terceira, e daí por diante.
Mas como nada é perfeito, há um aspecto que merece atenção na rodagem em estrada asfaltada: os pneus de uso misto MRF Nylorex escolhidos pela Royal Enfield para o modelo, que não exibem um comportamento tão afinado nesse ambiente. Por seu desenho, com "bolachas" bem altas e sulcos bem profundos - principalmente o traseiro -, não proporcionam um nível de aderência tão alto.
No asfalto seco isso nem é tão sentido, mas no asfalto molhado me transmitiram certa insegurança. E mais: acima dos 120 km/h, em linha reta, a frente da moto "balançou" - aquele tradicional movimento lateral conhecido como "shimmy".
Como as outras especificações da moto (chassi, motor e, principalmente, suspensões dianteiras Showa) são de alto nível, atribuo esse "shimmy" - pelo menos em princípio - ao pneu dianteiro. Eu realmente gostaria de pilotar essa moto com pneus 100% para asfalto para ver o comportamento.
E chegou a hora da terrinha. Bem "inha", mesmo, porque o trecho foi bastante curto - e bem civilizado. Ali desliguei o ABS da roda traseira e rodei sem maiores problemas. Neste caso, os pneus resolveram bem, cavando quando necessário e com boa aderência.
Até experimentei rodar um pouco na tradicional posição "em pé", mas o guidão é um tanto baixo para isso e a posição acaba ficando incômoda rapidamente. Isso mostrou, mais uma vez, que a Bear 650 não é mesmo destinada ao off-road: seu lugar é o asfalto (e, de preferência, com outros pneus).
Mas e o conforto a bordo? Bem, além da posição de pilotagem bem cômoda, que mencionei lá em cima, vale dizer que o banco é mais anatômico do que macio - mas não compromete o conforto. E é bem bonito, principalmente na opção Wild Honey, com pintura nas cores branca, amarela e azul.
E a ergonomia da moto, por sua vez, está bem resolvida: é fácil operar todos os comandos e botões. A embreagem, por sua vez, é assistida e deslizante, e não exige muita força em seu uso. Os pedais de marcha e freio traseiro também estão bem localizados e não exigem qualquer adaptação do piloto em seu uso.
Se você levar em conta apenas o conjunto da moto e os preços públicos sugeridos, já com frete, que vão de R$ 33.990 a R$ 34.990, vale a pena sim. Assim como os outros modelos bicilíndricos médios da Royal Enfield, a Bear 650 também exibe uma boa relação custo/benefício e entrega o que promete.
O senão, aqui, é se a essa moto vai entregar o que você precisa. É um modelo de porte médio, com 214 quilos (embora pareçam um pouco menos), que permite uso diário e passeios curtos, médios e longos com segurança e algum conforto.
Além disso, tem consumo e autonomia coerentes - fiz média de 22,5 km/l, o que, com o tanque de 13,7 litros, permite rodar teóricos 300 quilômetros com um tanque. Então reforço o que eu disse mais acima: se você pega, diariamente, muito trânsito confuso e congestionado, parta para uma moto menor e mais leve. Mas se você roda distâncias razoáveis todos os dias e pega vias expressas, considere seriamente o modelo. Será sua dose diária de prazer e diversão.
Preços: R$ 33.990 (Wild Honey), R$ 34.490 (Golden Shadow) e R$ 34.990 (Two Four Nine)
Motor: dois cilindros em linha, comando simples, injetado, refrigerado a ar, radiador de óleo, 648 cm³, potência de 47,4 cv a 7.150 rpm e torque de 5,7 kgfm a 5.150 rpm
Transmissão: câmbio de seis marchas com secundária por corrente
Suspensões: dianteira com tubos invertidos Showa de 43 mm de diâmetro e curso de 13 cm. Traseira bichoque com 11,5 cm de curso
Freios: a disco nas duas rodas, com ABS (desligável na roda traseira)
Pneus: MRF Nylorex "F" 100/90 R19 na frente e MRF Nylorex "X" 140/80 R17 atrás
Dimensões: 2,21 metros de comprimento, 1,46 metro de entre-eixos, 85,5 cm de largura, 1,16 metro de altura, vão livre de 18,4 cm e banco a 83 cm do solo.
Peso: 214 quilos em ordem de marcha
Tanque: 13,7 litros
Iluminação: full-LED
Painel: tela de TFT redonda com quatro polegadas e navegação Tripper por Buetooth com Google Maps