O caro leitor viu aqui no WM1, alguns dias atrás, que a Royal Enfield Bear 650 estava para ser lançada no mercado brasileiro. Pois a moto foi lançada e tivemos a oportunidade conhecê-la em detalhes e de pilotar a novidade.
Mas, antes de tudo, vale explicar o que é uma scrambler. É um tipo de moto que une características de outros estilos - predominantemente de naked e trail. Esse casamento de jacaré com girafa pode parecer estranho na teoria, mas na prática funciona e quase sempre resulta em motos não só estilosas, mas também relativamente versáteis e com pilotagem muito divertida.

É o caso da Bear 650. O visual ficou muito harmonioso e tem charme. Parece uma naked, mas não é; e parece uma trail, mas não é. Ao mesmo tempo, é as duas coisas: mecânica toda exposta como nas naked, mas com aquela aparência robusta e imponente de uma trail de média cilindrada.
No aspecto visual, o barato da Bear 650 é ser um projeto novo mas com um pezinho no retrô. Além de ter farol redondo, o que sempre deixa a moto "com cara de moto", tem linhas sinuosas e detalhes estéticos charmosos, como o para-lamas dianteiro meio curtinho, o tanque arredondado, as tampas laterais com simulacros de "number plate" ovais, banco retrô quase reto e gomado, para-lama traseiro alto e a lanterninha traseira redonda que já vimos em vários outros modelos da marca.

Os piscas dianteiros e traseiros, porém, são modernosos - pequenos, retangulares e com lentes transparentes. Toda a iluminação é full-LED e o painel de instrumentos é o bonito cluster redondo com tela de TFT de quatro polegadas que estreou na trail Himalayan 450.
Sim, tem a navegação por Bluetooth Tripper. Ali no entorno, os punhos de luz também, são herdados de outros modelos, inclusive com os bonitinhos botões redondos de corta-corrente, no punho direito, e farol/lampejador, no esquerdo, que parecem botões de fogáo antigo. A moto também tem uma tomadinha USB-C 2.0 para carregamento de dispositivos.
A Bear 650 foi apresentada primeiramente no Salão de Milão (EICMA) de 2024, já como modelo 2025. Aqui no Brasil, foi vista pela primeira vez no Festival Interlagos - Motos do ano passado. Segundo a Royal Enfield, é inspirada na moto que venceu a prova Big Bear Run em 1960, com o piloto Eddie Mulder e o número 249 aplicado no number plate.
O conjunto motriz da Bear 650 é bem conhecido. É exatamente o mesmo das outras motos da "família" de bicilíndricas médias da marca - Interceptor, Continental GT, Super Meteor e Shotgun. Sâo dois cilindros em linha com refrigeração a ar, radiador de óleo, injeção eletrônica e bastante peso.
Mas aqui há uma diferença. Nas outras motos da "família", o escape é sempre duplo. Na Bear 750, é do tipo 2x1, com apenas uma única ponteira do lado direito. Essa mudança, por si só, já implica em possíveis alterações no desempenho do motor - inclusive por exigir mudança de posição do catalisador.
O resultado é que, na Bear 650, esse motor rende 47 cv de potência a 7.250 rpm e 5,76 kgfm de torque a 5.150 rpm. Ou seja, manteve a potência vista nos outros modelos, mas o torque subiu ligeiramente. É que, nas outras, são 5,2 kgfm - e chegando mas tarde, nas 5.650 rpm.
Para o piloto, apenas isso não faria muita diferença. Mas como a coroa da relação secundária ganhou três dentes e foi para 40, ficando maior que nas outras bicilíndricas médias da Royal Enfield, a sensação de força torna-se maior.
A Bear 650 tem algumas outras especificações bem interessantes. A suspensão dianteira, por exemplo, tem tubos Showa invertidos de 43 mm de diâmetro com 13 cm de curso. Atrás, vem o conhecido bichoque com 11,5 cm de curso e ajustes na pré-carga. Importante: em apenas uma das três "versões" - que o caro leitor poderá conferir mais abaixo - os tubos são pintados em dourado. Nas outras duas, vem na cor preta.
O câmbio da Bear 650, por sua vez, tem seis marchas, com embreagem assistida e deslizante. Já os freios são a disco nas duas rodas, ambos com ABS - mas é possível desligar o ABS da roda traseira para uma rodagem mais segura e divertida em pisos de terra e afins.
Aliás, para incrementar a versatilidade da Bear 650, a Royal Enfield escolheu aros raiados que usam pneus com câmara e de uso misto, nas medias 100/90 R19 na frente e 140/80 R17 atrás. Ambos modelo Nylorex ("F"na frente e "X" atrás), da marca indiana MRF.
A Roya Enfield diz que a Bear 650 é uma moto "aventureira" e, durante a apresentação, deu uma valorizada na versatilidade do modelo - afirmando ser uma moto com "alguma capacidade off-road", embora obviamente não seja indicada para off pesado ou trilha. Coisa que, aliás, nenhuma scrambler é.
No caso da Bear 650, os números de algumas especificações mostram que é mesmo por aí. A moto tem 2,21 metros de comprimento, 1,46 metro de entre-eixos, 85,5 cm de largura, 1,16 metro de altura, vão livre de 18,4 cm e banco a 83 cm do solo. Além disso, tem tanque para 13,7 litros e pesa 214 quilos em ordem de marcha. O que isso tudo quer dizer?
Em resumo, a Bear 650 é uma moto destinada ao uso urbano e eventuais passeios - que podem até incluir aquelas estradinhas de terra que levam a cachoeiras e lugares idílicos, mas nada de off pesado nem trilhas.
A Bear 650 chega ao mercado brasileiro em três "versões". Que não são versões - são a mesma moto, mas com combinações de cores distintas. É aquela habitual estratégia da Royal Enfield. Confira abaixo as opções:
Mas como é a Bear 650 dinamicamente? Tive a oportunidade de pilotar a novidade por quase 100 quilômetros, que incluíram áreas urbanas, estradas asfaltadas e um trechinho curto de terra. Quer saber como a moto se comporta, seus aspectos positivos e negativos e se vale a pena levá-la para casa? Então confira aqui nesta outra matéria.