O fim do primeiro semestre (janeiro a junho) é sempre uma boa época para analisarmos os números do mercado brasileiro de motocicletas. É justamente quando podemos ver quais marcas estão ganhando espaço e quais não estão, entre outros aspectos.
Como já mostramos aqui, o mercado brasileiro de motos registrou 1.174.459 unidades vendidas no período, volume 14,1% superior às 1.029.291 unidades emplacadas entre janeiro e junho de 2025. Se continuar nesse ritmo, chegará às 2 milhões de unidades que o setor projeta para este ano.

Começando pelo começo, a Honda manteve sua liderança isolada, com 771.943 unidades emplacadas e 65,7% de participação. Essa liderança se deve a muitos fatores, como produção local gigantesca, enorme rede de concessionários, variada linha de produtos e fama de confiabilidade.
A Yamaha continua na eterna segunda colocação, mas vendendo quatro vezes menos que a líder - 160.937 emplacamentos. Tem rede grande, nas não tão grande quanto a da Honda, e também boa fama. Mas o line-up é menor e a maioria dos modelos briga em segmentos disputados.

Pelo menos ainda mantém uma distância saudável da Shineray, terceira colocada, cujas vendas somaram menos que a metade da vice-líder. A chinesa anotou 73.669 vendas no período, sempre impulsionada pelos preços atraentes e, de uns tempos para cá, por uma rede de lojas que cresce progressivamente.
O fenômeno Mottu continua em um confortável quarto lugar. Com 55.590 unidades vendidas no 1º semestre, está relativamente distante da Shineray, mas ao mesmo tempo sem ver no retrovisor a Avelloz, quinta colocada com 18.853 emplacamentos.

A Mottu negocia basicamente um modelo, a Sport 110i. E o curioso é que a Mottu não é exatamente a fabricante: é uma startup de mobilidade que monta a moto em Manaus (AM). Além disso, a moto não é Mottu - é uma TVS indiana -, não é esportiva e basicamente é alugada para a turma do delivery. Mas, para ser alugada, a moto tem que ser emplacada - e é esse número que conta.
A Avelloz é outra curiosidade. Vende apens três modelos e atua basicamente na região Nordeste, mas como tem preços acessíveis, emplaca bastante.

Bajaj e Royal Enfield travam uma briga mais acirrada na luta pela sexta colocação. No 1º semestre de 2026, a primeira levou a melhor. Mas por uma diferença pequena: 17.996 unidades vendidas contra 17.138 da conterrânea indiana.
Como será no futuro? Acredito que a Bajaj crescerá mais, pois tem motos urbanas com a "cara" do consumidor brasileiro e preços acessíveis. As motos da Royal Enfield também são competitivas, mas são mais modelos de nichos.

A Haojue aparece na sequência, com honrosos 13.807 emplacamentos no período e se mantém como a marca que dá mais sustentação ao grupo J.Toledo/JTZ Motos - que também representa as marcas Suzuki, Zontes, Kymco, Hisun e Aodes, estas dois últimas de quadriciclos.
Em nono lugar ficou a Triumph, que desta forma pode se gabar de ser a marca "premium" que mais vende motos no Brasil. Mas note como o volume é bem menor que os das listadas acima: 7.012 motos vendidas no período. E a rival BMW vem logo atrás, em 10º, com 6.907 emplacamentos.
A Kawasaki vem na sequência, em 11º, e mantém vendas estáveis sempre impulsionada pela fama da linha Ninja e pela custom Vulcan 650S, já veterana no mercado brasileiro. Foram 6.741 emplacamentos no período.

A seguir vem a quase desconhecida VMoto, que comercializa modelos elétricos e emplacou 4.638 unidades. Na sequência vem a Zontes, que tem motos interessantes e até já conquistou fãs, mas não deslanchou como poderia. Foram 3.741 licenciamentos. E a Dafra, que também tem motos e scooters muito bons, mas mantém números discretos apesar de estar investindo - finalmente - no crescimento da rede de concessionários. Vendas: 3.689 unidades.
Agora, acredite: a Suzuki está atrás de todas as listadas acima, na 15ª posição com apenas 2.036 motos vendias em seis meses. Se lá fora é uma das quatro grandes japonesas - ao lado de Honda, Yamaha e Kawasaki -, no Brasil até já vendeu bem mais do que atualmente, mas seu potencial permanece limitado pela gestão do representante local, pelo número apenas razoável de concessionários e pela preocupação do consumidor com o pós-venda.

Isso apesar de suas motos terem preços competitivos, fama de extremamente confiáveis e do line-up atual ser moderno e bem atualizado. Nas posições seguintes surgem a discreta Bull, com 1.527 emplacamentos, e a GCX, de motos elétricas, com 1.076 vendas.
E aí vem a Harley-Davidson, na 18ª colocação com 930 motos emplacadas no período. A marca americana já viveu dias melhores no mercado brasileiro (e no mundo), mas a gestão do CEO anterior fez as operações encolherem em nível global e também por aqui, onde voltou a ser "moto de rico".

Em seguida ficou a Mobilli, com 784 emplacamentos. Ainda relativamente desconhecida, a marca tem sistema de negócios similar ao da Mottu, e deverá crescer futuramente.
Fechando o ranking das 21 marcas que mais venderam motos no Brasil no primeiro semestre de 2026, aparece a CFMoto, com 519 unidades emplacadas - vale lembrar que isso em apenas dois meses - e a Ducati, com modestíssimos 385 emplacamentos de janeiro a junho. Vale perguntar: até quando a Ducati irá resistir no mercado brasileiro?
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