Ranking de motos no 1º semestre: como ficou?

Veja nossa análise sobre os números de vendas de motos das marcas no mercado brasileiro e o que poderá mudar no futuro

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Roberto Dutra
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O fim do primeiro semestre (janeiro a junho) é sempre uma boa época para analisarmos os números do mercado brasileiro de motocicletas. É justamente quando podemos ver quais marcas estão ganhando espaço e quais não estão, entre outros aspectos.

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    Como já mostramos aqui, o mercado brasileiro de motos registrou 1.174.459 unidades vendidas no período, volume 14,1% superior às 1.029.291 unidades emplacadas entre janeiro e junho de 2025. Se continuar nesse ritmo, chegará às 2 milhões de unidades que o setor projeta para este ano.

    Só dá ela: em 2025, a Honda CG 160 foi, mais uma vez, a moto mais vendida no mercado brasileiro
    A Honda é líder isolada no mercado brasileiro e CG 160 é a principal responsável por essa posição
    Crédito: Divulgação
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    Mas e o ranking no semestre, como ficou?

    Começando pelo começo, a Honda manteve sua liderança isolada, com 771.943 unidades emplacadas e 65,7% de participação. Essa liderança se deve a muitos fatores, como produção local gigantesca, enorme rede de concessionários, variada linha de produtos e fama de confiabilidade.

    A Yamaha continua na eterna segunda colocação, mas vendendo quatro vezes menos que a líder - 160.937 emplacamentos. Tem rede grande, nas não tão grande quanto a da Honda, e também boa fama. Mas o line-up é menor e a maioria dos modelos briga em segmentos disputados.

    A bonita Yamaha YZF-R15 continua sendo a a dona do segmento de motos esportivas no Brasil em 2026
    A Yamaha tem boas motos como a YZF-R15 acima e preços competitivos, mas vende bem menos que a Honda
    Crédito: Marcelo Barros
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    Pelo menos ainda mantém uma distância saudável da Shineray, terceira colocada, cujas vendas somaram menos que a metade da vice-líder. A chinesa anotou 73.669 vendas no período, sempre impulsionada pelos preços atraentes e, de uns tempos para cá, por uma rede de lojas que cresce progressivamente.

    O fenômeno Mottu continua em um confortável quarto lugar. Com 55.590 unidades vendidas no 1º semestre, está relativamente distante da Shineray, mas ao mesmo tempo sem ver no retrovisor a Avelloz, quinta colocada com 18.853 emplacamentos.

    O crescimento no número de trabalhadores com motos foi um dos fatores que impulsionaram as vendas de motos em 2025
    A turma do delivery é o principal público da Mottu Sport 110i, que tem volumes sólidos de emplacamentos
    Crédito: Divulgação
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    A Mottu negocia basicamente um modelo, a Sport 110i. E o curioso é que a Mottu não é exatamente a fabricante: é uma startup de mobilidade que monta a moto em Manaus (AM). Além disso, a moto não é Mottu - é uma TVS indiana -, não é esportiva e basicamente é alugada para a turma do delivery. Mas, para ser alugada, a moto tem que ser emplacada - e é esse número que conta.

    A Avelloz é outra curiosidade. Vende apens três modelos e atua basicamente na região Nordeste, mas como tem preços acessíveis, emplaca bastante.

    A linha Bajaj no Brasil é composta, atualmente, por seis modelos
    A Bajaj tem modelos com a "cara" do consumidor brasileiro e deverá crescer bastante no Brasil
    Crédito: Divulgação
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    A briga das indianas

    Bajaj e Royal Enfield travam uma briga mais acirrada na luta pela sexta colocação. No 1º semestre de 2026, a primeira levou a melhor. Mas por uma diferença pequena: 17.996 unidades vendidas contra 17.138 da conterrânea indiana.

    Como será no futuro? Acredito que a Bajaj crescerá mais, pois tem motos urbanas com a "cara" do consumidor brasileiro e preços acessíveis. As motos da Royal Enfield também são competitivas, mas são mais modelos de nichos.

    Royal Enfield Hunter 350 2027 (1)
    A Royal Enfield tem preços competitivos, mas quase todos os modelos da marca são "lifestyle"
    Crédito: Divulgação
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    A Haojue aparece na sequência, com honrosos 13.807 emplacamentos no período e se mantém como a marca que dá mais sustentação ao grupo J.Toledo/JTZ Motos - que também representa as marcas Suzuki, Zontes, Kymco, Hisun e Aodes, estas dois últimas de quadriciclos.

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      Triumph é a maior entre as marcas "premium"

      Em nono lugar ficou a Triumph, que desta forma pode se gabar de ser a marca "premium" que mais vende motos no Brasil. Mas note como o volume é bem menor que os das listadas acima: 7.012 motos vendidas no período. E a rival BMW vem logo atrás, em 10º, com 6.907 emplacamentos.

      A Kawasaki vem na sequência, em 11º, e mantém vendas estáveis sempre impulsionada pela fama da linha Ninja e pela custom Vulcan 650S, já veterana no mercado brasileiro. Foram 6.741 emplacamentos no período.

      Kawasaki Ninja 300 2025 Wm1
      As vendas da Kawasaki são bem impulsionadas pelos modelos Ninja (acima, a Ninja 300)
      Crédito: Marcelo Barros/WM1
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      A seguir vem a quase desconhecida VMoto, que comercializa modelos elétricos e emplacou 4.638 unidades. Na sequência vem a Zontes, que tem motos interessantes e até já conquistou fãs, mas não deslanchou como poderia. Foram 3.741 licenciamentos. E a Dafra, que também tem motos e scooters muito bons, mas mantém números discretos apesar de estar investindo - finalmente - no crescimento da rede de concessionários. Vendas: 3.689 unidades.

      A japonesa que não consegue crescer

      Agora, acredite: a Suzuki está atrás de todas as listadas acima, na 15ª posição com apenas 2.036 motos vendias em seis meses. Se lá fora é uma das quatro grandes japonesas - ao lado de Honda, Yamaha e Kawasaki -, no Brasil até já vendeu bem mais do que atualmente, mas seu potencial permanece limitado pela gestão do representante local, pelo número apenas razoável de concessionários e pela preocupação do consumidor com o pós-venda.

      Suzuki Gsx 8r (0)
      A Suzuki tem ótimas motos com bons preços (como a GSX-8R acima), mas as vendas da marca não embalam
      Crédito: Divulgação
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      Isso apesar de suas motos terem preços competitivos, fama de extremamente confiáveis e do line-up atual ser moderno e bem atualizado. Nas posições seguintes surgem a discreta Bull, com 1.527 emplacamentos, e a GCX, de motos elétricas, com 1.076 vendas.

      E aí vem a Harley-Davidson, na 18ª colocação com 930 motos emplacadas no período. A marca americana já viveu dias melhores no mercado brasileiro (e no mundo), mas a gestão do CEO anterior fez as operações encolherem em nível global e também por aqui, onde voltou a ser "moto de rico".

      Harley Davidson Cvo Street Glide 2026
      Os modelos da Harley-Davidson voltaram a ser "motos de rico" e as vendas diminuíram drasticamente
      Crédito: Divulgação
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      Em seguida ficou a Mobilli, com 784 emplacamentos. Ainda relativamente desconhecida, a marca tem sistema de negócios similar ao da Mottu, e deverá crescer futuramente.

      A italiana resiste. Mas até quando?

      Fechando o ranking das 21 marcas que mais venderam motos no Brasil no primeiro semestre de 2026, aparece a CFMoto, com 519 unidades emplacadas - vale lembrar que isso em apenas dois meses - e a Ducati, com modestíssimos 385 emplacamentos de janeiro a junho. Vale perguntar: até quando a Ducati irá resistir no mercado brasileiro?

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