Royal Enfield: entenda por que deu certo no Brasil

Marca investiu onde não havia opções, resgatou as custom e criou variações de modelos para atrair compradores diferentes

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Roberto Dutra
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A trajetória da Royal Enfield no mercado brasileiro é bastante curiosa. Muita gente nem lembra, mas começou por volta de 2010, quando o empresário Guilherme Hannud, então detentor da marca Amazonas (aquela moto com motor Volkswagen, lembra?), resolveu importar, de forma independente, as motos da marca indiana para o Brasil.

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    A operação, sempre em pequeníssima escala, não durou muito tempo: terminou entre 2013 e 2014. Pesquisas na internet apontam que aproximadamente 60 motos foram comercializadas nessa época, mas as informações são bastante vagas. Curiosamente, essas motos sequer constam na tabela de preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

    Royal Enfield Interceptor 2021
    Royal Enfield: as motos da marca deixaram de ser "de nicho" e se popularizaram no Brasil
    Crédito: Divulgação
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    Abril de 2017: a primeira autorizada no Brasil

    Em abril de 2017, já com a subsidiária brasileira operando, os irmãos Raul e Maurício Fernandes apostaram na força da marca e abriram, em São Paulo, a primeira concessionária autorizada Royal Enfield no País.

    Ainda era uma espécie de movimento "cult-following", com negócios voltados para um público que até já conhecia a marca e desejava suas motos, mas que era relativamente pequeno - bem de nicho.

    Os primeiros modelos a chegar nesse "segundo tempo" foram a Classic 500 e a Bullet 500. Depois, veio a Continental GT 535. Eram modelos simples, com pouca tecnologia e desempenho apenas razoável, mas que começaram a satisfazer a cobiça dos "royaleiros" - até então órfãos.

    Concessionária Royal Enfield Em São Paulo
    A primeira autorizada da Royal Enfield no Brasil foi aberta em São Paulo pelos irmãos Raul e Maurício Fernandes
    Crédito: Divulgação
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    Fato é que os irmãos, visionários e com grande know-how, pois já trabalhavam com outras marcas, acertaram. O resultado, desde então, impressiona: a marca se tornou muito mais conhecida, viu suas vendas no mercado brasileiro crescerem progressiva e expressivamente, ampliou significativamente a rede de concessionários e tornou-se, em 2025, a sexta maior vendedora de motos do país - este ano, está em sétimo, atrás da conterrânea Bajaj, mas por uma diferença bem pequena.

    Veja mais:

      A principal estratégia: atuar onde não havia opções

      Pois é, a principal estratégia da Royal Enfield foi essa: jogar onde ninguém jogava. Um sinal, também, de sabedoria: no Brasil, não adianta investir onde as gigantes Honda e Yamaha estão, pois a concorrência será muito difícil.

      E assim, lá no começo, Bullet 500, Classic 500 e Continental GT atraíram os compradores de motos bem retrô, no caso das duas primeiras, e cafe racer, no caso da GT.

      Royal Enfield Classic 500
      Junto com a Bullet 500, a Classic 500 (acima) foi a primeira Royal Enfield a chegar ao Brasil oficialmente
      Crédito: Divulgação
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      Depois, vieram outros modelos, mas sempre de olho em segmentos com poucas opções - ou nenhuma opção. E, além disso, atraindo também com preços relativamente acessíveis.

      Caso da Himalayan 411, por exemplo, que foi lançada em 2018. Era uma trail rústica e com relação peso/potência inadequada, mas barata e satisfatória dentro de suas limitações. O modelo ainda ganhou uma variante scrambler, a Scram 411, em 2022. Tinha mudanças no visual e na frente (basicamente na roda dianteira), mas não durou muito - foi até 2024.

      Variações sobre o mesmo tema

      Nesse meio tempo, em 2019, a marca lançou as "irmãs quase gêmeas" Interceptor 650 e Continental GT 650. Dois modelos com visual distinto - uma naked com estilo tradicional e uma cafe racer -, que compartilhavam chassi, motor, rodas, freios e vários outros componentes.

      Foram apelidadas de "twins" por conta justamente do novo motor com dois cilindros em linha refrigerado a ar. As duas fizeram sucesso, tiveram boas vendas e estão em linha até hoje.

      Royal Enfield Interceptor
      Junto com a Continental GT, a Interceptor (acima) foi a primeira 650 da Royal Enfield no Brasil
      Crédito: Divulgação
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      Porém, mais do que isso, deram início a uma nova família de modelos Royal Enfield no Brasil - todas com o mesmo motor bicilíndrico refrigerado a ar.

      Chegava a era das "variações sobre o mesmo tema": motos com a mesma plataforma, mas com design e propostas de uso diferentes para atrair diferentes compradores.

      O pulo do gato: o resgate do segmento custom

      Mas o passo decisivo foi dado, mesmo, com lançamento da pequena custom Meteor 350, em 2021. O modelo não só ressuscitou um segmento que estava praticamente morto no mercado brasileiro de motocicletas - o das custom -, como também ocupou uma lacuna do mercado onde não havia nada.

      Resultado: bonita, eficiente e relativamente barata, bombou de vender. E, a reboque, vieram a Classic 350 e, depois a Hunter 350. Três motos com o mesmo conjunto de chassi e motor, numa mesma faixa de mercado e com preços próximos - mas uma para cada tipo de comprador.

      Royal Enfield Meteor Supernova 350
      A Meteor 350 foi a virada de chave" da Royal Enfield no mercado brasileiro
      Crédito: Divulgação
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      Nestas "variações sobre o mesmo tema", a Meteor surgiu como autêntica custom, a Classic veio com um visual mais retrô - que remetia ao da Classic 500 - e a Hunter ficou como opção de naked moderninha com um pezinho no mundo vintage. As três fizeram sucesso, e curiosamente a Hunter se tornou a mais vendida delas - e a mais vendida da marca no país.

      Em 2024 a Royal Enfield voltou a usar essa mesma estratégia. Lançou a Super Meteor 650, uma custom corpulenta feita sobre a mesma base de Interceptor 650 e Continental GT 650. Na sequência, vieram a Shotgun 650, uma custom com pegada bobber, e mais recentemente, neste ano de 2026, a Bear 650, uma interessante scrambler.

      Veja mais:

        Com ótimo custo/benefício, a Royal Enfield Himalayan 450 liderou com folga o segmento das maxitrail em 2025
        Com ótimo custo/benefício, a Royal Enfield Himalayan 450 liderou com folga o segmento das maxitrail em 2025
        Crédito: Divulgação
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        Nesse meio tempo, em 2025, vale lembrar que a Royal Enfield usou a mesma estratégia para lançar no mercado brasileiro a Himalayan 450 e a Guerrilla 450. Dois modelos bem distintos - uma trail moderna, eficiente e bem equipada, e uma naked tradicional. Ambas com o mesmo conjunto de motor e chassi.

        Classic 650 é a próxima da lista

        A próxima da lista, que será lançada em breve, é a Classic 650. Sim, mais "variações sobre o mesmo tema", novamente na família de bicilíndricas. Aí teremos a Interceptor, uma naked com visual tradicional; a Continental GT 650, uma cafe racer; a Super Meteor, uma custom moderna; a Bear, uma scrambler; e a novata Classic, que será uma custom com visual bem clássico - como entrega o próprio nome.

        No fundo, todas estas são a mesma moto. Assim como Himalayan 450 e Guerrilla 450, e assim como Meteor, Classic e Hunter 350. Mas com as diferenças que cada estilo exige.

        Royal Enfield Classic 650
        Próxima a chegar, a Classic 650 é da família da custom Super Meteor 650, mas tem visual ainda mais clássico
        Crédito: Divulgação
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        Desta forma, acabam atraindo compradores diferentes, mas que têm em comum o orçamento, o desejo de comprar uma moto de média cilindrada e a busca por uma moto com a qual realmente se identifiquem.

        Pós-venda ainda é ponto de atenção

        Os números jogam a favor da Royal Enfield, no Brasil: fechou o ano passado com mais de 31 mil motos vendidas no País, volume que representou um crescimento superior a 80% em relação ao ano anterior. Além disso, a marca expandiu significativamente sua rede de concessionários: hoje tem mais de 40 autorizadas, e deve chegar ao final deste com mais de 50.

        Apesar disso, a marca ainda sofre um bocado com críticas, predominantemente nas redes sociais (onde é preciso dar um certo "desconto"), sobre peças de reposição, nem sempre disponíveis e demasiadamente caras na maioria das vezes, e problemas em motos novas, que seriam decorrentes de falhas na montagem das motos nas linhas das duas unidades em Manaus (AM).

        Royal Enfield Fábrica Manaus Webp
        As motos da Royal Enfield são montadas em Manaus (AM) pela Dafra e pelo Grupo Multi
        Crédito: Divulgação
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        Peças em falta e/ou caras são problemas de todas as marcas, principalmente das que estão há menos tempo no País e/ou das que ainda dependem de importação - caso da Royal Enfield. Problemas nos processos de montagem, porém, precisam ser avaliados com rapidez. Do contrário, o principal marketing para uma marca - o famoso "boca a boca" - jogará contra.

        De roda forma, a Royal Enfield já conquistou uma legião de fãs, resgatou aquele movimento de "comunidade de marca" que só vimos antes com os proprietários de Harley-Davidson - e, um pouco, de Triumph - e há muitos proprietários de motos Royal Enfield satisfeitíssimos. Como acontece com toda grande marca.

        Confira abaixo os preços dos modelo Royal Enfield no Brasil:

        • Hunter 350 Dapper White - R$ 19.990
        • Hunter 350 Dapper Grey - R$ 19.990
        • Hunter 350 Dapper Ash - R$ 19.990
          • Classic 350 Medaillon Bronze - R$ 23.490
          • Classic 350 Commando Sands - R$ 23.990
          • Classic 350 Stealth Black - R$ 24.490
            • Meteor 350 Fireball Black - R$ 24.990
            • Meteor 350 Fireball Red -R$ 24.990
            • Meteor 350 Fireball Matt Green - R$ 24.990
            • Meteor 350 Stellar Black - R$ 25.490
            • Meteor 350 Aurora Blue - R$ 25.990
              • Interceptor 650 Cali Green - R$ 30.990
              • Interceptor 650 Black Ray - R$ 31.990
              • Interceptor 650 Barcelona Blue - R$ 31.990
                • Continental GT 650 Slipstream - R$ 32.990
                • Continental GT 650 Apex Grey - R$ 32.990
                  • Bear 650 Wild Honey - R$ 33.990
                  • Bear 650 Golden Shadow - R$ 34.490
                  • Bear 650 Two Four Nine - R$ 34.990
                    • Shotgun 650 Sheet Metal Grey - R$ 33.990
                    • Shotgun 650 Plasma Blue - R$ 34.490
                    • Shotgun 650 Green Drill - R$ 34.490
                    • Shotgun 650 Stencil White - R$ 34.990
                      • Super Meteor 650 Astral Black - R$ 34.990
                      • Super Meteor 650 Interstellar Grey - R$ 35.490
                      • Super Meteor 650 Interstellar Green - R$ 35.490
                      • Super Meteor 650 Celestial Red - R$ 36.990
                      • Super Meteor 650 Celestial Blue - R$ 36.990
                        • Guerrilla 450 Smoke SIlver - R$ 28.990
                        • Guerrilla 450 Peix Bronze - R$ 28.990
                        • Guerrilla 450 Yellow Ribbon - R$ 29.490
                        • Guerrilla 450 Brava Blue - R$ 29.490
                        • Himalayan 450 Slate Salt (pneus com câmara) - R$ 29.990
                        • Himalayan Slate Poppy Blue (pneus com câmara) - R$ 29.990
                        • Himalayan 450 Hanle Black (pneus com câmara) - R$ 30.990
                        • Himalayan 450 Hanle Black (pneus sem câmara) - R$ 31.990
                        • Himalayan 450 Kamet White (pneus sem câmara) - R$ 31.990
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