Um das brigas mais quentes do momento acontece no segmento das motos trail/crossover de média cilindrada - com motores e 300 cm³ para cima. A Honda XRE 300 Sahara ainda é líder isolada em vendas, mas a concorrência não para de aumentar.
Se até bem pouco tempo a Royal Enfield Himalayan 450 e, mais recentemente, a CFMoto Ibex 450 eram as rivais mais faladas - e têm conquistado bons números de compradores -, agora a briga esquentou com o lançamento da Moto Morini Allthrike 450 e da KTM 390, ambas reveladas no Festival Interlagos Motos 2026, há poucas semanas.
A briga reforça algo que o mercado brasileiro de motocicletas já conhecia bem: essas motos quase sempre fazem sucesso por aqui, pois são versáteis e costumam ter preços razoavelmente acessíveis. Não são baratas como os modelos de menor cilindrada, mas também não são inalcançáveis para a maioria, como as big trails.
São, também, o degrau logo acima para que vem de motos de baixa cilindrada, como Honda NXR 160 Bros e Yamaha XTZ 150 Crosser, entre outras. Então preparamos aqui um comparativo com algumas observações, as especificações e os preços desses modelos para ajudar o caro leitor que anda pensando em levar um deles para casa a fazer a melhor escolha. Confira abaixo!

A XRE 300 Sahara é mais do que conhecida pelo consumidor brasileiro. O modelo atual ressuscitou o sobrenome da antiga NXR 350 Sahara, mas na prática é a XRE 300 que já existia há anos - claro que com aprimoramentos no design, na mecânica e em tecnologia - ganhou, por exemplo, iluminação full-LED e ABS nos dois freios.
É a "opção segura" para quem quer uma moto confiável e de uma marca que tem a maior rede de concessionários no País - são mais de mil. Mas é, também, uma moto com certa polêmica, já que os preços públicos sugeridos das três versões - R$ 31.855, da Standard; R$ 32.555, da Rally; e R$ 33.665, da Adventure, raramente são os praticados nas concessionárias.
No mundo real, chegam a sofrer aumentos de R$ 3 mil a R$ 5 mil no valor final, dependendo da região do País. Além disso, os preços que constam no site não incluem frete e seguro. Aí dificilmente se leva a moto para casa por menos de iniciais R$ 35 mil. É por isso que a Sahara entra nesse comparativo, e não a NX 500: a irmã maior tem preço público sugerido de R$ 46.260 - o que já bastaria para tirá-la da lista -, que pode chegar nos R$ 50 mil como valor final.
Vale lembrar, também, que a Sahara é a que tem o menor motor e a única com refrigeração a ar aquui na nossa lista. Por isso, é menos potente e torcuda que as rivais, algo que deve entrar na relação custo/benefício - mas que, por outro lado, reduz custos de manutenção.
Em test-ride feito pelo WM1, a Sahara foi melhor no asfalto do que no off-road. Mas tem rodas apropriadas, raiadas e com aro de 21 polegadas na frente e 18 polegadas atrás, e muita versatilidade. É o tipo de moto que te leva a qualquer lugar - basta ter pneus apropriados para isso.
A Himalayan 450 substituiu a Himalayan 411 com longa margem e sem deixar saudade da antecessora: é melhor em absolutamente tudo e, da antecessora, só herdou mesmo o nome.
É uma moto versátil, bem equipada e com ótimas especificações, como o painel redondo de TFT, moderno, bem completo e com conectividade, e farol e lanterna de LED. Atualmente é a mais vendida em seu segmento, o das maxtrail - a classificação é da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave).
Nessa categorização, por ter motor menor, a Honda XRE 300 Sahara não está no mesmo segmento - está nas trail/fun. Mas, no mundo real, até por uma questão de preço, as duas brigam pelo mesmo comprador.
A Himalayan 450 é vendida em duas versões, cuja diferença principal está nas cores e nos pneus com ou sem câmara. Mas tem quatro faixas de preços, a depender dessas especificações: R$ 29.990 para Slate Himalayan Salt e Slate Poppy Blue (ambas com pneus com câmaras); R$ 30.990 e R$ 31.990 para a Hanle Black (pneus com câmaras e pneus sem câmaras, respectivamente); iguais R$ 31.990 para a Kamen White (pneus sem câmaras); e R$ 33.490 para a recém-chegada Mana Black (pneus sem câmaras). Valores já com frete e seguro inclusos.
Importante destacar que a Royal Enfield já tem uma rede de concessionárias bem robusta no Brasil. Mas, por outro lado, vale ressaltar que a marca ainda é relativamente deficiente no pós-venda, com relatos de serviços de qualidade abaixo do desejável nas autorizadas e revisões e peças caras. Além disso, algumas Himalayan 450 revelaram problemas em componentes como bombas de combustível e aceleradores eletrônicos. Caso isolados, mas que aconteceram.
Em test-ride feito pelo WM1, a Himalayan 450 exibiu ótimo desempenho no asfalto, proporcionando conforto, segurança e respostas de motor surpreendentes. E também se saiu muito bem no off-road, que não teve trilhas pesadíssimas, mas cujo trajeto envolveu terrenos bem acidentados. A moto passou por tudo sem sofrer.
A Ibex 450 é a uma concorrente nova no segmento. Exibida em primeira mão no Festival Interlagos - Motos do ano passado, sua chegada foi cercada de expectativas por exibir um conjunto realmente interessante e um design particularmente bonito.
Aí, algum tempos depois, a moto foi efetivamente lançada e logo houve fila para comprá-la. Na falta de unidades para entregar, naturalmente vieram reclamações - algo habitual em se tratando de consumidor brasileiro. Mas a marca tem se esforçado para regularizar as entregas, sempre anunciando novos lotes com alguma antecedência.
A CFMoto é uma marca chinesa de primeira linha que vende motos no mundo inteiro, inclusive na Europa. E tem aceitação e aprovação enormes. Mas, no Brasil, chegou por meio de um representante e não por subsidiária, como a Royal Enfield e a Bajaj, por exemplo. Isso naturalmente limita as operações, ainda mais em um primeiro momento. É o Grupo Unique, que tem sede em Piracicaba (SP) e linha de montagem em Manaus (AM). O grupo cuida da importação, da montagem e da distribuição das motos no Brasil.
As expectativas continuam altas e será preciso muita dedicação desse representante para consolidar a marca no País. Produtos para isso, ela tem. E a Ibex 450 é prova disso: bonita, completa, com bom desempenho e preço razoável - R$ 35.990, já com frete e seguro inclusos. Isso com ABS desligável na roda traseira, painel de TFT, farol duplo de LED, lanterna de LED, protetor de cárter e protetores de mãos, entre outros recursos.
Em test-ride feito pelo WM1 em pista fechada, de autódromo, a Ibex 450 exibiu ótimo desempenho, alto nível de conforto e um conjunto muito convincente. Andamos apenas no asfalto e, apesar dos pneus de uso misto, ficou bem evidente que essa moto é muito mais afeita ao piso negro do que ao off-road, embora suas especificações também indiquem certa versatilidade para esse tipo de uso.
O futuro da CFMoto no Brasil ainda é uma incógnita. Mas a marca mostrou potencial no recente Festival Interlagos - Motos 2026 com lançamentos e modelos em exibição (inclusive a grandona Ibex 1000). Agora é esperar para ver se a marca se consolidará por aqui e como as motos se comportarão nos "testes da vida real".
A KTM sempre teve uma vida difícil no Brasil. Representantes e importadores do passado jamais deram a atenção que marca merecia, e isso incluía concessionárias limitadas e pós-venda deficiente. Desta forma, as motos da KTM, por aqui, sempre foram para um público restrito - com bolso bem fornido e muita paciência.
Mas agora parece que isso vai mudar. A KTM passou a ser controlada pela gigante indiana Bajaj e a parceria começa dar frutos no mercado brasileiro: o primeiro modelo dessa nova fase, a KTM 390, foi anunciado no Festival Interlagos - Motos 2026 e já chega botando o pé na porta: chega em duas versões, X e R, ambas com boas especificações e preços competitivos.
E quem conhece as motos da KTM sabe que são modelos robustos e eficientes. Basta dizer que o motor monocilíndrico entrega força similar aos de algumas rivais bicilíndricas. A 390 Adventure X é mais pensada para o uso urbano e viagens no asfalto. Tem rodas de liga leve de 19 polegadas na dianteira e 17 polegadas na traseira, pneus de uso misto, suspensões WP Apex de curso mais curto, banco a 82,5 cm de altura do solo, dois modos de pilotagem (Street e Off-road), painel de LCD de cinco polegadas e ABS com modo off-road.
Já a 390 Adventure R tem especificações que a tornam mais adequada ao off-road. Tem rodas raiadas de 21 polegadas na dianteira e 18 polegadas na traseira, suspensão WP Apex na dianteira com compressão e retorno ajustáveis e suspensão traseira com retorno e pré-carga ajustáveis.
A R também tem maior vão livre do solo (27,2 cm), painel de TFT colorido de cinco polegadas, ABS com calibração específica para o fora de estrada e três modos de pilotagem - Street, Off-road e Rain -, que incrementam sua vocação para trilhas e aventuras.
As duas versões serão montadas na fábrica da Bajaj em Manaus (AM), com componentes vindos da Índia. Lá, a linha 390 é produzida justamente por meio da parceria global entre KTM e Bajaj. A produção local sinaliza um compromisso de longo prazo da KTM com o Brasil e chega acompanhada da expansão da rede de concessionárias, que hoje tem apenas 12 endereços em todo o território nacional. As vendas começarão em outubro com os seguintes preços: a 390 Adventure X custará R$ 33.990 e a 390 Adventure R sairá por R$ 37.990.
A Moto Morini Allthrike 450 não é exatamente uma novidade: foi exibida no Festival Interlagos do ano passado. Mas o lançamento, mesmo, foi na edição deste ano do evento - com imediata entrada em pré-venda. Os preços variam de acordo com a cor - verde, preta ou branca. As duas primeiras custam R$ 35.990 e a terceira, R$ 37.190. Ou seja, valores na mesmíssima faixa das rivais.
A marca Moto Morini é originariamente italiana. Mas atualmente, como quase tudo, a produção de suas motos é feita na China, onde é controlada pelo grupo chinês Zhongneng. Mas a Moto Morini mantém seu centro de design e desenvolvimento em Trivolzio, na Lombardia, Itália. As motos vendidas no mercado brasileiro, contudo, são montadas em Manaus (AM)
Escolher uma Allthrike 450 é uma aposta. O modelo tem boas especificações, visual exótico e imponente, e acabamentos refinados. E a marca, embora relativamente desconhecida no Brasil, tem tradição - nasceu em 1937.
Mas ainda não há informações sobre o desempenho e a durabilidade de suas motos nas condições brasileiras. Afinal, até pouco tempo a marca vendia apenas três modelos no País - a naked Seiemezzo STR, a custom Calibro 700 e a crossover X-Cape 650. E os volumes ainda são muito discretos para termos algum feedbkack mais certeiro.
Além disso, a rede de concessionárias da marca cresce lentamente. São apenas oito - em Curitiba (PR), Salvador (BA), Santo André (SP), São José (SC), Vitória (ES), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO). Então o pós-venda ainda é bem limitado a essas cidades. A moto é interessante e os preços são competitivos, mas há esses senões.
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