A meta é nada modesta: assim como a BYD, a ideia é chegar ao grupo das cinco marcas mais vendidas do Brasil até 2030.
A estreia comercial será em novembro, inicialmente com o Arcfox T1, um hatch compacto elétrico que quer aparecer e ser vendido em 50 concessionárias. Na sequência, a marca promete lançar o Arcfox T5, um SUV que também é elétrico. Os dois modelos foram apresentados ao público... Mas os preços não foram revelados.
A expansão da rede promete ser agressiva. Segundo a BAIC, a ideia é abrir 50 concessionárias a cada seis meses e chegar a 150 pontos de venda até o fim de 2027. A fabricante também quer ampliar rapidamente seu portfólio, com a previsão de lançar um novo produto a cada três meses a partir do ano que vem.
Mas, fique ligado: apesar de começar com elétricos, a estratégia não ficará restrita aos modelos zero emissão. A marca pretende comercializar veículos de diferentes segmentos com variadas tecnologias de propulsão, incluindo híbridos e modelos equipados apenas com motor a combustão.
O cronograma revelado prevê que a BAIC esteja entre as 10 marcas mais vendidas do Brasil até 2028. Para isso, a companhia pretende ter 10 produtos disponíveis no mercado e já ter a produção local de alguns deles. Acha ousado? Pois saiba que a ambição seguinte é ainda maior: estar entre as cinco maiores fabricantes do país até 2030.
Para dimensionar o tamanho dessa meta, vamos trazer números: a quinta colocada no ranking brasileiro de 2025 foi a Toyota. Se considerarmos aquele resultado como referência, a BAIC teria de superar a marca de aproximadamente 170 mil veículos vendidos por ano, o equivalente a cerca de 7% do mercado nacional.
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Fábrica nos planos
A produção nacional é uma das principais partes do projeto brasileiro da BAIC. Segundo Oswaldo Ramos, diretor de operações da marca no país (ex-Ford e ex-GWM), a empresa já decidiu que terá fabricação local e avalia três possibilidades: construir uma fábrica completamente nova, adquirir uma unidade já existente ou alugar uma estrutura de outra montadora.A decisão sobre o formato da operação ainda não foi definida e deverá levar em conta custos, velocidade de implantação e disponibilidade de infraestrutura. A equipe responsável pela manufatura da BAIC, inclusive, revelou que já visitou terrenos no Brasil para avaliar alternativas.
O executivo também afirmou que a decisão de produzir no país não depende do resultado das próximas eleições ou de eventuais mudanças na política industrial brasileira a partir de 2027. A estratégia, segundo ele, está baseada no tamanho do mercado nacional e na adequação do portfólio da marca ao consumidor.
Outro ponto importante é que a BAIC não pretende simplesmente importar veículos desmontados em kits para fazer a montagem no Brasil. A fabricante, por ora, afirma que descarta os formatos tradicionais de CKD e SKD como estratégia de longo prazo e pretende trabalhar com a importação individual de componentes.
Na prática, serão trazidas da China as peças que ainda não tiverem fornecedores equivalentes no Brasil, enquanto os componentes disponíveis localmente deverão ser nacionalizados gradualmente. Uma estratégia semelhante à adotada pela GWM em sua operação.
A BAIC já está em mais de 130 países e comercializou cerca de 1,75 milhão de veículos no ano passado. Com a operação brasileira, a companhia pretende não só conquistar espaço entre as novas marcas que desembarcaram recentemente no país, mas construir uma estrutura industrial e comercial capaz de colocá-la na disputa direta com fabricantes tradicionais.
O primeiro passo será dado em novembro, com o Arcfox T1. Depois virá o T5 e, se o cronograma da empresa for cumprido, uma sequência de lançamentos que poderá transformar rapidamente a companhia em uma das maiores do mercado brasileiro nos próximos anos. A ver.
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