É difícil lidar com o peso da idade. Pior ainda para quem é novo e já nasce com traços senis. Segundo Osvaldo Ramos, gerente de marketing da Ford, o segmento de sedãs médios carrega este perfil conservador no Brasil, por isso a marca mudou sua estratégia para que o novo Focus sedã não seja tachado de “carro de tiozão”.
Há um mês, a montadora apresentou a versão hatch - já avaliada pelo Webmotors -, assim o consumidor já teria o primeiro contato com as novas e atraentes tecnologias do modelo renovado (antes, o sedã era quem chegava primeiro).
Depois, tirou o sobrenome “Sedan” e o substituiu por um de mais peso, mais vigor: Fastback. Para quem não sabe, o termo fastback é usado desde a década de 1930 para designar um tipo de carroceria cujo teto possui um caimento suave até a traseira, sem “quebra” abrupta. Modelos lembrados por este nome são os icônicos Dodge Charger, Chevrolet Opala e, claro, o lendário Maverick, da própria Ford.
O Focus Fastback chega às lojas em agosto com visual alinhado ao modelo vendido na Europa e Estados Unidos, nas versões SE e Titanium, ambas oferecidas também com pacote de equipamentos Plus. Todas as versões são equipadas com motor 2.0 Duratec Flex com injeção direta, que gera 178 cavalos de potência no etanol, acoplado a um câmbio automatizado de dupla embreagem Powershift de 6 velocidades. Ainda sobre o conjunto mecânico, freios a disco e sistema de suspensão independente nas quatro rodas - McPherson na dianteira e Multilink na traseira - também são oferecidos de série.
Seguindo a mesma linha do hatch, a Ford aposentou a versão S e passa a oferecer como configuração de entrada a SE pelo mesmo preço da atual S, R$ 77.900.
Escolha seu recheio
Fica a cargo do cliente escolher o conteúdo. Desde a versão de entrada SE, o Focus Fastback implantou um novo sistema de controle de tração e estabilidade preventivo, batizado de AdvanceTrac. Sensores identificam as ações do motorista e fazem a leitura do comportamento do veículo, depois provocam ações antecipadas afim de ajudar o motorista a manter o controle do carro. O sistema também conta com controle de torque em curvas – que distribui melhor a força do motor nas rodas dianteiras.
De série há ainda aviso de pressão baixa dos pneus, assistente de partida em rampas, assistência de frenagem de emergência, luz de emergência em frenagens bruscas e a assistência de emergência, que chegou primeiro no Ford Ka. Em caso de acidente com acionamento dos airbags ou corte de combustível, este sistema faz uma ligação automática ao serviço de atendimento médico de urgência 192, o SAMU.
Quanto a itens de conforto, a versão SE traz direção elétrica, ar-condicionado, farol de neblina, sensor de chuva, sistema de conectividade SYNC com tela colorida de 4,2”, conexão Bluetooth, duas entradas USB, comandos de voz para áudio e telefone e sistema AppLink. As rodas, antes de 16 polegadas, agora vem de série aro 17.
Já a versão SE Plus, por R$ 79.900, inclui ar-condicionado digital com controle individual de temperatura, bancos em couro, airbags laterais, controle de velocidade de cruzeiro e limitador de velocidade. Rodas raiadas e borboletas para trocas de marcha também fazem parte do pacote.
Na configuração Titanium o preço sobe para R$ 87.900 e adiciona airbags de cortina, tela multimídia de 8 polegadas sensível ao toque, GPS, sistema de som premium da Sony com nove alto-falantes e chave com sensor de presença. Agora, a top de linha Titanium Plus se diferencia principalmente pelos itens de tecnologia e o preço vai para R$ 96.900. Há assistente de frenagem autônomo, farol bixenon adaptativo - que muda a intensidade do facho de luz e a direção conforme o trajeto -, novo assistente de estacionamento também para vagas perpendiculares, rebatimento elétrico dos retrovisores, banco do motorista com ajustes elétricos e teto solar.
O que mudou?
Quanto ao design da carroceria, se compararmos com a versão atual, as mudanças não são tão expressivas. Na dianteira, ele adotou a mesma grade de seus irmãos, o que deixou boa parte da linha da Ford homogênea. Ou seja, aluns modelos possuem uma “cara” tão semelhante, que ao batermos o olho fica difícil identificar quem é quem.
As dimensões permaneceram as mesmas e, embora o Focus Fastback se destaque em diversos aspectos, espaço não é seu forte. Até os 421 litros de capacidade do porta-malas (um dos menores da categoria) foram mantidos.
Porquê o Focus Sedan é coadjuvante?
Uma vez que o Focus é um bom carro, não parece haver muitas justificativas para que a versão sedã fique tão atrás do hatch. Segundo dados da Fenabrave, enquanto o Focus hatch emplacou 7.522 unidades de janeiro a junho deste ano, o modelo sedã vendeu menos da metade, 3.587unidades. Enquanto seu irmão sem "traseira avantajada" é líder de mercado, o Focus sedã nunca emplacou. Hoje, na 6ª posição, ele representa 5,4% do segmento.
Basta olhar o panorama com mais cautela que as justificativas começam a aparecer. O segmento de sedãs médios vem encolhendo ao passo que compactos premium e SUVs vêm crescendo e, para piorar, a concorrência é acirradíssima. Rivais da estirpe de Toyota Corolla e Honda Civic dominam sozinhos 58,2% do segmento.
Então o que a montadora fez foi jogar a batata quente na mão do marketing e deixar que eles ajudem a mudar este cenário. A estratégia faz sentido. Para atrair mais interessados, além de mudar o nome do carro e trocar a monótona comunicação do produto por uma com mais emoção, a Ford irá pagar três anos de revisão (ou até 30 mil km) do Fastback das primeiras duas mil unidades emplacadas, o que representa uma economia e tanto para o cliente e um motivo a mais para ele optar pelo Fastback. Além disso, visando fidelizar os que já têm um Focus na garagem, assim como fez com o hatch, a marca disponibiliza uma pré-venda com 15% de desconto para donos do modelo 2014, emplacados até junho deste ano. A oferta vale até setembro ou enquanto houver disponibilidade.
Agora emplaca?
Para tentar se destacar na categoria, a Ford quer focar no consumidor que “gosta de carros”, por isso a preocupação em afirmar o tempo todo que o Focus Fastback não é um sedã conservador e todo o investimento que farão em propaganda, agora com uma "pegada" bem mais jovem.
De certo, a nova comunicação vai ajudar, mas é na prática que o carro deve mostrar sua real vocação. Como não há grandes diferenças de comportamento para o hatch, que agrada muito no quesito dirigibilidade, não será um grande desafio para a montadora fazer o Focus Fastback aparecer no segmento. Em breve, nossas impressões sobre a novidade.