Quando um carro elétrico chega ao mercado, normalmente o consumidor tende a escolher a versão mais barata para "entrar" nesse universo gastando menos. Mas o Geely EX2 está mostrando justamente o contrário no Brasil.

Lançado em novembro de 2025, o hatch elétrico já começou a ganhar espaço no mercado nacional. E um detalhe chama atenção: a versão topo de linha Max vende mais que a opção de entrada Pro, mesmo custando R$ 10 mil a mais.
De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a configuração Max já teve4.897 unidades emplacadas e representa cerca de 46,6% das vendas da marca no Brasil. Já a versão Pro soma 3.621 unidades - e participação de 34,4%.
Na prática, isso mostra que o consumidor do EX2 parece estar mais interessado em tecnologia, segurança e conforto do que necessariamente em economizar na compra.
O Geely EX2 de entrada custa R$ 123.800, enquanto a versão topo de linha sai por iniciais R$ 133.800. Mas essa diferença de R$ 10 mil não está no conjunto mecânico.
As duas versões compartilham o mesmo powertrain. Tanto o Pro quanto o Max usam um motor elétrico traseiro, que entrega 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque. E ambos têm bateria LFP de 39,4 kWh, autonomia de 289 quilômetros (Inmetro) e aceleram de de zero a 100 km/h em 10,2 segundos.
As dimensões também são iguais: 4,13 metros de comprimento, entre-eixos de 2,65 m, porta-malas traseiro com capacidade de 375 litros e um compartimento frontal extra para 70 litros.
Ou seja: quem escolhe a versão Max não está levando mais autonomia ou mais desempenho. O diferencial está na experiência de uso.

A versão topo de linha tem uma série de itens a mais em relação à de entrada, que mudam bastante a percepção do carro no uso diário.
Entre os principais diferenciais estão os seguintes:
E talvez aí esteja o principal motivo para o sucesso da versão mais cara: o pacote de assistências à condução.
Um dos itens mais diferentes da versão Max é a chamada câmera panorâmica 540°. Além de criar a tradicional visão 360° ao redor do carro, o sistema também simula uma espécie de visão "transparente" da parte inferior do veículo. Na prática, isso ajuda o motorista a visualizar obstáculos próximos às rodas, guias, pedras ou até objetos baixos escondidos na frente do carro.
Os números do EX2 também mostram uma mudança interessante no comportamento de quem compra um carro elétrico.
Como a autonomia e o desempenho já são iguais nas duas versões, o consumidor aparentemente entende que vale mais a pena investir um pouco mais para levar um pacote mais sofisticado, principalmente em segurança e conveniência.
Isso ajuda a explicar por que a configuração Max concentra quase metade das vendas do hatch.
O crescimento do modelo também começou a aparecer nos rankings de emplacamento. Segundo dados parciais da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em maio, até o dia 27, o Geely EX2 já ocupa a 20ª posição entre os carros mais vendidos do país, com 3.056 unidades.
O modelo aparece logo atrás do GWM Haval H6, que soma 3.172 unidades, e já supera diversos modelos tradicionais do mercado.
Outro ponto que chama atenção é que o EX2 já tem vendas próximas às do BYD Dolphin, que aparece com 3.581 unidades no mesmo período.
Isso reforça que o hatch da Geely rapidamente deixou de ser apenas uma novidade de lançamento para começar, de fato, a ganhar relevância no segmento de elétricos compactos.
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