O Leapmotor B10 é o segundo modelo da marca a chegar oficialmente ao Brasil. Veio se juntar ao irmão maior, o Leapmotor C10, lançado há algum tempo.
A estratégia é clara: crescer rápido por aqui. Tanto que os dois SUVs já têm produção nacional prevista, embora ainda não haja confirmação sobre possíveis mudanças nas configurações quando isso acontecer.
Mesmo assim, o B10 já estreia com ajustes pensados para o nosso mercado, especialmente em suspensão e direção - algo que, na prática, faz diferença ao volante. E, olhando para a frente, a marca ainda prepara a chegada do Leapmotor C16.

Na prática, dirigir o B10 é exatamente o que se espera de um bom elétrico. O motor elétrico entrega 160 kW de potência (218 cv) e 24,4 kgfm de torque , sempre disponíveis de forma imediata. Isso faz diferença principalmente na estrada: não importa se você está saindo do zero ou retomando velocidade, a resposta vem na hora.
O modelo acelera de zero a 100 km/h em oito segundos e tem velocidade máxima de 170 km/h, limitada justamente para preservar a autonomia.
A tração traseira, que foge do padrão da maioria dos rivais, ajuda nessa sensação de equilíbrio. Somada à distribuição de peso próxima de 50:50, a condução é previsível, segura e bem resolvida dentro da proposta do carro.
A marca fala em ajustes específicos para o Brasil, e eles existem. O carro é confortável, filtra bem as irregularidades e cumpre a proposta de SUV familiar.
Mas, ainda assim, há uma sensação de que a suspensão poderia ser um pouco mais firme em algumas situações. Não chega a incomodar, mas deixa claro que ainda há espaço para evolução, principalmente pensando do gosto do consumidor local: habitualmente o motorista brasileiro prefere suspensões mais firmes do que as mais macias - lá na China é o inverso.

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Aqui entra um ponto importante, que aparece mais no uso do que na ficha técnica. No primeiro contato, você encontra uma posição de dirigir confortável. Mas, conforme o tempo passa, especialmente em viagens mais longas, essa sensação muda um pouco. E isso tem relação direta com a limitação de ajustes.
Todos os comandos são manuais, inclusive de banco e volante, e senti falta de ajustes elétricos, principalmente considerando a proposta tecnológica do carro. Dependendo do biotipo do motorista, pode levar mais tempo para encontrar a posição ideal, e ainda assim não ser perfeita.

Visualmente, funciona bem. Mas no uso real, nem tanto. Um exemplo claro: ajustar os retrovisores exige acionar o comando na multimídia. Se mais de uma pessoa usa o carro, isso vira uma tarefa repetitiva e pouco prática. E como não há memória de posição, você acaba refazendo esse processo sempre.
Por outro lado, a central é intuitiva e o pareamento sem fio com Android Auto e Apple CarPlay facilita bastante a rotina.
Se há um ponto em que o B10 realmente se destaca, é no espaço interno. Durante o teste, fiz questão de observar isso na prática. Em um dos momentos, havia uma pessoa bem alta no banco dianteiro e eu sentei atrás, e ainda assim fiquei confortável, com bom espaço para pernas. Depois, trocamos: essa mesma pessoa foi para o banco traseiro, e a sensação se manteve positiva.
Ou seja, o entre-eixos de 2,74 metros não é só um número na ficha técnica. O espaço funciona de verdade no uso real.
Falando de um elétrico, esses pontos são fundamentais, e aqui o B10 entrega um conjunto coerente. A bateria tem 56,2 kWh de capacidade e permite rodar até 288 quilômetros no padrão Inmetro ou 361 quilômetros no ciclo WLTP .
Na prática, esses números fazem sentido. Em uso misto, é possível rodar acima dos 300 quilômetros sem dificuldade, especialmente equilibrando cidade e estrada.
Na recarga, o modelo aceita até 140 kW em corrente contínua (DC), o que permite ir de 30% a 80% em cerca de 16 minutos . Em carregadores AC, são até 11 kW.
Ou seja, além de autonomia honesta, o B10 também entrega praticidade no tempo de recarga.
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O B10 também acerta em soluções que fazem diferença na rotina. Por exemplo, no porta-malas com capacidade para 365 litros, e que pode chegar a mais de 1.400 litros com os bancos rebatidos, somado ao trunk dianteiro para 21,5 litros. E ainda há 22 porta-objetos espalhados pela cabine, algo que parece detalhe, mas ajuda bastante no uso familiar.
Outro ponto interessante é o sistema com tratamento antiácaro, que pode ser um diferencial importante para quem tem crianças ou sofre com alergias no dia a dia.
O teto panorâmico de 1,80 metro é outro item que vai além da ficha técnica. Durante o dia, ajuda na sensação de amplitude, embora possa aquecer mais a cabine dependendo do sol.
Mas é fácil imaginar o melhor cenário: pegar uma estrada à noite, em um lugar mais isolado, com o céu estrelado. É o tipo de detalhe que transforma completamente a experiência a bordo e deixa a viagem mais especial.
O Leapmotor B10 entrega exatamente o que promete: é um SUV elétrico equilibrado, confortável e voltado para usos urbano e familiar. Responde bem, é silencioso, tem bom espaço e uma autonomia honesta. E a marca cobra R$ 182.990 por isso.
Ao mesmo tempo, fica claro que ainda há ajustes a serem feitos, principalmente em ergonomia, suspensão e na usabilidade da cabine.
No fim, é um carro que já chega competitivo. Mas que pode ficar ainda mais interessante quando essa adaptação ao mercado brasileiro evoluir junto com a produção local.