Onix toma liderança em 2021? Pode apostar. Ou não

Líder de mercado nos últimos cinco anos têm caminho árduo para tentar ser o carro de passeio mais vendido novamente

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Fernando Miragaya
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Jornalistas trabalham com fatos. Só que gostamos de dar nossos palpites também. E o debate tema desta coluna Mercado Auto surgiu justamente em uma reunião de pauta da equipe do WM1. Com a retomada da produção, o Onix tem condições de garantir mais uma vez a liderança no mercado brasileiro de veículos?

Coluna Mercado Auto Miragaya

Pergunta difícil? Nem tanto Mas as possibilidades são muitas. Primeiro, vamos aos números de emplacamentos da Fenabrave até agosto. Se formos considerar automóveis de passeio mais comerciais leves (picapes, vans, furgões etc), a parada vai ser dura para o hatch compacto da Chevrolet.

Isso porque a Fiat Strada, apesar dos problemas na produção em Betim (MG) e da fila de espera que pode chegar a três meses, vende mais que paçoquita no trem. Nesses oito meses de 2021, a picape pequena da marca italiana entregou quase 80 mil unidades. Uma diferença de quase 37 mil unidades para o Onix, que até agosto anotou pouco mais de 43.300 emplacamentos.

Se o modelo da GM repetisse, já em setembro, a média superior de 11 mil unidades/mês que obteve em 2020, um ano já atípico pelo impacto da pandemia de covid-19, o Onix só se tornaria líder se a Strada não vendesse uma mísera unidade nesses quatro meses que teremos pela frente. Ou seja, o posto de veículo mais comercializado do país já era para o Chevrolet.

Mas se formos só para a parte de automóveis de passeio (que inclui hatches, sedãs e SUVs - além das poucas minivans e stations que sobrevivem), aí o panorama muda bastante. O carro mais vendido deste recorte do mercado é, até o momento, o Fiat Argo, com 60.507 unidades negociadas de janeiro a agosto deste ano.

Bom lembrar que o Argo surfa na política agressiva de varejo da Fiat. Não é difícil encontrar nas concessionárias o hatch por preços, de cara, até 20% abaixo do que o sugerido na tabela do fabricante. Além disso., quem queria comprar um 0 km, sem ter Onix ou Hyundai HB20 à disposição (o modelo da marca coreana também padeceu de falta de peças e hoje é o segundo colocado no acumulado), viu no Argo um carro mais próximo dos seus desejos e mais em conta.

Caminho tortuoso

Mas a parada não será nada fácil para o Onix nesse segmento de carros de passeio. Lembre-se que temos apenas mais quatro meses pela frente e que a coisa só deve melhorar nas vendas lá para dezembro - em agosto tivemos o segundo pior mês do ano. Ainda faltam muitos modelos em estoque, os preços dos veículos não param de subir, a crise sanitária continua real e a crise econômica só se agrava.

O pessoal de vendas da Chevrolet vai ter de fazer hora extra para colocar o Onix em primeiro lugar neste louco ano de 2021. Mas tem boas armas para alcançar isso. A começar, uma rede que mais parece a Caixa: tem em todo lugar. São 577 concessionárias.

Verdade que a Fiat não fica muito atrás em termos de pontos de venda, porém o Onix tem outros argumentos a seu favor. Ele soma as vendas do Joy (a antiga geração do compacto), que, apesar de representar, em média, só 15%, é uma ajuda e tanto. O Argo, por sua vez, tem de dividir espaço na vitrine com - para falar de hatch - o Uno e o Mobi - este, apesar de ser bem menor, tem custo/benefício que pode ser a diferença entre o cara entrar ou não em um financiamento.

Pesa contra o fato de as vendas diretas não serem o forte do Onix. No ano passado, ficaram abaixo dos 30% e nesse ano atípico, um pouco acima dos 10%. Porém o modelo da GM se enquadra ainda naquele desconto total de carros para PcD (IPI + ICMS).

O Onix tem uma versão abaixo dos R$ 70 mil com motor turbo que sai por R$ 55.709 com os abatimentos de ICMS e IPI. O Argo automático mais barato não se enquadra dentro do teto do desconto do tributo estadual - o Trekking 1.8 com a caixa automática sai por R$ 93 mil. Isso pode até representar algumas milhares de unidades a mais para o Chevrolet…

Na fábrica

Só que também falta combinar com os russos, ou melhor, com os gaúchos. A linha de montagem do Onix em Gravataí (RS) voltou a operar depois de quatro meses. Até regularizar estoques e atender encomendas de antes da paralisação, leva um tempo. Além disso, a unidade gaúcha só opera, por enquanto, em um turno. A Hyundai, em Sorocaba (SP), trabalha em três desde julho, só para dar um exemplo.

Como diria Sir Paul McCartney nos últimos anos dos The Beatles: “The long and winding road” para o Onix. Porém, para o carro que é um fenômeno de vendas desde o lançamento, e que liderou com folgas os últimos cinco anos do mercado automotivo brasileiro, não dá para duvidar de nada.

Tanto que só fico no palpite - não aposto um centavo nesse desafio.

A coluna Mercado Auto é publicada todas as segundas quartas-feiras do mês, com análises e perspectivas do segmento automotivo assinadas por Fernando Miragaya.

Instagram: @fmiragaya

Twitter: /miragaya

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