Caoa Changan CS55: seria ele o novo “BBB” dos SUV?

SUV médio é maior que os rivais, anda bem, é confortável e parte de R$ 144.990; na versão Infinity, de R$ 154.990, entre

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André Deliberato
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É difícil não trazer de volta e pensar no conceito de “BBB” depois de dirigir o Caoa Changan CS55 - e não, não estou falando do reality show. O novo SUV médio tem tudo para se encaixar naquela velha fórmula do bom, bonito e barato – especialmente na versão Infinity, de R$ 154.990, que foi a configuração que guiamos.

E aqui vale uma ressalva: essas primeiras impressões não são um teste completo. Ainda precisamos conviver mais tempo com o carro para avaliar consumo real, comportamento em diferentes condições e outros aspectos de uso cotidiano. Mas, depois de alguns quilômetros ao volante, o CS55 deixou uma impressão positiva.

O primeiro ponto que chama atenção é o porte: com 4,55 metros de comprimento, o CS55 é maior que modelos como Volkswagen Taos, Toyota Corolla Cross e Jeep Compass. O entre-eixos de 2,66 metros também ajuda a explicar por que o SUV consegue entregar uma cabine espaçosa sem deixar de lado uma carroceria de proporções relativamente equilibradas.

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Na prática, isso aparece principalmente para quem viaja no banco de trás… Há bom espaço para pernas e cabeça, enquanto o porta-malas de 525 litros é outro argumento importante para a proposta — ele é, sem dúvida, um SUV urbano e familiar, e consegue cumprir bem ambas as funções.

Mas tamanho, sozinho, não faz milagre. O Caoa Changan CS55 precisa convencer também ao volante – e é justamente nesse ponto que ele surpreende.

Primeiras impressões: Caoa Changan CS55

A versão Infinity, assim como a Prime, usa o conhecido motor 1.5 turboflex de quatro cilindros, com 180 cv e 29,2 kgfm de torque, o mesmo utilizado pelo Uni-T. O câmbio é automatizado de dupla embreagem e sete marchas.

O conjunto é esperto. Não há aquela sensação de que o motor precisa “pensar” antes de entregar força, pois basta acelerar para ele responder com agilidade, inclusive em retomadas e subidas. O câmbio também merece elogios nas trocas ascendentes, que acontecem de maneira rápida e suave.

Nas reduções, porém, o comportamento é apenas razoável. Em determinadas situações, especialmente quando se exige uma resposta mais imediata, a transmissão poderia antecipar melhor a redução de marcha. Não chega a comprometer a experiência, mas é um dos poucos pontos em que fica claro que ainda há espaço para refinamento.

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Caoa Changan CS55 tem muitos argumentos para ser o best-seller da marca
Crédito: Divulgação/Caoa Changan
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A suspensão, por outro lado, está entre os grandes acertos do carro: o CS55 consegue filtrar bem as imperfeições do piso sem ficar molenga ou excessivamente macio. A carroceria também se mantém bem controlada em curvas, e o SUV transmite uma sensação de segurança que combina com a proposta.

É uma calibração que prioriza conforto, mas não sacrifica a dinâmica. Particularmente importante em um carro deste tamanho e com a proposta que tem.

Outro destaque é o isolamento acústico: o CS55 é silencioso em velocidades urbanas e rodoviárias, e o motor não invade excessivamente a cabine quando se exige desempenho. A sensação é de um carro mais refinado do que o preço poderia sugerir.

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Qualidade dos materiais agrega requinte superior ao Caoa Changan CS55
Crédito: Divulgação/Caoa Changan
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E aí chegamos ao ponto que provavelmente será um de seus principais argumentos de venda: equipamentos. A versão Infinity traz um pacote bastante completo: vem com teto solar panorâmico; ar-condicionado automático de duas zonas; bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, ajustes elétricos e memória para o motorista; porta-malas com abertura elétrica e uma série de recursos de assistência à condução.

O pacote ADAS, aliás, é especialmente interessante, pois tem recursos como piloto automático adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, sensor de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistentes de permanência e mudança de faixa e alerta de abertura das portas.

Note que este é um conjunto que, na prática, coloca o CS55 em um patamar tecnológico elevado para sua faixa de preço. E é aqui que a conta começa a ficar interessante...

Por R$ 154.990, você leva para casa um SUV médio de bom porte, confortável, bem equipado, seguro, com motor turboflex de 180 cv, câmbio de dupla embreagem, boa dinâmica e acabamento que transmite uma percepção de qualidade superior à esperada para essa faixa de preço.

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O espaço interno agrada com 2,66 metros de distância entre os eixos
Crédito: Divulgação/Caoa Changan
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E depois ainda vem o o CS55 PHEV — por R$ 189.990, a versão híbrida plug-in mantém praticamente a mesma proposta de equipamentos da Infinity (embora com rodas diferentes, logotipos externos iluminados e interior em outra cor), mas troca o conjunto mecânico.

Nela, o CS55 entrega 286 cv e 47 kgfm, além da possibilidade de rodar com eletricidade. Segundo a marca, o modelo pode fazer até 42,2 km/l e tem autonomia combinada de até 1.200 quilômetros.

Mas calma: precisamos fazer a ressalva de que o número de 42,2 km/l é uma média de homologação que considera o uso da bateria carregada e, portanto, não deve ser interpretado como o consumo médio do carro depois que a carga elétrica se esgota.

Ainda assim, um SUV desse porte com tecnologia PHEV por menos de R$ 190 mil é algo que chama a atenção.

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Caoa Changan CS55 é um SUV de porte médio, mas com preço de SUV de entrada
Crédito: Divulgação/Caoa Changan
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E talvez essa seja a maior força do recém-chegado CS55: ele de fato não depende de um único argumento. Ou seja: há um CS55 para quem quer simplesmente pagar pouco por um SUV médio, outro para quem quer bastante equipamento e uma terceira opção para quem está disposto a investir mais para ter a motorização plug-in.

Depois dessas nossas primeiras impressões, fica a sensação de que a Caoa Changan acertou em cheio em uma receita difícil de ignorar: o CS55 é bom, bonito e barato – e, principalmente na versão Infinity, consegue entregar uma combinação equilibrada de espaço, desempenho, conforto, segurança e tecnologia.

Por ora, esses preços são “de lançamento”. Agora, se a empresa conseguir manter o carro competitivo em valores, no pós-venda e ainda conseguir construir uma boa percepção de marca em torno dele, o CS55 tem ingredientes para se transformar em um dos fenômenos do mercado.

Ainda é cedo para cravar qualquer coisa. Mas, depois de dirigir o carro, dá para dizer uma coisa com tranquilidade: o CS55 não chegou ao Brasil só para preencher espaço na linha da Caoa Changan… Ele chegou para incomodar.

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