Teste: Chery Tiggo 9 Super Hybrid 2026
Durante muito tempo, os PHEVs foram vistos como um estágio intermediário — e pouco empolgante — entre os carros a combustão e os elétricos. A autonomia elétrica limitada fazia muita gente questionar qual era, de fato, o seu propósito. Esse cenário começa a mudar com modelos mais modernos, como o Chery Tiggo 9 Super Hybrid, que combina bateria de grande capacidade, motor turbo a gasolina relativamente eficiente e recarga rápida em corrente contínua (DC), tudo isso em um pacote com sete lugares e preço competitivo para o padrão australiano: cerca de R$ 190 mil em conversão direta estimada (A$ 59.990).Então, onde está a pegadinha?
Preço do Chery Tiggo 9 Super Hybrid
O Chery Tiggo 9 Super Hybrid Ultimate 2026 tem aparência e sensação de carro premium, embora não seja o topo absoluto da plataforma compartilhada com outros modelos da marca — posto ocupado pelo Omoda 9, que custa mais.Com preço inicial de A$ 59.990 antes dos custos on-road (algo em torno de R$ 190 mil, em conversão aproximada), o SUV de sete lugares entrega uma lista generosa de equipamentos. Ele é vendido apenas na versão Ultimate, a mais completa, e aposta em um nível elevado de conforto sem estourar o orçamento dentro do mercado local.
Graças ao sistema híbrido plug-in Chery Super Hybrid (CSH), a autonomia total declarada chega a 1.250 km, um dos números mais chamativos do conjunto.
Um dos principais rivais vem da própria família: o Tiggo 8 CSH Ultimate, que também oferece três fileiras de bancos, mas em porte um pouco menor. Ele entrega menos potência e menos requinte, em troca de um preço cerca de A$ 10 mil menor (algo próximo de R$ 32 mil a menos na conversão direta).
Entre concorrentes externos, o BYD Atto 8 surge como outra opção PHEV de porte semelhante e mais potente, enquanto o Hyundai Santa Fe se destaca entre os híbridos convencionais — sem tomada. Já o Kia Sorento também entra no radar, embora sua versão híbrida plug-in esteja longe de ser barata.
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Equipamentos e acabamento
O visual do Tiggo 9 deixa clara a inspiração em SUVs europeus de marcas premium. Mesmo partindo da plataforma T2X PHEV, apresentada em 2024, o desenho envelheceu bem.As rodas de 20 polegadas dividem opiniões, especialmente pelas calotas centrais em plástico. Já a cor opcional Cinza Mercurial Fosco, que custa A$ 600 (cerca de R$ 1.900, em conversão estimada), agrega bastante sofisticação ao conjunto. Faróis full LED com projetor, luzes diurnas, lanternas traseiras em LED e setas sequenciais completam o pacote.
Há ainda chave presencial, tampa do porta-malas com acionamento elétrico e teto solar panorâmico. As maçanetas elétricas embutidas podem exigir um período de adaptação, mas o interior compensa.
Por dentro, a mistura de couro natural e sintético é agradável ao toque. Os bancos dianteiros têm ajustes elétricos — com memória para o motorista —, aquecimento, ventilação e função de massagem. Na segunda fileira, os assentos laterais também oferecem aquecimento e ventilação. O volante é aquecido, e o ar-condicionado opera em duas zonas.
No mercado australiano, a Chery oferece garantia de sete anos sem limite de quilometragem para o veículo e oito anos, também sem limite, para a bateria. Com revisões feitas na concessionária, há ainda assistência 24 horas por até sete anos.
Custos de manutenção
As revisões são programadas a cada 12 meses ou 15.000 km. O pacote de manutenção com preço fixo para os primeiros sete anos ou 105.000 km custa A$ 3.174,15 no total (aproximadamente R$ 10,1 mil), o que dá uma média anual de cerca de R$ 1.440. A sexta revisão é a mais cara, custando A$ 1.291,31 (em torno de R$ 4,1 mil).Segurança
O Chery Tiggo 9 Super Hybrid Ultimate 2026 ainda não passou por testes de colisão independentes, mas já sai de fábrica com um pacote robusto de segurança ativa.Entre os recursos estão frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de tráfego pesado, monitoramento de ponto cego, alerta e correção de saída de faixa, head-up display e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Sensores dianteiros e traseiros, câmera de ré, visão 360° e sistema de estacionamento automático ajudam nas manobras do SUV de sete lugares. Há reconhecimento de placas de trânsito e monitoramento de atenção do motorista, com atuação considerada pouco intrusiva na maior parte do tempo.
O modelo traz 10 airbags, mas é um ponto negativo o fato de os airbags de cortina não se estenderem até a terceira fileira. Isofix e pontos de ancoragem superiores estão disponíveis na segunda fila.
Tecnologia e conectividade
O painel é dominado pela central multimídia de 15,6 polegadas, que comanda praticamente tudo no carro. O sistema é rápido e moderno, mas exige um pouco de adaptação, especialmente para quem não está familiarizado com a interface da marca.Apple CarPlay e Android Auto sem fio são de série, assim como carregador por indução refrigerado de 50 W, navegação nativa, Bluetooth e comando de voz inteligente (“Olá, Chery”).
O sistema de som Sony, com 12 alto-falantes — incluindo dois nos apoios de cabeça do motorista —, é um dos destaques do pacote e entrega boa qualidade sonora.
O painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas oferece alguns temas visuais e informações básicas de viagem, como autonomia no modo elétrico e distância percorrida.
Motorização e desempenho
O conjunto mecânico do Tiggo 9 Super Hybrid é um dos seus maiores trunfos. O motor a gasolina é um 1.5 turbo de quatro cilindros que entrega 143 cv e 21,9 kgfm (equivalentes a 105 kW e 215 Nm), atuando muitas vezes mais como gerador do que como fonte direta de tração.O sistema conta ainda com três motores elétricos: dois no eixo dianteiro, com 102 cv e 17,3 kgfm e 122 cv e 22,4 kgfm, e um no eixo traseiro, responsável por 238 cv e 31,6 kgfm. Juntos, eles entregam 428 cv e 59,1 kgfm de torque combinados (315 kW e 580 Nm).
A transmissão híbrida dedicada de três marchas (3DHT) trabalha em conjunto com a tração integral elétrica. A aceleração pode variar conforme o nível de carga da bateria, mas, quando tudo atua em conjunto, o desempenho é mais do que suficiente — até excessivo para o uso típico de um SUV familiar.
Consumo e autonomia
A bateria de íons de lítio de 34 kWh é grande para um PHEV e garante uma autonomia elétrica declarada de até 146 km pelo ciclo WLTP (170 km no antigo NEDC). No teste, foi possível rodar 143 km apenas no modo elétrico antes da entrada do motor a combustão.Com tanque de 70 litros, a autonomia total estimada de 1.250 km se mostra plausível. O consumo oficial divulgado é de 71,4 km/l (1,4 L/100 km no NEDC), número que só faz sentido com a bateria cheia. Com cerca de 20% de carga restante, o consumo real medido foi de aproximadamente 16,9 km/l (5,9 L/100 km).
A recarga rápida em DC aceita até 71 kW, permitindo ir de 10% a 80% em menos de 30 minutos. Em carregadores AC de até 6,6 kW, uma carga completa leva menos de sete horas.
Ao volante
O Tiggo 9 não se propõe a ser esportivo — e isso é positivo. O foco é conforto no uso diário e em viagens. As rodas de 20 polegadas e pneus de perfil relativamente baixo limitam um pouco o conforto em pisos ruins, mas, no geral, a condução é agradável.Apesar de ser um SUV de sete lugares, o porte não intimida no trânsito urbano. Câmeras, assistentes de estacionamento e o bom diâmetro de giro ajudam bastante. Em estrada, a suspensão mantém um bom equilíbrio entre firmeza e conforto, mesmo considerando o peso próximo de 2.200 kg.
A direção não é muito comunicativa, mas está adequada à proposta. O pedal de freio, mesmo com três níveis de regeneração, tem resposta progressiva após uma atuação inicial mais forte.
O controle de cruzeiro adaptativo pode ser intrusivo em estradas sinuosas, reduzindo a velocidade de forma exagerada em algumas curvas — comportamento observado em outros modelos chineses.
Espaço interno e versatilidade
O interior claramente bebe da fonte da Mercedes-Benz em alguns detalhes, como comandos de banco e iluminação. O nível de acabamento surpreende positivamente, especialmente considerando o preço estimado de cerca de R$ 190 mil.Há muitos porta-objetos, teto solar com cortina retrátil, boa visibilidade e isolamento acústico bem resolvido. A segunda fileira é espaçosa e confortável, com bancos deslizantes, reclináveis, saídas de ar e persianas manuais.
Já a terceira fila é indicada apenas para uso ocasional. O acesso é difícil, o espaço é limitado para adultos e não há saídas de ventilação dedicadas. Com todos os bancos em uso, o porta-malas leva apenas 148 litros até o teto. No modo de cinco lugares, o volume sobe para 448 litros, chegando a 2.065 litros com os bancos rebatidos. A ausência de estepe é um ponto negativo.
Vale a pena?
Não é uma questão de poder comprar, mas de avaliar custo-benefício. Pelo preço praticado na Austrália, o Chery Tiggo 9 Super Hybrid Ultimate 2026 entrega muito conteúdo.Há falhas — como o pacote de sete lugares limitado e a ausência de airbags de cortina até a terceira fila —, mas o modelo compensa com tecnologia, conforto e, principalmente, um sistema híbrido plug-in eficiente, que permite rodar no dia a dia como um elétrico sem preocupação em viagens longas.
O que antes parecia apenas uma solução de transição começa a fazer cada vez mais sentido.
Resumo – Chery Tiggo 9 Super Hybrid 2026
- Preço: A$ 59.990 (cerca de R$ 190 mil, sem custos on-road)
- Disponibilidade: já à venda na Austrália
- Motorização: 1.5 turbo a gasolina + motores elétricos
- Potência do motor a combustão: 143 cv e 21,9 kgfm
- Potência combinada: 428 cv e 59,1 kgfm
- Transmissão: híbrida dedicada de 3 marchas (3DHT)
- Consumo combinado: 71,4 km/l (NEDC)
- Emissões de CO₂: 32 g/km (ADR combinado)
- Segurança: ainda não testado por órgãos independentes
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