Aceleramos o novo Honda Civic

Completamente novo, sedã estreia no Brasil no segundo semestre


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Teria a nova geração do Honda Civic finalmente reencontrado o caminho da superação? O Civic perdeu o rumo ao longo das duas ultimas gerações quando os compradores se voltaram para Toyota e Hyundai. Mas o novo sedã médio — à venda na Austrália por $22,390 (aproximadamente R$ 57,6 mil) ostenta uma nova confiança recém-descoberta graças a um design exterior arrojado e melhorias nos níveis de tecnologia e acabamento. Se as primeiras impressões podem ser resumidas como mais espaçoso, mais robusto e mais esportivo, o novo Civic deu um bom salto em sua caminhada.

Um passeio rápido em torno do novo Civic, que já vem de fábrica com transmissão automática, deixa claro que a empresa está buscando algo diferente. Algo inovador. O design exterior pode não agradar a todos, mas é certamente ousado e admirável, e é o primeiro indício de que há mudanças de atitude dentro da própria Honda.

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Entre e suas sobrancelhas permanecerão levantadas na mira da arejada, estilizada e contemporânea cabine que aparentemente compreende mais espaço do que o do telescópio Hubble. Os passageiros se surpreenderam com os espaços dos assentos, tanto dianteiros quanto o traseiro, graças à melhoria da acomodação e a uma carroceria 45 milímetros mais larga. Mesmo com os assentos dianteiros ocupados por pessoas de 1,82 metro de altura há espaço adequado para um adulto sentar-se atrás.

E o porta-malas? Absolutamente gigantesco. São 519 litros! Esse número é suficiente para sediar o lançamento de um livro ou financiamento de um churrasco coletivo, tal a sua profundidade.

Há também porta-objetos casuais posicionados nas portas, amplos suportes para copos e mesmo uma prateleira dupla em baixo da grande tela de 7 polegadas sensível ao toque da central de entretenimento – equipada com gráfico Nvidia, que acelera a resposta ao toque e o carregamento dos menus. Trata-se (sistema multimídia) de uma grande melhoria em relação aos anteriores.

O painel de instrumentos tem um apelo contemporâneo com um elegante efeito de sobreposição e impressionante qualidade. A Honda diz que a referência vem do interior do Audi A3 e, como naquele veículo, há uma elegância simples de layout e de todos os controles.

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De série em todos os modelos, o painel de instrumentos digital dá ao carro um 'look' futurista, emitindo informações claras, concisas e o melhor de tudo: personalizáveis. O computador de bordo é pormenorizado e os gráficos se movem a uma alta taxa de quadros, dando à exibição um efeito suave e de alta qualidade. Ah, e isso significa que não existe mais a polarização do painel de instrumentos'two-tier' - bifacetado - do seu antecessor.

O novo Civic tinha que ser um carro muito melhor em vários níveis, não apenas para trazer os clientes de volta, mas porque ele é mais caro do que o seu antecessor.

Com preço inicial de $22,390 (Austrália), cerca de R$ 57,6 mil , é consideravelmente acima da versão que parte de $ 18,490, aproximadamente R$ 47,5 mil, mas o Civic ganha também mais instrumentos  – itens úteis realmente desejáveis e utilizados regularmente, como a transmissão automática continuamente variável (CVT), que é um das melhores unidades disponíveis atualmente.

Igualmente de série em todas as linhas estão as tecnologias bem integradas e de ‘welcome’ que tornam a vida mais confortável e agradável, como – além da tela de 7 polegadas sensível ao toque que mencionamos acima – o sistema de áudio com oito alto-falantes, entradas USB e HDMI, conectividade Bluetooh para telefone e fluxo de áudio contínuo, Apple CarPlay com Siri Eyes Free e AndroidAuto com o Google Voice.

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Aliás, há entradas duplas de USB, uma delas com dispositivo de carregamento mais rápido, botão do freio elétrico de estacionamento, luzes diurnas de LED, controle de temperatura, cruise control com limitador de velocidade, ajuste de altura do assento do motorista volante multifuncional, acabamento interior em tecido preto, vidros e espelhos elétricos, travamento central por controle remoto e ar-condicionado.

Todos os modelos são equipados com câmara de ré, seis airbags (dois dianteiros, lateral e de cortina), controle de estabilidade (VSA), controle de tração (TCS), freios antiderrapantes (ABS), distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD), sinalização de parada de emergência (ESS), monitoramento da pressão dos pneus (DWS).

Na Austrália, todos os modelos são equipados com câmbio CVT automático e são oferecidos dois motores. Um carryover 1.8 de quatro cilindros (141 cv/17.7 kgf.m) nos modelos de entrada e um novo, mais interessante, turbo a gasolina 1.5 de quatro cilindros (172 cv cv/22,4 kgf.m). É muito fácil decidir entre eles. Aqui no Brasil, em vez de motor 1.8, o novo Civic utilizará propulsor 2.0 bicombustível.

Há uma persuasiva arrancada do 1.5 turbo da bomba de alimentação que parece muito mais musculosa do que os 22,4 kgf.m de torque. Isto rende um longo passo, perfeita para ultrapassagens.

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Tão eficiente assim, é lamentável que o sistema de transmissão automática CVT tenha a personalidade de uma salamandra desnutrida, porque o chassi todo novo que a Honda desenvolveu para o novo Civic é notavelmente poderoso no sentido dinâmico.

A tendência da modulação suave da suspensão permite algum balanço da carroceria ao direcionar a dianteira em curvas estreitas, mas diante da afirmação da Honda de que o novo Civic é uma proposta esportiva não é sem mérito.

Com a dianteira equipada com a nova estrutura McPherson e a traseira totalmente independente, mantém uma linha clara no meio de uma curva, muita aderência e até a configuração da direção eletricamente assistida há um toque de retorno.

O resultado é conforto e diversão em um carro acessível. A Honda inventou a expressão Otokomae, que se traduz em algo como 'graça, elegância e beleza interior'.

Infelizmente, o sistema CVT enfraquece o envolvimento do carro ao enfrentar curvas e uma lânguida desaceleração em saídas também não ajuda – parece querer continuar acelerando após o ocorrido. Dito isto, as querelas do powertrain são meramente – pequenos incômodos – e não serão rompedoras de acordos porque no geral os powertrains se movimentam de forma requintada e previsível.

Viajando pelas largas estradas abertas australianas é uma descontração total proporcionada pelo impressionante silêncio da cabine. A atenção aos detalhes de aerodinâmica, som de materiais de amortecimento e extensa vedação de borracha em torno das portas, porta-malas e capota resulta no que seria um das cabines mais tranquilas nesta categoria.

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Os níveis de conforto em baixas velocidades são muito bons também, devido à suspensão sagazmente afinada, que em velocidades mais altas também é mais suave do que Michael Buble, uma vez que buracos, rachaduras e gramados arrancados mal fazem barulho ou provocam na estrada algum ruído ou impacto físico, passando a sensação de um carro premium.

Nos últimos anos, a Honda tem enfrentado dificuldades para estimular o imaginário dos clientes, com a crise financeira mundial de 2008 e com o desastre catastrófico natural  de 2011 debilitando a empresa e sua alta administração. Porém, com o HR-V mostrando uma luz que brilha para a marca e o novo Civic trazendo um nível similar de coragem para a mesa, está claro que a Honda – a empresa que já foi conhecida como a BMW do Japão — quer ser levada ainda mais a sério.

Com os vários modelos interessantes e heróicos a caminho este ano e no próximo para mercados que não incluem o Brasil em um primeiro momento – estamos falando de NSX e Civic Type-R —, a companhia japonesa parece determinada a encenar um renascimento nos dias em que o Civic foi um dos melhores carros do mercado mundial.

O novo Honda Civic é um deleite para dirigir, é extremamente prático, surpreendentemente requintado e chega de fábrica com uma longa lista de características de série e tecnologia inteligente. Após nosso primeiro test drive, fica claro que o sedã da marca japonesa representa bem e verdadeiramente uma retomada para constituir um dos emblemas mais vendidos do mundo.

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