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Peugeot 2008 aspirado deixa pulga atrás da orelha

Versão Griffe, equipada com motor 1.6 de 118 cv não é ágil o suficiente ao ponto de nos fazer esquecer da opção turbo


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Digno de holofotes quando foi lançado, em 2015, o Peugeot 2008 beira ao ostracismo. O visual despojado e a dirigibilidade de perua, antes tão alardeados, já não são suficientes para dar ao SUV fluminense um lugar ao sol. O modelo feito em Porto Real (RJ) ocupa a 15ª posição do ranking de SUVs mais vendidos em 2019, segundo dados da associação das concessionárias, a Fenabrave.

A linha 2020 veio para mudar essa história. Calma, não há pretensões de briga por liderança de vendas. A missão do 2008 é ajudar a Peugeot melhorar a imagem que a marca tem perante os consumidores, tarefa que está sendo bem cumprida pelos SUVs maiores 3008 e 5008.

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A primeira otimização imediata está no visual. A nova grade, adequada à identidade visual global da montadora, fez o desenho anterior do 2008 parecer ser coisa pré-histórica. Ela está posicionada mais acima e abriga diversos pontos plásticos cravejados que agregam modernidade à parte frontal do carro. Também há um novo posicionamento dos faróis de neblina, agora sobre acabamento plástico mais robusto.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Mas o bisturi parou por aqui. Nem o restante da carroceria, nem a parte interna ganharam atualizações estéticas.

O fato é que a novidade mais esperada da nova linha ficou guardada para mais tarde. Em outubro, o 2008 terá oferta de motor turbo, o famigerado 1.6 THP, em parceria com o também conhecido câmbio automático de seis velocidades. Antes, o propulsor só trabalhava em conjunto com transmissão manual, agora, aposentada.

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A marca não esconde que tal oferta estava totalmente inadequada à conjuntura do mercado - as vendas de SUVs com caixa manual são irrisórias. Mas será que vale a pena aguardar até o fim do ano para ter um 2008 turbão e automático ou a opção aspirada já é dá um belo caldo?

 Peugeot 2008 manteve o mesmo tamanho
Legenda: Peugeot 2008 manteve o mesmo tamanho
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Para responder a essa questão, avaliamos a versão completa Griffe, que custa R$ 89.990. Ela é equipada com o motor 1.6 flex de 115 cv/118 cv com gasolina e etanol, respectivamente.

CASAMENTO ESTREMECIDO

Se a potência não brilhou seus olhos, espere para conferir o torque: 16,1 kgf.m. Isso é menos do que a entrega de torque de um Volkswagen up! TSI, por exemplo, que proporciona 16,8 kgf.m. Claro que são modelos de propostas antagonistas, mas a comparação revela como o motor do Peugeot está caminhando para a obsolescência.

 Interior do Peugeot 2008 Griffe ganhou novos elementos
Legenda: Interior do Peugeot 2008 Griffe ganhou novos elementos
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Na prática, o conjunto ainda é capaz de ser ligeiro para cumprir com tarefas do trânsito cotidiano ou mesmo na estrada. Mas não espere fôlegos para ultrapassagens ou suavidade ao superar ladeiras.

Há certa confusão no casamento do motor com a transmissão, principalmente, na transição entre a segunda e a terceira marcha. O sistema parece indeciso em trechos íngremes, sejam eles de subidas ou descidas. E esta dificuldade não consegue ser controlada ao dosar a pressão no pedal do acelerador, isso porque o câmbio não demonstra entender qual comportamento o motorista deseja implementar na condução.

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Legenda: I-Cockpit está presente no Peugeot 2008 Griffe
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Tal desarranjo interfere no consumo de combustível. Segundo dados do Inmetro, o desempenho na cidade é de 10,7 e 7,5 km/l, enquanto os números na estrada chegam a 13 e 9,2 km/l, na ordem gasolina e etanol.

O ponto alto em termos dinâmicos fica por conta da suspensão. Embora não seja moderno, com acerto de McPherson na parte dianteira e, eixo de torção, na traseira, o sistema transmite segurança em curvas de alta velocidade, bem como conforto até em trechos com paralelepípedos.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe tem câmbio automático de 6 marchas
Crédito: Marcos Camargo/WM1

PARA FAMÍLIAS PEQUENAS

Também é sútil o efeito mergulho, quando a carroceria tende para o chão em frenagens mais bruscas. Isso também tem a ver com o porte um tanto comedido do carro que mede 1,58 metro de altura. As demais dimensões também são tímidas. O comprimento é de 4,15 m, portanto, cinco centímetros menor do que o T-Cross, que já é considerado um SUV pequeno.

Por outro lado, o Volkswagen compensa esta sensação com um entre-eixos de 2,65 m, medida 9 cm superior ao Peugeot. Para quem tem estatura mediana, isso pode não ser um problema. Mas o coleguinha que tiver cerca de 1,80 m pode sofrer.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe tem bom acabamento interno
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Quando o assunto é porta-malas, as notícias também não são muito animadoras. O bagageiro do 2008 tem 355 litros, enquanto o Honda HR-V, referência no quesito, apresenta-se com 437 litros.

Nenhuma dessas dimensões foi alterada na linha 2020. Tudo é legado do modelo lançado em 2015. E isso estende-se ao acabamento interno. Porém, aqui, a sensação é outra. O sistema iCockpit, que consiste em volante pequeno aliado a painel de instrumentos de posição elevada, ainda é moderno e competente. Passa ares de modernidade e dá dinamismo à condução.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe é para famílias pequenas
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Embora tenha materiais de aspecto simples, o interior do 2008 ainda mostra-se como solução inovadora no segmento. Mas já sabemos que uma boa atualização está por vir, ao vermos o interior da nova geração do compacto 208, ainda sem previsão de chegar ao Brasil.

A atualização mais aguardada seria em relação à central multimídia. A atual, de 7 polegadas, já recebeu as competentes tecnologias Android Auto e Apple CarPlay. Mas, quando mexemos no sistema padrão de fábrica, faltam interatividade e intuitividade.

A central é item de série, assim como ar-condicionado de duas zonas, câmera de ré, controle de cruzeiro, acendimento automático dos faróis, bancos com revestimento parcial em couro, teto panorâmico, sensores de estacionamento traseiros, além de freios a disco nas quatro rodas e seis airbags.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe
Crédito: Marcos Camargo/WM1

VALE A COMPRA?

O pacote de equipamentos é bom, mas ainda não justifica a tabela de quase R$ 90 mil pedida pela versão Griffe. Seria bom dizer para você que a configuração de entrada Allure seria bom negócio, por R$ 69.990, mas ela não entrega ao menos sensores de estacionamento e rodas (sim, é possível encontrar 2008 com calotas!). Dessa forma, a opção que oferece mais custo benefício é a Allure Pack.

Se você não tem urgência em trocar de carro, vale a pena segurar a ansiedade para ver como chega o 2008 THP automático. Não é possível cravar, mas a tendência é de que o modelo entregue toda a desenvoltura e economia de combustível que as versões aspiradas não são capazes de oferecer.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Mas o dom da paciência não seria o único mantra, caso você escolha esperar. Seria ainda necessário o desprendimento para investir algo em torno de R$ 100 mil pelo 2008 THP.

Seja qual for a versão escolhida, qualquer uma trará pós-venda atrativo. No caso de opção Griffe, encontramos apólice de seguro de R$ 1.368 no AutoCompara. O valor refere-se ao perfil de homem casado, 45 anos, com residência na Zona Sul de São Paulo (SP).

O valor das revisões não é chamativo, mas está na média do segmento. Somando as seis primeiras, o preço chega a R$ 5.234. A novidade é que se o cliente não ficar satisfeito com o serviço, não pagará pela mão de obra.

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Legenda: Peugeot 2008 Griffe
Crédito: Marcos Camargo/WM1
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Legenda: Peugeot 2008 Griffe
Crédito: Marcos Camargo/WM1

Essa é uma das ações da Peugeot para mudar a imagem de que produz carros que quebram com facilidade e de que é deficiente na reposição de peças. O trabalho está sendo bem feito, segundo levantamento da J.D. Power. A consultoria mostra que a marca francesa ocupa a terceira posição entre as marcas que mais satisfazem o cliente brasileiro.

Nesta ótica, as atualizações do 2008 só devem acompanhar a evolução da marca com a chegada da opção THP. Isso porque, hoje, o utilitário-esportivo apresenta-se como modelo seguro, com pós-venda atrativo e visual despojado. Questões relacionadas a prazer ao dirigir e economia de combustível só devem ser sanadas com o motor turbo.

Mas, vale deixar claro, o 2008 é alternativa mais adequada somente para famílias pequenas. Quem precisa de espaço deve optar por outros SUVs.

Ancora: Conclusão Score

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