A Ram vai entrar com força no segmento de picapes médias. Desta vez com a novíssima geração da Dakota, que chega em duas versões - Warlock (R$ 289.990) e Laramie (R$ 309.990) -, ambas com preços de pré-venda para as primeiras 750 unidades -, equipadas com um conjunto mecânico eficiente que promete brigar de frente com Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e cia.
Fomos até a região do Pantanal conhecer a picape, que já está em fase de pré-venda e começará a ser entregue nas próximas semanas. E a pergunta que surge é única: a inédita Ram Dakota - que traz o pomposo nome de sucesso de décadas atrás de volta - tem força para peitar as veteranas? Venha com a gente descobrir.

Foram quase 1.200 quilômetros de expedição, o suficiente para responder a todas as perguntas de quem quiser de fato conhecer a nova geração da picape. E vamos dar spoiler: é um ótimo produto, totalmente diferente da "prima" Fiat Titano (principalmente em proposta).
Nosso percurso saiu de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, foi até a região de Corumbá, onde ficamos na área do Passo do Lontra, depois "desceu" até Bonito para, por fim, voltar à capital sul-mato-grossense.
Nossa unidade desbravadora foi uma Ram Dakota Warlock, a configuração de entrada, de R$ 290 mil. As diferenças visuais entre esta e a Laramie, na parte externa, são o santantônio exclusivo (da Warlock, ausente na Laramie), as rodas escurecidas de 17 polegadas (aros de 18 polegadas na versão mais cara) calçadas por pneus de uso misto e a ausência de um filete de LED na grade frontal da configuração de entrada.
Em resumo, a Warlock tem uma pegada estética mais esportiva, enquanto a Laramie exibe um aspecto mais luxuoso, cheio de detalhes cromados.
O coração da Ram Dakota é o motor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros, com 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque - o mesmo usado pela prima Fiat Titano e pelas menores Ram Rampage e Fiat Toro. O Jeep Commander é outro carro que compartilha esse trem de força.
Aprovadíssimo o torque em baixa rotação (a partir de 1.500 rpm): ele é crucial para o uso mais forte no fora de estrada e também para reboque pesado. O turbocompressor da Ram Dakota é de geometria variável, e aliado ao intercooler e a uma válvula wastegate elétrica, proporciona respostas rápidas e boa eficiência térmica.
O câmbio que comanda tudo isso é o automático de oito marchas. Com relações bem escalonadas (1ª mais curta de 5,000 e 8ª beeem longa para economia de combustível, de 0,640), permite tanto força em arrancadas quanto economia em velocidades mais altas. O diferencial com relação de 4,100 e a marcha reduzida de 2,480, aliás, reforçam a vocação da picape para terrenos difíceis.
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Na dianteira, a nova Ram Dakota tem suspensão independente de duplo A com barra estabilizadora, enquanto na traseira mantém o tradicional eixo rígido com feixe de molas.
Esse arranjo privilegia robustez e capacidade de carga, mas ainda proporciona bom nível de conforto. Durante todo nosso percurso, os amortecedores hidráulicos - pressurizados - mostraram eficiência em absorver irregularidades, mesmo em cargas mais extremas.
Vale apontar um dos destaques da ficha técnica da picape: o diâmetro de giro de 14,1 metro é competitivo para um veículo de 5,35 metros de comprimento e 3,18 metros de entre-eixos, o que facilita as manobras até em espaços reduzidos.
O sistema de tração da Ram, chamado 4x4 Auto, conecta automaticamente o eixo dianteiro conforme a necessidade, mas há também os modos 4x2 e 4x4 com marcha reduzida. O bloqueio mecânico do diferencial traseiro pode ser feito por botão, o que garante tração máxima em situações pesadas, o que vimos bastante por lá.
Além disso, vale destacar que a Ram Dakota é equipada com quatro modos de condução: Normal, Sport, Snow e Sand/Mud. Essa versatilidade a coloca em pé de igualdade com a maioria das concorrentes, que também oferecem gerenciamento eletrônico de terreno.
Os freios a disco ventilados nas quatro rodas (de 332 mm na dianteira e 340 mm na traseira) foram dimensionados para o peso de 2.150 quilos e para a capacidade de carga de 1.020 quilos da Dakota. Os controles de tração e estabilidade e o assistente de descida e partida em rampas complementam o pacote.
Na segurança a Dakota não economiza: são seis airbags, piloto automático adaptativo (ACC), alerta de colisão com frenagem autônoma, monitoramento de ponto cego e câmeras do tipo 540° com visão tridimensional.
A caçamba comporta 1.210 litros, tem tampa amortecida e até iluminação em LED. A capacidade de reboque é de 3.500 quilos com freio, número que a rivaliza diretamente com as líderes do segmento.
A Ram Dakota é gostosa de guiar. Apesar do volante ser um pouco mais leve do que deveria, exibe bom nível de dinâmica ao volante para quem curte uma picape, especialmente para o público das médias - as queridinhas dos brasileiros.
É segura, boa de ser tocada, tem sistema de freios reforçados por discos nas quatro rodas, bom nível de segurança e tecnologia, e ainda traz como principais virtudes o excelente acabamento interno de uma Ram. E, claro, a insígnia de uma das marcas mais tradicionais entre as picapes.
Em números, ela arranca de zero a 100 km/h em 9,9 segundos e chega a 180 km/h de velocidade máxima. O consumo oficial anunciado pela Stellantis é de 9,7 km/l em uso urbano e 10,8 km/l no rodoviário, o que também está dentro da média da categoria.
O interior segue o padrão premium mencionado: a Ram Dakota tem materiais mais macios ao toque, bancos de couro (pretos na Warlock e marrons na Laramie) com ajustes elétricos, central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Carplay sem fio, quadro de instrumentos digital de sete polegadas, ar-condicionado com duas zonas de atuação e carregador de celular por indução refrigerado.
Vamos resumir o que falamos e responder à questão do título: com motor eficiente, câmbio moderno, suspensão robusta, tração de primeira linha e acabamento refinado, a Ram Dakota chega ao Brasil como um ótimo produto.
Na opinião do WM1, seu preço é coerente com o que entrega, e o pacote técnico surpreende. É tão boa picape como a Hilux, na humilde opinião deste repórter. Ainda está atrás da Ford Ranger em termos de produto, mas vale lembrar que a Ranger também não é a mais vendida...
A resposta à pergunta inicial, portanto, é clara: sim, a Ram Dakota tem força para peitar Toyota Hilux e cia. Mais do que isso, ainda inaugura uma nova fase para a Ram no Brasil, que coloca a marca no segmento mais competitivo de picapes do país, com chances reais de conquistar espaço.
A Ram tem estrutura, concessionárias e o suporte de peso do Grupo Stellantis para isso. Agora, se vai roubar a medalha de ouro da rival japonesa, isso só o tempo e as técnicas de vendas da marca norte-americana de picapes irão dizer.
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