Ford apresenta o novo Focus 1,6 Flex 2008
Demorou (muito), mas veio: médio Ford agora bebe álcool ou gasolina
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– Ao lançar o Fiesta flexível combustível, a Ford justificou a demora com a qualidade do motor – maior taxa de compressão entre os 1,6-litro, sofisticado controle de detonação, melhor aproveitamento do álcool, entre outras características. Mas a demora para lançar o Focus tem poucas razões, já que o modelo utiliza o acertado motor 1,6 RoCam do Fiesta e também do EcoSport, com algumas alterações de instalação.
Assim, a Ford ganha apenas da Toyota no segmento de médio-compactos, ao lançar nesta sexta-feira 27 de abril o Focus Flex 2008. A fabricante japonesa apresentará o Corolla capaz de rodar com gasolina ou álcool apenas no final de maio, ficando com a lanterninha.
De todo modo, as notícias são boas. Em aprovada prática de mercado, já vista em outros concorrentes, a Ford manteve os preços da linha anterior e absorveu o custo da nova tecnologia. A versão hatchback tem duas opções de acabamento, GL e GLX. A primeira, de entrada, é vendida por R$ 43.490,00. É bem equipada de fábrica, com ar-condicionado, direção hidráulica, luz de nevoeiro e volante com ajuste de altura e distância, entre outros itens. Segundo Rodrigo Lourenço, gerente de marketing da linha Focus, essa é a versão mais vendida, somados os opcionais vidros elétricos dianteiros um-toque para o motorista, apenas na descida e travas elétricas. O preço dessa versão é de R$ 44.730,00.
Na versão GLX, também com carroceria hatch, são adicionados toca-CD, vidros elétricos nas quatro portas com sensor antiesmagamento, espelhos retrovisores com comando elétrico, ajuste de altura para o banco do motorista e pneus 195/60 R15, montados em rodas de 15 polegadas. Na versão GL são 185/70 R14. Preço da versão GLX: R$ 46.950,00.
O Focus Sedan com motor 1,6-litro Flex é oferecido apenas na versão GLX e custa R$ 48.720,00. Seus equipamentos de série são os mesmos do Focus hatch nessa versão de acabamento.
O Focus já denuncia sua idade. O modelo foi lançado em 1999 2000 no mercado brasileiro; em 2003 ganhou o motor 1,6-litro e passou por poucas modificações estéticas e de acabamento até hoje. É, ao lado do Ka, representante da geração de desenho “New Edge”, enquanto o Fiesta já entrou no novo estilo “Kinetic”. Ainda assim continua a ser um dos carros médios de melhor conjunto e acabamento da categoria.
Com 2,615 metros de distância entre eixos, é capaz de acomodar com conforto dois adultos no banco traseiro. O porta-malas da versão hatch tem capacidade de 350 litros 490 litros na sedã, com articulações pantográficas na tampa, que preservam o espaço do compartimento. A posição de dirigir poderia ser melhor, fosse outro o banco – o atual deixa a desejar em acomodação às costas do motorista e tem assento curto.
A Ford submeteu o quatro-cilindros de 1,6 litro flex a algumas mudanças para adaptá-lo ao Focus – e melhorar o carro. A câmara de combustão foi redesenhada, o sistema de ignição foi melhorado e o filtro de ar, alterado. Antes, a captação de ar era lateral por meio de um pequeno tubo com desenho tipo “pescoço de ganso”. Agora passa a ser frontal, o que colabora para diminuir a temperatura do ar admitido e, assim, aumentar o volume e gerar mais pressão da câmara de combustão. Resultado disso é a potência 2 cv maior do que o Fiesta/EcoSport. Em relação ao modelo anterior, “inflexível” que rodava apenas com gasolina, o ganho é de 2% com gasolina, passando de 103 cv a 105 cv e de 8% com álcool – chega a 112,6 cv, sempre a 5.500 rpm. O ganho em torque máximo foi de 5% e 10%, com gasolina e álcool, na ordem, passando a 15,1 e 16 kgfm gasolina e álcool, respectivamente, em rotação mais alta: 4.250 rpm. A Ford afirma, porém, que melhorou a curva de torque e que 98% do total estão disponíveis já a 2.500 rpm.
Ainda no motor, foram adotados novos coxins, silencioso do escapamento e ressonador para o filtro de ar – sempre com o objetivo de reduzir o nível de ruído. Rodando com o Focus essa melhoria é perceptível e o carro se mostra realmente silencioso. Além disso, o câmbio que teve a 2ª marcha encurtada em 6% para ganhar agilidade no trânsito urbano, de acordo com a Ford é muito bem acertado e, cruzando a 120 km/h, vê-se o conta-giros parado pouco acima de 3.000 rpm. Esse baixo regime de rotação colabora tanto para o menor ruído quanto para o consumo comedido.
Segundo dados de fábrica, o Focus 1,6 Flex abastecido com gasolina percorre 12,3 km com um litro de combustível na cidade e 18,3 km/l na estrada. Com álcool os números são de 7,8 km/l em percurso urbano e de 11,7 km/l em trecho rodoviário. Vale lembrar que esses números são obtidos em testes de laboratório, seguindo a norma 7024 da ABNT. Dificilmente serão reproduzidos na vida real, embora sirvam de referência.
O desempenho do Focus melhorou com o novo motor. Sua velocidade máxima com gasolina passou a 180 km/h, 3 km/h a mais do que o anterior. Com álcool, vai a 184 km/h. O carro acelera de 0 a 100 km/h em 12,8 segundos com gasolina e 12,2 com álcool.
Embora tenham demorado, essas melhorias poderão ajudar o Focus a galgar novos degraus no segmento. O modelo é o segundo hatch médio mais vendido atualmente, ficando atrás do Chevrolet Astra. Como a versão equipada com o motor 1,6-litro representa 85% do volume de vendas e a carroceria hatch, 65%, é de esperar um aumento nesse porcentual, diminuindo a procura pelo 2-litros Duratec, e que o Ford encoste no modelo GM – ainda que este se beneficie da venda a frotistas.
E, segundo Antonio Baltar, gerente geral de Marketing da Ford, a fábrica de Pacheco, na Argentina onde é produzido o Focus foi ampliada para atender ao esperado crescimento de demanda. Talvez assim não se tenha que esperar mais pelo Focus.Chevrolet Astra
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