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Jeep Avenger Limited: primeiras impressões

Esse SUV compacto é, ao mesmo tempo, muito parecido e muito diferente do que se espera de um Jeep

Evandro Enoshita
Evandro Enoshita

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A Jeep teve muita sorte no mercado brasileiro. Se no exterior, a marca de SUVs da Stellantis é apenas mais uma generalista – ainda que aventureira -, por aqui, ela tem uma aura aspiracional que faz com que seja vista pelo público quase como uma premium.

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Com bons atributos, o Jeep Avenger chegou para ser um forte concorrente entre os SUVs de entradaCrédito: Evandro Enoshita/WM1

Herança dos tempos em que jogadores de futebol desfilavam com os seus Grand Cherokee e que ajuda a explicar como o Renegade e o Compass – que não fizeram lá muito sucesso no lá fora – por aqui se tornaram objetos de desejo acessíveis ao oferecerem essa aura de exclusividade em uma faixa de preço inferior a dos Jeep importados.

E com o Avenger, o objetivo da Jeep é claro: tentar repetir o sucesso do Renegade na década passada em uma nova faixa de preço. Agora, na base da pirâmide do mercado brasileiro de SUVs.

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O motor é o T200, flex, de 1.0 litro, 116 cv de potência e 20,4 kgfm de torque com sistema semi-híbrido de 12 VoltsCrédito: Evandro Enoshita/WM1

Jeep Avenger: primeiras impressões

Porte de hatch, cara de Jeep

Com 4,08 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,58 m de altura e 2,55 m de entre-eixos, o Jeep Avenger ocupa praticamente o mesmo espaço de um hatch compacto na vaga de estacionamento.

Algo que os seus concorrentes diretos Fiat Pulse, Volkswagen Tera e Renault Kardian também fazem. Mas enquanto esses seus concorrentes tiveram que criar linhas robustas “do nada” para projetar robustez, o Avenger usou o trunfo de ser um produto de uma marca de automóveis para jogar na lama.

Da icônica grade dianteira às lanternas traseira – passando pelas laterais que a marca jura que foram inspiradas pelo Willys MB lá da Segunda Guerra Mundial -, esse SUV compacto se parece com um típico membro da família Jeep.

Ainda que o Avenger esteja mais para aquele moleque baixinho que mal saiu das fraldas, mas já se inspira nas histórias dos irmãos mais velhos. Afinal, não tem tração 4×4. Mas os 22 cm do assoalho até o chão fazem esse Jeep ter um vão livre superior ao de carros mais aventureiros.

Influência francesa

Se por fora, o Avenger tem a cara de um típico Jeep, por dentro as coisas são um pouco diferentes.

A Jeep até se esforçou bastante. Mas basta prestar atenção a detalhes como os botões no painel, os comandos no volante e – principalmente – o grafismo no painel digital e na tela da central multimídia para que você se sinta mais próximo dos Peugeot e Citroën que de um Jeep “puro”.

E a razão para isso é simples: o Avenger é baseado na plataforma modular CMP, que é a mesma usada nos argentinos Peugeot 208 e 2008 e nos brasileiros Citroën C3, Basalt e Aircross.

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Jeep Avenger Limited Ee (8)Crédito: Evandro Enoshita/WM1

Isso, particularmente, não me incomodou. Tanto a multimídia é fácil de usar quanto as informações na tela de instrumentos de 10,25 polegadas – que equipa a versão de topo de linhas Limited – são exibidas de maneira bem clara. A questão é que a interface é diferente dos seus irmãos maiores.

Já o acabamento da cabine é bem satisfatório para um SUV de entrada: plásticos rígidos em boa parte das superfícies, alguma variação de texturas e apliques em material macio ao toque no painel e no topo dos painéis de porta.

O porta-malas, por sua vez, tem 321 litros de capacidade. Menor que o dos concorrentes Tera, Kardian e Pulse. Mas não chega a ser minúsculo e atenderia bem às necessidades cotidianas de transporte minhas, da minha esposa e do meu filho de quatro anos. Não me incomodou.

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Jeep Avenger Limited Ee (5)Crédito: Evandro Enoshita/WM1

O que me incomodou mesmo foi o espaço interno para os passageiros. Tenho 1,65 m de altura e me acomodo bem em boa parte dos automóveis. Mas me senti meio claustrofóbico no posto de pilotagem.

Se por uma lado, todos os comandos estavam próximos do alcance da minhas mãos, a impressão é de que outro adulto da minha altura viajaria apertado no assento traseiro. E o meu temor se confirmou.

Sentei no banco do passageiro da frente, ajustei o assento quase sem deixar espaço para a abertura do porta-luvas, e chequei o espaço para os joelhos que restou na traseira. Fiquei com a impressão de que o assento de elevação do João, meu filho, caberia no espaço disponível com certo aperto.

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Como é dirigir o Avenger?

A Jeep se defende dizendo que o Avenger tem uma proposta menos família que a de boa parte dos seus produtos. É pensado para o jovem (endinheirado?) em busca do seu primeiro automóvel, para um casal sem filhos ou para aquele senhor e senhora de meia idade cujos filhos cresceram e já não estão mais sob as asas dos pais.

E, de fato, se você não vai usar o espaço do banco traseiro para levar adultos com certa regularidade, o Avenger pode até se encaixar na sua rotina. Pois mesmo compacto por dentro, o SUV de entrada da Jeep é bem bacana para se guiar.

Rodei com o novato em um percurso entre São Paulo (SP) e a Parque Caminhos do Mar, em São Bernardo do Campo (SP). Um percurso ida e volta de quase 90 quilômetros.

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Jeep Avenger Limited Ee (15)Crédito: Evandro Enoshita/WM1

Diferentemente da pegada mais confortável dos Jeep, o Avenger é mais voltado para quem curte a experiência de dirigir. Direção bem progressiva – leve em manobras e pesada na estrada – e suspensão bem equilibrada, tendendo para firme. Me lembrou muito o (belo) acerto dinâmico do hatch compacto Peugeot 208.

E o Avenger ainda tem bom isolamento acústico, já que em velocidade de cruzeiro quase não se ouve o motor e nem o ruído dos pneus no asfalto. O motor 1.0 turbo, com sistema híbrido leve de 12 volts tem calibragem específica e despeja 116 cv de potência e 20,4 kgfm de torque. O câmbio é um automático CVT, com sete marchas simuladas.

São 14 cv a menos que no Fiat Pulse com a mesma motorização. E a diferença, na prática, é que o modo Sport de direção – que nem faz falta na calibração mais potente do propulsor Firefly 1.0 turbo – precisa ser ativado no Avenger sempre que você quiser respostas mais rápidas do acelerador.

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Jeep Avenger Limited Ee (14)Crédito: Evandro Enoshita/WM1

Mas não dá para reclamar. Mesmo menos esperto, esse conjunto mecânico ainda agrada bastante pelo equilíbrio entre desempenho e suavidade no funcionamento.

E como é padrão nesses Stellantis com conjunto motriz híbrido leve de 12 volts, os números de consumo são bons, mas não tão brilhantes assim. Na cidade, registra médias de 8,8 km/l (etanol) e 12,7 km/l (gasolina), enquanto na estrada esse SUV faz 9,6 km/l (etanol) e 13,5 km/l (gasolina).

O maior benefício é o fato de o Avenger ser um híbrido de documento. O que habilita o SUV a receber descontos ou isenção do IPVA (dependendo do estado), além de deixar o motorista livre de cumprir o rodízio de veículos na capital paulista.

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Jeep Avenger Limited Ee (12)Crédito: Evandro Enoshita/WM1

Vale a pena comprar um Jeep Avenger?

O Avenger estreia no mercado brasileiro com preços de tabela entre R$ 119.990 e R$ 145.990, embora a Stellantis tenha reservado um desconto de lançamento de R$ 5.000 para a configuração de entrada Altitude.

Mas mesmo no carro que eu testei – a versão de topo de linha Limited, de R$ 145.990 – o pacote ainda é bastante atraente frente aos concorrentes diretos. Bate de frente com os também topo de linha Volkswagen Tera High (R$ 146.190) e Renault Kardian Iconic (R$ 146.590), mas combinando o conjunto motriz híbrido leve – que nenhum dos adversários diretos tem – com uma lista bem completa de equipamentos, que você pode conferir aqui neste link.

Entre os destaques da lista de equipamentos do Avenger mais caro estão o pacote ADAS com assistentes de manutenção e centralização em faixa, controlador adaptativo de velocidade, frenagem autônoma e os faróis adaptativos do tipo LED Matrix.

Além de bem equipado – e bonito -, o Jeep Avenger ainda agrada como um automóvel ágil e bom de guiar. Mas para isso, é preciso abrir mão de uma cabine espaçosa para os passageiros. É uma troca que funciona para você?

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Jeep Avenger Limited Ee (2)Crédito: Evandro Enoshita/WM1

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Escrito por Evandro Enoshita

Repórter, WM1

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