Elétricos e Híbridos 6 min. de leitura

Evolução das baterias é essencial para elétricos

Ainda há dúvidas sobre prazos, mas as baterias de estado sólido vão prevalecer como solução final

Fernando Calmon
Fernando Calmon

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A recente revisão nas expectativas exageradamente otimistas sobre a mobilidade elétrica acendeu o alerta na indústria automobilística mundial. Vários fabricantes já reavaliam suas estratégias e reativam projetos de motores a combustão interna aperfeiçoados, além dos três tipos de híbridos (básico ou semi-híbrido, pleno e plugável). Enquanto isso, o setor de produção de baterias busca alternativas para aumentar alcance, diminuir o tempo de recarga e melhorar ainda mais a segurança especialmente em caso de acidentes graves.

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O que pouca gente sabe sobre a manutenção de veículos eletrificadosCrédito: Evandro Enoshita/WM1

Nos primórdios do automóvel, no fim do século 19, havia dúvidas sobre a tecnologia dominante no futuro. Os elétricos levavam vantagem sobre os barulhentos e fumacentos carros com motor a gasolina da época e também em relação às enormes e superquentes caldeiras a vapor. Naturalmente silenciosos, os elétricos também eram mais fáceis de dirigir, já que não precisavam de caixa de câmbio e embreagem.

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Edison Electriccar (1)
Thomas Edison, criador da lâmpada incandescente, defendia veículos elétricos como meio de transporte superior. Na foto, ele e o Edison ElectriccarCrédito: Reprodução

Além disso, ofereciam muito bom desempenho, como demonstrou o engenheiro belga Camille Jenatzy. Seu protótipo, batizado de La Jamais Contente, bateu o recorde mundial de velocidade: 105,882 km/h, em 1899. Mas elétricos eram veículos de “tiro curto”, pois as baterias de chumbo-ácido, tecnologia utilizada até hoje nos veículos a combustão, tinham pouco alcance e demoravam demais para recarregar.

O inventor Thomas Edison, criador da lâmpada incandescente, defendia veículos elétricos como meio de transporte superior. Ele e seu “Edison Electriccar” aparecem em foto pouco divulgada. Desenvolveu a bateria de níquel-ferro e fez um acordo com um ex-engenheiro de sua companhia de eletricidade, ninguém menos do que Henry Ford.

Este já era o maior fabricante de automóveis do mundo e desenvolveu um protótipo com base no Ford T que usava bateria do ex-patrão. Ford, inclusive, se propôs a encomendar 100 mil unidades se elas fossem eficientes e resistentes, além de recarregarem duas vezes mais rápido do que as de chumbo-ácido, conforme Edison afirmava.

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Plataforma Byd Seal 06
Os fabricantes dde baterias buscam aumento de alcance, redução no tempo de recarga e mais a segurançaCrédito: Divulgação

Contudo, além de baixa densidade energética, as baterias do amigo sofriam em temperatura ambiente muito baixa ou elevada, e a autodescarga excessiva limitava o alcance. Também eram maiores do que as de chumbo-ácido, mais pesadas e caras.

Ford desistiu da bateria de Edison em 1913, mesmo ano em que a Gulf Petroleum, em Pittsburgh, inaugurou o primeiro posto exclusivo para abastecimento de gasolina. Até então, quem tinha carro precisava ir a depósitos específicos e com galões para comprar o combustível.

Os modelos elétricos continuaram em produção nos EUA, em nichos de mercado. A Detroit Electric, com a bateria de Edison aperfeiçoada, fabricou carros até 1939. Na Grã-Bretanha, desde a década de 1930, Morrison-Electricar e Wales & Edwards produziram milhares de unidades para entrega domiciliar de leite. E frotas elétricas modernizadas ainda operam.

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A partir da década de 1960, algumas propostas tentaram reabilitar os elétricos por não poluírem a atmosfera. O Electrovair, protótipo desenvolvido pela GM e o AMC Amitron, minicarro para três pessoas, foram exemplos, mas sem passar da fase de testes. Em razão das crises do petróleo de 1973 e 1979, a GM voltou a investir com um Chevette rebatizado de Electrovette.

A AMC aperfeiçoou o projeto Amitron, com o Electron. Ambos ficaram só nos protótipos, sem se concretizar economicamente. Os problemas eram semelhantes aos dos modernos carros elétricos: limitação no alcance fora do uso estritamente urbano, demora de recarga da bateria, além da falta de uma rede ampla de reabastecimento em estradas.

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A ind´pustria voltou a investir nos elétricos para reduzir a poluição e a dependência de combustíveis fósseisCrédito: WM1/IA

As baterias de íons de lítio, utilizadas na maioria dos veículos elétricos em circulação atualmente, apresentam limitações. Elas geram calor elevado durante a utilização, que exigem dissipação rápida para evitar queda de desempenho. Os modelos elétricos atuais podem rodar de 400 a 500 quilômetros, em condições normais de uso urbano.

Carros mais caros têm baterias maiores e vão mais longe. Dificuldades surgem em estrada íngremes e subidas de serra que obriguem o motorista a pisar mais no acelerador, sem contar com a recarga por regeneração ao desacelerar ou frear. Ou seja, a viagem de ida ou de volta, depende do perfil de estrada.

As baterias de íon-lítio nas quais o eletrólito líquido é substituído por material semissólido ou por gel de alta densidade representam um estágio intermediário. Passam a funcionar com temperatura menor, o que se reflete em maior alcance, mas são mais caras.

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Bateria Sólida Changan
As baterias sólidas são mais seguras, porque eletrólito sólido elimina vazamentos. mas ainda são carasCrédito: Reprodução

Vale lembrar que a extração tradicional de uma tonelada de lítio consome 500 mil litros de água. Algumas fontes afirmam que na extração por salmoura deste metal são usados até 2 milhões de litros de água por tonelada. Quanto à abundância, o lítio é relativamente comum na crosta terrestre, mas os depósitos economicamente viáveis são um tanto escassos e concentrados geograficamente.

As baterias de sódio operam melhor em temperaturas extremas e têm menor risco de incêndio. O impacto ambiental da extração do sódio é drasticamente menor. A melhor solução são as baterias de estado sólido, mais seguras, e devem prevalecer até o final desta década, quando seu custo de produção cair.

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Escrito por Fernando Calmon

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