Renault e Geely: e se parceria fosse além?
Sinergia entre as marcas poderia render versões inéditas de modelos para diferentes segmentos do mercado brasileiro
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Renault e Geely têm uma relação cada vez mais próxima no Brasil. Por conta disso, a parceria entre as duas fabricantes abriu espaço para a reportagem do WM1 imaginar um cenário ainda mais ambicioso: e se a sinergia entre as marcas fosse levada ao limite e os produtos de uma passassem a ganhar também a identidade da outra?

É claro que o exercício a seguir é algo lúdico, ou seja, nada além de uma brincadeira de imaginação. Mas, olhando para os portfólios atuais das duas empresas e para as necessidades do mercado brasileiro, não faltariam possibilidades interessantes.
A Renault poderia aproveitar plataformas, tecnologias e até veículos desenvolvidos pela Geely, enquanto a marca oriental poderia usar a experiência da francesa em determinados segmentos nos quais ainda busca maior presença. O resultado seria uma espécie de “multiverso automotivo”, com modelos conhecidos ganhando novas marcas, desenhos e posicionamentos.
Não custa lembrar que o Grupo Stellantis já faz isso. O recém-lançado Jeep Avenger, por exemplo, é feito sobre a plataforma CMP, a mesma de Peugeot 208 e Citroën C3. Tem mais: Fiat Toro, Ram Rampage e os Jeep Renegade, Compass e Commander são todos “irmãos de plataforma”. E o que falar de Fiat Fiorino e Peugeot Partner Rapid ou de Citroën Jumpy, Peugeot Expert e Fiat Scudo?
Carros que poderiam surgir desse cenário de Renault e Geely
1. Geely Kwid
Imagine o Kwid com o logotipo da Geely no capô. A ideia faria sentido como porta de entrada para a marca chinesa no mercado brasileiro, especialmente em um momento no qual o segmento de subcompactos ainda tem espaço para produtos eficientes.
O modelo poderia manter a proposta urbana e compacta do Renault, mas receber uma identidade visual própria, com direito a alterações de acabamento, equipamentos e, quem sabe, até uma nova motorização – por que não eletrificada, para buscar clientes que ainda não tenham a capacidade financeira para comprar um EX2?

Seria uma maneira relativamente simples de a Geely entrar no mercado de carros “populares” sem precisar desenvolver do zero um produto específico para o Brasil. E há um detalhe interessante: ao contrário do que acontece em mercados onde a Geely está associada a carros maiores e mais sofisticados, esse “Geely Kwid” poderia ajudar a marca a construir uma base de clientes desde a “porta de entrada”.
2. Renault EX5
Agora vamos para o caminho inverso. O EX5 é um dos principais representantes da atual geração de modelos elétricos da Geely e poderia muito bem ganhar uma versão com o tradicional losango no capô.
O possível “Renault EX5” seria interessante justamente porque uniria duas características que hoje parecem complementares: a tecnologia elétrica da fabricante chinesa e a experiência da Renault no mercado brasileiro. E ainda não criaria conflito com o Renault Megane E-Tech, já que seria maior e mais familiar do que o carro elétrico já existente da marca francesa.

Visualmente, o SUV poderia receber uma dianteira redesenhada, novos elementos de iluminação e detalhes internos para assumir uma identidade Renault. Por baixo da carroceria, entretanto, estaria a base elétrica do Geely.
Na prática, seria como se a Renault tivesse um SUV elétrico global desenvolvido sob medida para disputar espaço com modelos como BYD Yuan Plus, Chevrolet Captiva EV, Leapmotor C10 e outros utilitários esportivos dessa faixa de preço.
3. Renault Niagara da Geely
A picape Niagara é outro produto que renderia uma brincadeira interessante. Agora imagine a Renault desenvolvendo a picape, mas entregando à Geely a possibilidade de criar sua própria interpretação do modelo. Nasceria uma espécie de Geely Niagara, com mudanças suficientes para não parecer simplesmente uma Renault com outro logotipo.
Saiba mais:
A marca chinesa poderia apostar em uma dianteira própria, interior diferente e uma calibração específica de suspensão e motorização. A proposta poderia até ser posicionada como uma alternativa mais tecnológica dentro do segmento, talvez acima da própria Renault Niagara.
E o mais curioso é que a Geely poderia entrar justamente em uma categoria que vem crescendo de maneira consistente no Brasil, de modo que ainda consiga aproveitar uma arquitetura já desenvolvida pela parceira.
4. Geely Kangoo
Se a ideia é explorar a sinergia até onde der, por que não transformar o Kangoo em Geely? O furgão da Renault poderia ganhar uma nova dianteira, logotipo e acabamento interno para se tornar o utilitário comercial da Geely no Brasil.
Seria uma estratégia especialmente interessante para a marca chinesa porque veículos comerciais leves podem abrir uma porta importante para vendas corporativas e frotistas. Dependendo do conjunto mecânico, o “Geely Kangoo” poderia ainda servir como uma ponte para a eletrificação do transporte urbano, já que os furgões elétricos têm potencial interessante para entregas em grandes cidades.
5. Geely Master
Por fim, chegamos ao maior modelo da lista. Por que não imaginar a Master, líder de mercado de sua categoria, se transformar em uma van de grande porte da Geely no Brasil, para que seja criada uma porta de entrada para a marca chinesa no transporte de passageiros e de cargas.

A receita seria semelhante à do Kangoo: carroceria e arquitetura Renault, mas com identidade visual, equipamentos e eventualmente soluções mecânicas próprias da Geely. Seria um produto especialmente interessante para aplicações comerciais, transporte executivo, turismo e até ambulâncias e outros veículos de serviço.
No fim das contas, o exercício mostra como uma parceria mais profunda entre Renault e Geely poderia gerar combinações curiosas. De um lado, a marca francesa poderia acelerar sua oferta de produtos eletrificados aproveitando tecnologias da empresa chinesa. Do outro, a Geely teria acesso a modelos e segmentos nos quais a Renault já tem experiência e estrutura.
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