Leapmotor quer acabar com sistema MHEV com bateria de 12V; entenda
Nova arquitetura integra circuitos de alta e baixa tensão e será usada nos próximos modelos da marca a partir de 2027
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Aquela bateria pequena de 12 volts que está praticamente em todo carro híbrido leve (MHEV) pode estar com os dias contados. Isso porque a Leapmotor, que pertence ao Grupo Stellantis, apresentou uma tecnologia que elimina o componente de seus futuros carros eletrificados.

A solução foi revelada nesta semana, durante o Leapmotor Tech Day 2026, que acontece em Hangzhou, na China. E, segundo a empresa, o recurso vai começar a aparecer nos próximos modelos da marca já a partir de 2027.
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Tecnologia da Leapmotor chega em breve
A novidade revelada pela fabricante está na terceira geração da tecnologia Cell-to-Chassis, chamada de CTC 3.0. Atualmente, a Leapmotor já utiliza baterias integradas à estrutura do veículo, mas a nova geração dá um passo além e une circuitos de alta e baixa tensão no mesmo conjunto.
Segundo a fabricante, o circuito de baixa tensão da CTC 3.0 tem sete vezes mais capacidade que o sistema anterior. Com isso, deixa de ser necessário utilizar uma bateria de 12V separada para alimentar os diversos equipamentos elétricos do veículo.
E essa bateria auxiliar é responsável por muito mais coisas do que simplesmente “dar partida” no carro. Em veículos convencionais, ela alimenta sistemas como faróis, limpadores de para-brisa, eletro ventiladores, telas e sistemas de segurança, incluindo até os airbags.
Já em modelos eletrificados, algumas dessas funções também dependem de um circuito de baixa tensão.
Na solução da Leapmotor, as mesmas células e módulos passam a atender às necessidades de alta e baixa tensão. Os sistemas também compartilham gerenciamento térmico e distribuição de energia, eliminando módulos separados e simplificando o conjunto elétrico.

Na prática, isso pode representar uma mudança importante na manutenção. Como não haverá uma bateria auxiliar de 12V convencional, também deixa de existir a necessidade de substituí-la periodicamente.
A Leapmotor afirma ainda que a solução reduz a pegada de carbono dos carros, já que a maior parte das baterias de 12V utilizadas atualmente é do tipo chumbo-ácido.
O legal é que o sistema CTC 3.0 não foi a única novidade apresentada pela fabricante: a marca também revelou a arquitetura Leap 5.0, desenvolvida para aproveitar de maneira mais eficiente o espaço disponível na plataforma.
A ideia é fazer com que componentes que normalmente ocupam áreas diferentes do veículo sejam reposicionados ou integrados.
A unidade de ar-condicionado, por exemplo, passa a trabalhar integrada ao trem de força traseiro. Segundo a marca, isso aumenta em 19% o espaço longitudinal disponível, reduz em 18% a quantidade de peças e corta em 30% o volume de tubulações.
A arquitetura também modifica a região dianteira da cabine: os amortecedores passam a utilizar uma torre de alumínio redimensionada e reposicionada – o que, segundo a empresa, aumenta em 37,5% o espaço para as pernas dos ocupantes dianteiros.
No assoalho, a arquitetura utiliza um desenho do tipo “skate”, que permite criar um piso 100% plano. Combinado ao teto mais elevado, o resultado é um aumento de 63,7% na altura interna da cabine, segundo a Leapmotor.
As duas tecnologias serão utilizadas gradualmente nos próximos produtos da Leapmotor. Os primeiros modelos desenvolvidos sobre a arquitetura Leap 5.0 e equipados com a CTC 3.0 devem ser revelados no ano que vem.
A Leapmotor já vende no Brasil os SUVs B10 e C10, este último por ora o único disponível com tecnologia REEV (também conhecida como “EREV”, ou “ultra híbrido) – B10 com o mesmo conjunto, híbrido de longo alcance, é o próximo lançamento confirmado por aqui.
Ainda não há confirmação, porém, de quando os modelos brasileiros passarão a utilizar a nova arquitetura.
Mais do que simplesmente eliminar uma bateria, a proposta da Leapmotor mostra, portanto, como a evolução dos carros elétricos vai além de aumentar autonomia ou potência. Afinal a próxima geração pode mudar até componentes que pareciam intocáveis na indústria há décadas.
