Museu CARDE inicia exposição sobre os 70 anos da Romi-Isetta
Inaugurado em novembro de 2024, museu já teve 200 mil visitantes e estreia mostra sobre um dos carros mais icônicos do Brasil
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Mais de 120 carros clássicos, mobiliário de artistas renomados e mais de uma centena de obras de arte, entre quadros, esculturas, joias e peças históricas. O Museu CARDE (sigla para Carro, Arte, Design e Educação), em Campos do Jordão, a 170 quilômetros de São Paulo, acaba de ultrapassar uma marca importante em seu recente tempo de vida.

Próximo de completar dois anos desde sua inauguração, em novembro de 2024, o museu – projeto da Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA) -, que conta a história do Brasil e do mundo tendo os automóveis como fio condutor chegou à marca de 200 mil visitantes.
“Nossa meta é transmitir conhecimento e cultura, seja pelas obras de arte ou até mesmo por meio de automóveis que marcaram a infância, trazem lembranças de viagens de família ou que representaram momentos importantes de diversas épocas. Eles são responsáveis pela ligação que transforma o CARDE em uma experiência única”, afirma Luiz Goshima, diretor do CARDE e membro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar.








CARDE abre exposição temporária
Para celebrar essa marca, o CARDE acaba de estrear uma exposição temporária em homenagem aos 70 anos do início de produção da Romi-Isetta, um dos carros mais icônicos já produzidos no Brasil.
A exposição, que vai até 12 de outubro, apresenta ao público não só um carro que marcou a história da indústria brasileira, mas também todo o contexto histórico, tecnológico e social que envolveu sua chegada ao País.
A mostra pretende mostrar como a Romi-Isetta se tornou um símbolo da industrialização e da capacidade de inovação nacional e contribuir para a preservação dessa memória para as futuras gerações.
Além de apreciar os modelos expostos, o visitante também poderá conhecer o Centro de Referência e Pesquisa do museu CARDE, espaço onde a história ganha forma por meio dos documentos preservados pela Fundação Romi.
Nesse ambiente, os visitantes têm contato com projetos técnicos, desenhos, registros históricos, fotografias e documentos originais, que ajudam a compreender os bastidores da produção da Romi-Isetta e os desafios enfrentados pela indústria em sua consolidação.

Entre os modelos expostos está uma Romi-Isetta 300 de Luxe de 1959. Detentora do título de primeiro automóvel de passeio fabricado em série no Brasil, a carismática Romi-Isetta teve sua produção iniciada em junho de 1956.
O projeto do pequeno veículo tinha como base o conceito e o grupo mecânico do microcarro italiano Iso Isetta, revelado três anos antes no Salão de Turim. Construído, sob licença, pelas Indústrias Romi S.A., em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, ela apresentava soluções originais até então nunca vistas pelo público brasileiro.
A Romi-Isetta tinha só uma porta, na parte frontal, com volante e painel de instrumentos integrados e de movimentação conjunta, para facilitar o acesso dos ocupantes. Econômica, fazia 25 quilômetros por litro de gasolina e alcançava a velocidade máxima de 85 km/h.
Em 1959, após o término do contrato com a Iso, chegou ao mercado a versão 300 de Luxe. Equipada com nova motorização, fornecida pela BMW, mantinha o rendimento da versão anterior, mas diferenciava-se por ter mais torque, potência e conforto. Em comparação com a geração anterior, distinguia-se também por pontuais detalhes estéticos.
Estima-se que, entre 1956 e 1961, último ano de produção, pouco mais de 3 mil unidades foram fabricadas, e por isso os exemplares sobreviventes são altamente colecionáveis.
Um formato diferente, que desperta as ligações emocionais
Carro, Arte, Design e Educação não só emprestaram suas iniciais para formar a sigla do CARDE, mas também são os pilares que representam o que esse museu genuinamente é.
O local tem ambientes imersivos, divididos de acordo com as décadas dos anos 1900, com fatos e histórias marcantes. Cada ambiente foi montado a partir de um detalhado estudo histórico para somar referências de época
O CARDE tem centenas de obras de arte espalhadas, entre quadros, gravuras, joias e até esculturas – de artistas como Candido Portinari, Di Cavalcanti, José Zanine Caldas, Frans Krajcberg, Vik Muniz, Oswaldo Teixeira, Djanira da Motta e Silva, Agostinho Batista de Freitas, Heitor dos Prazeres, José Antônio da Silva, Niccolò Frangipane e Yutaka Toyota, entre outros.
Esse acervo ajuda na construção de uma visão clara sobre cada momento da sociedade brasileira no século 20. O detalhismo do cenário, complementado pela iluminação teatral e por vídeos que misturam beleza, riqueza e informação, transformam o CARDE em algo único.
Com o intuito de tornar a visita ampla em conhecimento, o museu tem duas dezenas de monitores, jovens egressos da Fundação Lia Maria Aguiar, que estudaram em detalhes cada peça apresentada.
Eles acompanham o visitante pelo percurso, dão informações precisas e os conduzem entre automóveis, obras de arte e objetos que carregam importantes capítulos da história.

CARDE já ganhou três reconhecimentos internacionais
Mesmo recente, o CARDE já é super reconhecido internacionalmente com premiações importantes. Nos últimos dois anos, obteve três vitórias em dois dos mais relevantes eventos de antigomobilismo do mundo. Na Monterey Car Week, na Califórnia (EUA), o museu foi triplamente premiado.
Em 2025, o CARDE representou o País de forma pioneira no Pebble Beach Concours d’Elegance, um dos principais eventos de antigomobilismo do mundo. E saiu de lá com o troféu “Lap of Luxury”, que reconheceu o Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport 1928 do museu como o veículo mais luxuoso entre os participantes.
Na mesma semana, durante o The Quail, outro evento de classe internacional, a Ferrari F50 1995 levou o prêmio máximo na categoria, que celebrava os 30 anos do superesportivo.
Além da rigorosa originalidade e do estado de conservação impecável, o exemplar exposto no CARDE se destacou diante de outras 16 unidades do modelo por sua exclusividade, já que se trata do segundo de três protótipos construídos antes da produção em série do carro – que teve 349 unidades destinadas ao mercado.
Já neste ano, o carro do CARDE premiado na 75ª edição do concurso de elegância de Pebble Beach foi o italiano Isotta Fraschini Tipo 8A Cabriolet d´Orsay, de 1925, com o segundo lugar em Clássicos Europeus acima de 4.0 litros, categoria pré-guerra das mais concorridas do evento.
Serviço – Exposição Romi-Isetta 70 anos
Período: até o dia 12 de outubro
Local – Museu Carde
Endereço – Rua Benedito Olímpio Miranda, 280, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão – SP
Horários: das 10h às 18h, com entrada permitida até 16h30. Fechado às terças e quartas-feiras
Ingressos: R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia)
Site: www.carde.org
E-mail: contato@carde.org
Instagram: @carde.museu
Telefone: (12) 3512-3547
