Baic diz que não veio ao Brasil para “tentar”; marca quer repetir fenômeno da BYD
Gigante chinesa atua em mais de 130 países, já vende a Foton no País e planeja produção nacional para estar no top 5 do mercado
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A Baic chega ao Brasil com a pré-venda do Arcfox T1 nesta semana. Só que em um momento diferente daquele vivido por algumas outras marcas chinesas – como BYD e GWM, por exemplo -, que desembarcaram por aqui nos últimos anos.

Desta vez, existe uma diferença fundamental: a empresa não chega para descobrir se consegue – ou não – vender carros no país. Ela vem com a certeza de que vai vender muito.
A comparação com a BYD, a maior marca chinesa em volume no Brasil, é inevitável. Em quase quatro anos de operação relevante no mercado, a empresa que começou a ganhar projeção com o Dolphin deixou de ser novidade e se transformou em uma das maiores forças do país.
Em 2026, a BYD está no top 5 das marcas que mais vendem. É a quarta colocada, atrás de Fiat, Volks e Chevrolet, mas está à frente da tradicionalíssima Hyundai, que ocupa a quinta posição. A BYD comprou a fábrica que era da Ford em Camaçari (Bahia) e hoje tem produção nacional.
A Baic não esconde que quer fazer algo parecido.




Assim como a BYD, a Baic quer estar no top 5
A fabricante estabeleceu como meta – durante sua apresentação no Festival Interlagos – Carros – entrar no grupo das 10 marcas mais vendidas do Brasil até 2028 e chegar ao top 5 até 2030.
Para isso, pretende ter 10 produtos à venda no mercado, quer ampliar rapidamente a rede de concessionárias e começar a produzir veículos localmente.
Nesta semana, estreia com 50 pontos de vendas (as pré-reservas do Arcfox T1 começam nesta sexta-feira, 30/10) e 20 lojas físicas. Com o seguinte detalhe: os 30 pontos de vendas que não são concessionárias só puderam se tornar “lojas” depois de se comprometerem a virar oficina.
Em outras palavras, a ambição é enorme. É algo parecido com o que vimos a BYD fazer em pouco mais de três anos. Será possível ver isso acontecer de novo?

Desta vez, existe uma diferença importante entre a Baic e algumas das marcas chinesas que chegaram (ou tentaram chegar) ao Brasil recentemente: ela é enorme.
A Baic (sigla de Beijing Automotive Industry Holding Co., empresa que nasceu em Pequim em 1958 e que hoje é um dos grandes conglomerados da indústria automotiva chinesa) une operações de veículos de passeio, comerciais, componentes, serviços, financiamento e investimentos.
No portfólio da empresa estão marcas como a própria Baic, e ainda Arcfox, Foton e Stelato, além de joint-ventures com nomes que dispensam apresentação, como Mercedes-Benz e Hyundai.
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Ajuda da Foton
Em 2025, o grupo comercializou 1,75 milhão de veículos em todo o planeta. Sua receita anual supera 480 bilhões de yuans (quase R$ 390 bilhões na conversão direta), e a estrutura industrial já se espalha por mais de 30 países e regiões.
No ano passado, os veículos da Baic chegaram a mais de 130 países, enquanto as exportações atingiram 308 mil unidades. Ou seja: quando a marca fala em expansão internacional, deixa claro que não vai começar algo do zero.
E o Brasil tem uma vantagem adicional nessa história: a Foton, uma das empresas que fazem parte do grupo, já chegou por aqui.
A marca de veículos comerciais construiu uma operação antes da chegada oficial dos carros de passeio – assim como a BYD. E, portanto, já tem estrutura, rede de contatos, fornecedores, conhecimento regulatório e experiência de mercado que podem ajudar bastante.
Isso não quer dizer que Baic e Foton vão compartilhar estrutura comercial. São operações e até produtos diferentes, assim como a Stelato, marca de luxo que também pretende vir ao País.
Mas isso significa que a marca não chegou a um mercado desconhecido.

Neta e Seres não foram bem
Do outro lado, das que não deram certo, vamos citar Neta e Seres.
São bons exemplos. As marcas chegaram com produtos interessantes, preços competitivos e planos ambiciosos, mas as operações esbarraram em dificuldades que provaram como é difícil construir do zero uma estrutura de vendas, pós-venda e distribuição em um mercado grande.
A Baic diz que pode e sabe evitar esse caminho.
A empresa estreou com 50 pontos de venda e disse que pretende chegar a 150 até o fim de 2027. O plano prevê a expansão de 50 concessionárias a cada seis meses. Além disso, a Baic também fala em um novo produto a cada três meses, a partir do ano que vem. Algo parecido com o que a BYD fez em 2024, seu primeiro “ano cheio” no segmento de carros de passeio.
O primeiro carro é o Arcfox T1 e depois, ainda este ano, virá o SUV Arcfox T5. Mas vale dizer que a estratégia não deverá ficar restrita a carros elétricos: a empresa também revelou que quer oferecer veículos de diferentes segmentos e com vários sistemas de propulsão, como híbridos e até modelos a combustão. Até 2028, a intenção é ter 10 produtos no mercado.
Também vale lembrar que a Baic já decidiu que terá produção nacional. O que ainda não está definido é como isso vai acontecer: a marca ainda avalia construir uma unidade, comprar uma existente ou utilizar uma estrutura que já exista.
A ideia é fazer acontecer sem formato SKD ou CKD (como a BYD fez no começo de sua fase industrial) e começar com a importação apenas dos componentes que ainda não têm fornecedores equivalentes no Brasil – e, depois, aumentar gradualmente a nacionalização. Estratégia que lembra o movimento feito pela GWM – outra marca de sucesso no País.
Vamos fazer as contas
A conta é simples: para entrar no Top 5, a Baic estima que vai precisar superar algo próximo de 170 mil veículos vendidos por ano – aqui, tomamos como referência o desempenho da Toyota, que foi a quinta colocada no ranking de 2025.
Isso significa algo perto de 7% do mercado. É muito, não há como negar. Mas a história recente da BYD mostrou que não é impossível.
A diferença é que, quando a BYD começou a ganhar força no Brasil, ainda havia enorme dúvida sobre a ideia de carros eletrificados. Hoje, os índices mostram que esse segmento é um dos mais promissores e que deverá continuar em crescimento exponencial nos próximos anos.
E vale dizer que o cliente brasileiro já compra carro chinês sem preconceito. Já aceita elétricos e híbridos. Já vê BYD e GWM no mesmo espaço que Toyota, Volkswagen, Chevrolet, Fiat e Hyundai.
A Baic, portanto, chega em um caminho que já foi pavimentado – e que foi construído, em boa parte, com ajuda da BYD, da GWM e de outras.
A marca tem estrutura global gigantesca, uma empresa do próprio grupo já conhecida no País, rede que começa grande, fábrica já “planejada” e um cronograma agressivo de lançamentos. E esse talvez seja seu maior trunfo.
