Elétricos e Híbridos 8 min. de leitura

MG IM6: 752 cv impressionam, mas equilíbrio é o que mais chama a atenção

SUV-cupê elétrico da divisão premium da MG combina desempenho de superesportivo, direção precisa e cabine sofisticada

André Deliberato
André Deliberato

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Não é difícil fazer um carro com 752 cv de potência impressionar. É só acelerar… E o MG IM6 faz isso muito bem.

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MG IM6
Crédito: Divulgação

Na versão mais potente, que foi a que guiamos na semana passada, o SUV elétrico de quase 5 metros de comprimento acelera de zero a 100 km/h em 3,5 segundos, tem 81,7 kgfm de torque e pode facilmente encostar nos 300 km/h – embora a marca diga oficialmente que a velocidade final é de 239 km/h.

Veja só: são números que botam alguns esportivos de respeito em situação constrangedora – e aqui, vale dizer, falamos de um utilitário de mais de 2,3 toneladas.

Só que o mais interessante no MG IM6 não é a força bruta. Venha com a gente pelo texto, que vamos explicar isso com argumentos interessantes.

A proposta do MG IM6

Depois de conhecer o modelo, ficou claro que a MG não vai apenas vender um SUV elétrico rápido. A ideia, de fato, parece ser botar, na mesma prateleira, desempenho, tecnologia, muito conforto e uma dose de sofisticação suficiente para justificar a entrada da divisão IM no território das marcas premium.

Nesse sentido, o MG IM6 é um produto bem mais interessante do que sua ficha técnica sugere.

O primeiro contato acontece com um carro que é realmente grande. São 4,90 metros de comprimento e longos 2,95 metros de entre-eixos (apenas 4 cm a menos que o de uma Fiat Toro). Dimensões que ficam, de certo modo, escondidas nas imagens devido às proporções arredondadas e ao desenho de SUV cupê.

Ao vivo, o carro é bem grande. E impõe respeito.

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MG IM6
Na foto nem parece, mas o MG IM6 é bem grande: tem quase 5 metros de comprimentoCrédito: Evandro Enoshita/WM1

O visual, porém, não é exatamente uma aula de originalidade. Há elementos que lembram outros carros elétricos modernos, especialmente pela dianteira fechada com faróis estreitos e também pelo teto que desce suavemente em direção à traseira.

É bonito, elegante e bem resolvido, mas não necessariamente tem a personalidade visual de um Porsche ou de um BMW. Mas talvez isso seja proposital.

A IM parece querer vender uma ideia de luxo tecnológico, e não o luxo tradicional. E, no interior, isso fica ainda mais evidente.

A cabine é dominada por uma enorme tela de 26,3 polegadas que praticamente atravessa o painel – há ainda outro display de 10,5 polegadas no console central. A primeira impressão é de modernidade. A segunda é de que alguém exagerou.

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MG IM6
MG IM6Crédito: Divulgação

Na prática, senti falta de botões físicos, ainda que fossem só aqueles dois mais importantes: o de ligar e desligar o ar-condicionado e um “Power” para o – ótimo – sistema de som.

A qualidade dos materiais também ajuda a sustentar a proposta premium. O acabamento é bom e há preocupação evidente com isolamento acústico, incluindo os vidros laminados – que são duplos. O sistema de som também é excelente.

O MG IM6 substitui vários comandos físicos por interfaces digitais, inclusive no console. É bonito de ver e impressiona quem entra no carro pela primeira vez, mas nem sempre significa facilidade de uso.

Em um segmento no qual marcas premium passaram anos desenvolvendo ergonomia para que o motorista pudesse operar funções sem tirar os olhos da estrada, botar tudo em uma tela que faz o motorista olhar para o console nem sempre é evolução. Ao menos os comandos que são necessários durante a condução respondem bem.

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E como anda?

Mesmo com o centro de gravidade mais alto, algo tradicional em um utilitário, o MG IM6 entra bem nas curvas e mantém a carroceria sob controle. As acelerações em saída de curvas são previsíveis, e a eletrônica faz um trabalho importante para manter o carro equilibrado.

Isso é particularmente interessante porque falamos de um SUV bem pesado e, ao mesmo tempo, extremamente potente. Quer uma dica? Se você for acelerar, recomendamos colocar no modo “Sport”. A direção fica mais justa e todo o conjunto se prepara para a tocada mais nervosa.

Essa direção, aliás, não é exatamente um ponto alto se você rodar no modo standard ou no de recuperação de energia, pois transmite pouca informação sobre o que acontece entre os pneus e o asfalto.

Para quem quer envolvimento ao volante, portanto, o MG IM6 não tem a mesma “personalidade” – por assim dizer – de um Porsche, por exemplo. É eficiente, rápido e muito competente, mas não tão comunicativo.

Já a suspensão trabalha constantemente para controlar os movimentos da carroceria. E tem um recurso que ajuda a disfarçar o tamanhão: a chamada “direção nas quatro rodas” – isso significa que o eixo traseiro também esterça.

Em baixas velocidades, as rodas traseiras viram no sentido contrário das dianteiras para diminuir o raio de giro. Em velocidades maiores, acompanham o movimento da frente para aumentar a estabilidade. Na versão que dirigimos, que será a mais completa (e mais cara), ainda há um ajuste pneumático, que é feito de forma super eficiente.

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MG IM6
MG IM6Crédito: Divulgação

Essa versão mais potente usa dois motores elétricos, um em cada eixo, bateria de 100 kWh e arquitetura elétrica de 800 Volts. O resultado é uma combinação que impressiona no papel e, principalmente, na prática.

Só que há uma ressalva importante: potência demais pode ser um número bonito na teoria, mas é pouco relevante para quem só roda no trânsito. Ou seja, certamente poucos donos de MG IM6 terão a oportunidade de explorar esses 752 cv.

Mas, calma. O MG IM6 também terá uma configuração menos potente, com bateria de 75 kWh e motor traseiro de 295 cv, que é mais racional para quem pretende usar o SUV como “daily” – um carro usado todos os dias. Essa versão também é bem esperta: faz de zero a 100 km/h em 6,4 segundos e tem autonomia homologada pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro de 348 quilômetros.

E isso é importante porque o MG IM6 chega ao Brasil com uma missão maior que simplesmente vender: será a vitrine tecnológica da divisão premium.

No restante, o MG IM6 tem uma cabine bastante sofisticada, silenciosa e tecnológica. Há recursos avançados de assistência à condução, câmeras, sistemas de prevenção de colisões e até funções curiosas, como a de memorizar um trajeto (de até 100 metros) e refazê-lo de forma em marcha a ré em determinadas situações.

É aquele tipo de tecnologia que parece exagerada… Até o dia em que você precisa e ela se torna útil. E talvez esta seja a melhor maneira de definir o MG IM6.

Video: ELÉTRICO com ALMA DE ESPORTIVO: o MG Cyberster é tudo isso mesmo? ⚡

A experiência que consultamos em sites especializados internacionais reforça essa impressão. Avaliações fora do Brasil destacam o rodar suave, o bom controle da carroceria em velocidades mais altas e a capacidade de fazer curvas sem apresentar movimentos excessivos que poderiam ser esperados de um SUV desse porte.

Também aparecem críticas semelhantes às observadas por aqui: direção pouco comunicativa e sistemas eletrônicos bem presentes quando o carro é levado ao limite.

O grande ponto de interrogação continua no caso do uso cotidiano brasileiro. Ainda não há preços – isso deve ser revelado esta semana, na quinta-feira. E pode mudar tudo.

Também vale fazer testes mais longos para saber como a suspensão vai lidar com nossas ruas em más condições, ou como será conviver com um carro desse tamanho em garagens apertadas, em vagas pequenas de estacionamentos e no próprio trânsito urbano. Também falta saber como será a experiência de recarga na prática.

Mas existe uma conclusão: o MG IM6 não é só um SUV elétrico com 752 cv criado para gerar manchetes. É uma tentativa bem relevante de mostrar que a MG pode “subir de patamar” e enfrentar carros de marcas premium.

Resta saber se os preços serão capazes de fazer o cliente acreditar que comprou algo especial – e essa é a avaliação mais importante que ainda falta fazer no IM6.


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André Deliberato

Escrito por André Deliberato

Editor-assistente

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