Comparativo: MG4 Urban Comfort x Geely EX2 Max
As diferenças começam no tamanho
Apesar de custar exatos R$ 6.810 a menos, o MG4 Urban é maior. E por uma ampla folga. São 4,39 metros de comprimento, 1,84 metro de largura, 1,54 metro de altura e 2,75 metros de entre-eixos. Um típico hatch médio. Maior, inclusive, que o - mais caro - MG4.É um projeto bem recente, que estreou lá na China no segundo semestre de 2025 e, apesar da origem britânica da marca e da bandeira do Reino Unido na tampa do porta-malas, é um típico chinês, produzido em Nanjing. Até o fim de 2026, o modelo será montado na unidade industrial do Polo Automotivo do Ceará (PACE), em Horizonte (CE).
Já o Geely EX2 tem 4,13 metros de comprimento, 1,80 metro de largura, 1,58 metro de altura e 2,65 metros de entre-eixos. Lançado no final de 2025 no mercado brasileiro, é um verdadeiro best-seller: um dos elétricos mais vendidos na China e o terceiro carro a bateria mais emplacado no Brasil em 2026. E, assim como o adversário da MG, esse também será nacionalizado, com montagem na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais (PR).
Espaço interno: uma briga de centímetros
O EX2 é bem espaçoso. Fiz o teste prático e, com o banco do motorista ajustado para mim, sobram pouco mais de 30 cm dos meus joelhos até o encosto do assento dianteiro. É claro que contribui o fato de eu ter 1,65 metro de altura. Mas já vi carros maiores com espaço menos generoso para as pernas.Sem contar o assoalho plano, que permite deslocar os pés sem encontrar maiores dificuldades. E o porta-malas também é bem amplo: 375 litros no bagageiro traseiro e mais 70 litros no bagageiro frontal, sob o capô - apelidado de "fronta-malas" pela Geely.
Já no MG4 Urban você encontra uma cabine até mais espaçosa. No banco traseiro e com o banco do motorista posicionado para o meu ajuste, sobrou um vão de uns 35 cm entre para o encosto do assento. Apesar do vão livre para o teto ser muito parecido nos dois modelos, o MG também tem alguns centímetros adicionais na largura. Em outras palavras: três pessoas viajam no banco traseiro com mais folga do que no já espaçoso EX2.
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Em acabamento, os dois modelos são bem equivalentes. Com um pouco mais de plásticos rígidos do que nos acostumamos a ver nos automóveis chineses, embora um tanto mais caprichado que o padrão dos compactos nacionais.
Mas o Geely ainda fica um pouco à frente. Além dos bancos de couro nessa versão Max, tem um layout mais refinado tanto para o quatro de instrumentos - de 8,8 polegadas - quanto para a multimídia, de 14,6 polegadas. Por outro lado, o espelhamento do smartphone exige o uso de um cabo USB.
Já o MG4 Urban é condizente com a proposta de uma versão de entrada nessa configuração Comfort. Cabine quase monocromática preta e sem a opção de bancos de couro, embora com tecido bem agradável ao toque. As telas são menores que as do EX2 - sete polegadas para o quadro de instrumentos e 12,8 polegadas para a multimídia -, e também tem um layout um pouco menos refinado.
Por outro lado, há espelhamento sem fio para o smartphone e o painel tem um estilo mais sóbrio e mais próximo ao do padrão de um automóvel convencional. Particularmente, gostei mais do interior do MG.
Equipamentos de série: conforto x tecnologia
Tanto o MG4 Urban quanto o EX2 Max são carros bem equipados. Mas o Geely tem mais equipamentos de conforto e comodidade, enquanto o MG é mais recheado de itens tecnológicos e tem um pacote ADAS mais robusto.Entre os itens que o Geely tem a mais em relação ao MG estão o carregador de celular por indução, iluminação decorativa para a cabine com 256 opções de cores, o banco do motorista com ajustes elétricos, revestimento interno em couro e câmera 360°.
Já o MG4 Comfort tem a mais o ar-condicionado automático, sete airbags - frontais, laterais, de cortina e central-dianteiro - a multimídia com espelhamento sem fio, além de um pacote ADAS mais completo, com direito a itens ausentes no Geely como o assistente de centralização, a manutenção em faixa e o monitor de pontos cegos.
Mecânica: um dos dois é mais potente e vai mais longe
O MG4 Urban Comfort é equipado com um motor elétrico dianteiro - de 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque - e uma bateria de 42,8 kWh, que é compatível com carregadores rápidos DC de até 82 kW.Com esse conjunto, o MG acelera de zero a 100 km/h em 9,6 segundos, chega a 160 km/h e roda até 299 quilômetros (ciclo PBEV) sem parar para carregar. A suspensão é McPherson na dianteira e por eixo de torção na traseira, e há freios a disco na dianteira e na traseira.
Apesar do conjunto motriz elétrico traseiro menos potente - de 116 cv de potencia e 15,3 kgfm de torque -, o EX2 compensa o conjunto motriz menos parrudo com um peso também menor - são 1.300 quilos ante os 1.422 quilos do MG - para oferecer números de desempenho bem próximos: zero a 100 km/h em 10,2 segundos e 140 km/h de velocidade máxima.
Equipado com uma bateria de 39,4 kWh - que é compatível com carregadores rápidos DC de até 70 kW -, roda até 289 quilômetros (ciclo PBEV) sem parar para carregar. A suspensão é McPherson na dianteira e multilink na traseira, e há freios a disco na dianteira e na traseira.
Rodando com MG4 Urban e Geely EX2
Esse é outro ponto em que o Geely é bem diferente do MG.O MG tem perfil mais estradeiro, com bom isolamento acústico mesmo em velocidades mais altas e mais fôlego que o Geely nas retomadas em alta velocidade. Mas o que faz diferença mesmo é a direção com bom peso e - principalmente - uma suspensão mais adequada ao gosto do brasileiro: ainda bastante confortável, mas sem o comportamento molenga de alguns conterrâneos.
Gostei também da calibragem dos assistentes de direção do pacote ADAS - que não são invasivos em excesso -, embora mantenha aquele padrão dos modelos chineses de puxar a orelha do motorista por meio de alertas sonoros a cada mínimo desvio de conduta.
Achar uma posição adequada de direção também é facilitado pelo fato de o MG4 Urban ter ajuste de altura e profundidade. A ergonomia, aliás, é um ponto forte do modelo, que tem uma presença maior de comandos físicos do que eu esperava ver em um automóvel de origem chinesa. Talvez seja a influência do DNA britânico da MG.
Só não é perfeito pelo fato de algumas funções - como o comando dos faróis - estarem escondidas em menus na multimídia. O que exige um tempo maior de adaptação para o motorista dominar o básico.
Já o Geely EX2 também vai bem - para um elétrico - no uso rodoviário. É igualmente silencioso e tem uma direção com bom peso, embora a suspensão mais macia que a do MG4 Urban seja mais agradável para superar buracos e ondulações nas vias urbanas que na tarefa de contornar curvas em altas velocidades.
Mas a vocação do EX2 é urbana. Além da suspensão bem macia, o motor mostra fôlego mais adequado na cidade - com arrancadas que impressionam mais que o desempenho em retomadas acima dos 100 km/h.
O EX2 também tem tração ,traseira que faz com que o carro tenha um ângulo surpreendente de esterço das rodas dianteiras, permitindo fazer manobras em espaços bem apertados. E o pacote ADAS tem apenas o controlador adaptativo de velocidade e a frenagem automática, deixando de fora o assistente ativo de manutenção em faixa.
Não é difícil achar uma posição ideal para guiar, já que o banco é bem confortável e entrega muito conforto mesmo após algumas horas ao volante. Só senti falta mesmo da regulagem de profundidade da coluna de direção para fazer aquele ajuste fino no posto de pilotagem.
E mesmo com menos botões físicos que no MG4 Urban, o Geely é mais intuitivo. Tem comandos físicos para os faróis - raridade entre os chineses mais novos - e para os retrovisores, além de controles do som e do controlador adaptativo de velocidade no volante. E todo o restante está na multimídia, mas em menus claros e atalhos que facilitam o processo de adaptação ao carro.
Aliás, uma coisa que eu senti falta no EX2 foi o ar-condicionado automático. O sistema manual funciona em um "modo Frozen" ou em um "modo Saara". Não há meio termo. Tanto que me vi obrigado a desligar a climatização de cabine em algumas ocasiões.
Algo que eu raramente faço, já que mesmo no meu automóvel pessoal eu costumo circular quase 100% do tempo com o ar-condicionado gelando a cabine.
Custos e garantia
O MG4 Urban tem um plano de manutenção que prevê revisões a cada 12 meses ou 24.000 quilômetros rodados. Para os cinco primeiros serviços, o custo somado é de R$ 3.941. A garantia é de sete anos ou 150.000 quilômetros para o veículo e de oito anos ou 160.000 quilômetros para a bateria motriz.Já no Geely EX2 o plano de revisões prevê paradas obrigatórias a cada 12 meses ou 20.000 quilômetros, com um custo de R$ 4.204 para os cinco primeiros serviços. A garantia do veículo é de seis anos ou 150.000 quilômetros, enquanto a da bateria motriz é de oito anos ou 150.000 quilômetros.
Aliás, no que se refere ao tamanho da rede, tanto a MG quanto a Geely fecharam o primeiro semestre com 40 lojas em operação no Brasil. E as duas fabricantes estão investindo na expansão do seu alcance.
Até o fim do ano, a Geely quer atingir 90% de cobertura do mercado nacional, enquanto a MG quer fechar 2026 com 70 concessionárias em operação em todo o país.
Conclusão
O MG4 Urban é o vencedor desse comparativo. É mais barato, tem conjunto motriz mais potente e com autonomia mais longa, mais espaço interno e lista de equipamentos mais recheada. Inclusive, o hatch da MG se mostrou um carro bastante versátil, combinando características de um bom automóvel urbano com a aptidão para encarar bem a estrada.Mas isso não quer dizer que o Geely EX2 não possa ser uma excelente opção. Principalmente se a ideia é ter um carro para rodar sempre na cidade. Nesse perfil de uso 100% urbano, o Geely é até mais adequado que o MG4 Urban, oferecendo bom espaço interno e conforto na rodagem, combinado com um prático bagageiro dianteiro e a facilidade de manobras em espaços apertados.
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