Barulhinho bom?

Ouvir rádio no carro nem sempre é benéfico. Saiba como usar a música a seu favor
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Adriana Bernardino
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- Quase todo dia é quase a mesma coisa. Há pessoas que entram no carro, ligam o rádio e escutam as notícias da manhã: trânsito intenso, rebeliões, seqüestros, assassinatos, desmatamento, guerras, juros altos. Tudo isso temperado com promessas de efusivos políticos em campanha eleitoral.

De outro lado, há os que fogem desse resumo caótico do mundo ouvindo músicas em volume tão alto que serve de trilha sonora até para os veículos ao redor, ou em nível suficiente para interromper o contato com os outros ocupantes do carro e com os sons externos.

Tanto para o primeiro quanto para o segundo caso, é importante estar atento aos excessos.

O filme Quem Somos Nós What the Bleep Do We Know?, 2004, que relaciona física quântica ao cotidiano, retrata, entre muitos outros conceitos, a experiência do cientista japonês Missuro Imoto. Ele colocou em garrafas de água etiquetas com palavras como “amor”, “ódio”, “obrigado”, e submeteu outras garrafas com água ao som de diversos tipos de música, como heavy metal foto 1 e Variações Goldberg, de Johann Sebastian Bach foto 2. As fotos microscópicas da água provam, segundo Imoto, que as diferenças na estrutura molecular da água são provocadas pela força do pensamento ou intenção.

A partir desse estudo, Imoto vai mais longe. “Se pensamentos fazem isso com a água, imagine o que podem fazer conosco?”, questiona o cientista, levando em conta o fato de que o corpo humano é composto em sua maior parte por água.

Por esse motivo, a psicóloga Maria do Carmo Marques Torres não indica às pessoas que têm tendência à depressão ou síndrome de pânico ouvir ou ver noticiários. “Com minha experiência de consultório, percebo que esse tipo de informação deixa as pessoas desesperançadas, presas no negativo. Informar-se de notícias negativas é trazer o negativo para dentro de nós”, alerta.

Se o objetivo é manter-se informado sobre o que se passa no mundo, é bom ficar atento ao modo como o noticiário influencia seu modo de ver o mundo. “Você não precisa se tornar um alienado”, diz Torres, “mas não deve permitir que as notícias sobre fraudes, roubo, morte etc. o impeçam de acreditar e fazer um mundo melhor”.

Para a fonoaudióloga e coordenadora do curso de musicoterapia do Instituto Superior de Música do Rio Grande do Sul, Anelise Junqueira Bohnen, o aspecto que merece maior atenção é a altura do som, que pode tirar a atenção e, em certos casos, comprometer a audição dos ocupantes do veículo.

“Como musicoterapeuta, não acho apropriado indicar esse ou aquele estilo de música para determinada emoção, já que o que é agradável para uma pessoa pode ser odioso para outra; mas considero importantíssimo alertar sobre os efeitos do volume. Além de impedir que o motorista se guie pelos ruídos – como buzinas, apito de guarda, barulhos no próprio carro etc. –, ouvir som alto e por tempo prolongado pode comprometer seriamente a audição”, explica Anelise.

A mesma opinião tem o músico e piloto Julio Carone. “A música não deve impedir o contato com o mundo exterior. Para dirigir com segurança é preciso estar ligado ao que acontece à sua volta, isto é, o motorista deve estar preparado para o imponderável. Quando a pessoa está muito entretida com a música, que é sempre algo muito agradável, perde a capacidade de reagir”, diz.

Segundo Carone, o volume passa a ser agressivo ao ouvido quando está acima de 87 decibéis. “Para entender melhor como o excesso de música, mesmo boa, pode prejudicar o motorista, basta comparar o ato de ouvir música ao de comer. Ouvir exaustivamente e em volume muito alto é como continuar comendo mesmo depois de satisfeito. A pessoa vai se sentir mal e prejudicar sua saúde. Quando mais alto a pessoa ouve mais ela perde a capacidade de ouvir, pois sempre vai querer ouvir mais e mais alto”, diz Carone.

O músico e compositor Luciano Garcez, que coordena uma orquestra de música barroca com adolescentes da periferia, acredita que a música influencia diretamente a forma como dirigimos. “Músicas que tenham a pulsação muito acelerada alteram o organismo, fazendo, por exemplo, com que você dirija mais rápido. Ao passo que as músicas erudita, barroca, popular, instrumental ou bossa nova, por exemplo, tendem a deixá-lo mais concentrado e atento ao que acontece dentro de você mesmo e ao redor. Dependendo da música que estamos ouvindo também podemos ficar mais corteses ou intolerantes no trânsito”, afirma Garcez.

Para garantir um percurso tranqüilo e feliz uma boa opção é escolher uma trilha sonora que traga boas recordações, e, de preferência, em um volume que não seja agressivo aos seus ouvidos.

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