Conheça a evolução do Trio Elétrico

De Ford 29 a Truck Show, a história dos palcos baianos
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- Carnaval, o mais aguardado dentre todos os feriados do ano. Também pudera, são 4 dias de folia. Bem, para alguns. Para outros, é o ponto alto do faturamento anual, como o pessoal do Trio Elétrico, que invadem ruas de diversas cidades deste Brasil. O Portal Antigo Motors aproveitou o ensejo para vasculhar como de um carro antigo surgiu o caminhão todo equipado que hoje é num palco de última geração ao ar livre.

Festa é festa na Bahia. Remontemos aos anos de 1950, quando os blocos saiam com seus instrumentos tocando pelas ruas e os populares juntavam-se à farra. Os engenhosos Dodô & Osmar Adolfo Nascimento e Osmar Álvares Macedo foram os responsáveis por levar um carro especial para incrementar essa alegria. No início da década de 1940, o eletrotécnico Dodô criou o “pau elétrico”, mais adiante aperfeiçoado para “guitarra baiana”, seguindo os mesmos princípios da guitarra elétrica, porém aplicados a um bandolim. Acontece que o instrumento e o trio elétrico estão para a roda e pneu, um não existe sem o outro.

Da experiência com eletrônica e música, a dupla baiana alojou num Fordinho Bigode amplificadores, instrumentos e alto-falantes. Não se pode dizer que foi exatamente um sucesso os primeiros quilômetros daquele domingo de Carnaval. Mas não é que depois os foliões foram se acostumando pediram bis nos dias seguintes? Porém a Fobica, apelido dado ao carro velho de Osmar para transportar ferro, não aguentou bem o tranco. Lá pela metade do trajeto já havia queimado o disco de embreagem, perdido o freio e o motor estava desligado. “Era o público quem empurrava o carro”, disse ele em uma entrevista. De acordo com a apuração do Antigo Motors, hoje a Fobica repousa no Museu da Música, no Parque Metropolitano do Abaeté, em Salvador.

A denominação de trio elétrico veio em 1951, quando a dupla Dodô & Osmar convidou o amigo músico Temístocles Aragão para acompanha-los a bordo de uma picape Chrysler Fargo, com luzes piscantes, que chegou desgastada, porém inteira ao trecho final. Nos anos seguintes foram surgindo outros blocos, outros “trios”, incrementando instrumentos, como o Tapajós, pioneiro a dispor de microfone que ajudava com os “achados e perdidos”. No entanto, foi marcante por ser também o primeiro com uma grande estrutura, embrião dos atuais.

Na década de 1970, com a volta do musico Caetano Veloso do exílio político, seus conterrâneos lhe prestaram homenagem. Batizaram o primeiro trio elétrico rodeado de alto-falantes e aquele que ousou brincar com o design, assemelhando-se a uma nave espacial.

Para o Portal Antigo Motors, “não houve uma evolução programa, foi crescendo conforme necessidade. Era tudo adaptado, feito com o que se tinha a disposição”. Durante os anos de 1980, o Carnaval na Bahia começou a se profissionalizar como contratando engenheiros que estudavam como projetar o som a quilômetros de distância. O pioneiro a usar cornetas especiais foi o trio “Trás dos Montes”, que também dispunha de todos os apetrechos para uma banda completa fazer o show.

Antes da abertura das importações, o modelo de caminhão dominante nesse cenário era o Mercedes-Benz 1313. Para suportar as necessidades de peso e tração, era composto por 3 eixos e não 2 como eram de linha. Com a abertura dos portões, a hegemonia mudou. Alguns artistas e produtores trocaram por outras marcas e trouxeram soluções de fora, como a plataforma em forma de prancha conectada a um cavalo mecânico. Sistema usado ainda hoje, porém com mais recursos, por quase todos os grandes palcos sobre rodas.

Os recentes trios elétricos possuem elevadores, camarins, bares, salas e até unidades médicas. Chegam a ser controlados via wi-fi através de tablets. Pesam em média 15 toneladas, com altura de 4 metros limitados pelos fios elétricos e 3,5metros de largura parâmetro das ruas, por 25 metros de comprimento. O consumo elétrico estimado seria suficiente para uma cidade de pouco mais de 1200 habitantes.

Para comemorar os 50 anos do trio elétrico em 2000, o bloco “Dodô & Osmar”, comandado pelos filhos de Osmar, levou para a avenida o incrível “Trio Fobicão”, inspirado no precursor Fordinho. Hoje as famílias de Dodô & Osmar seriam das mais ricas do país se tivessem patenteado suas criações, tanto do trio elétrico como o “pau elétrico”. Mas fazer o quê se para eles a graça estava em compartilhar alegria e não fazer dinheiro com ela?



Para baixar mais fotos exclusivas deste incrível exemplar, acesse a página do Antigo Motors:antigomotors.com.br.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors

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