Ford Seattle: parece o carro dos Thunderbirds

Veículo futurista trazia tecnologias como célula combustível, computador de navegação e sistemas automáticos de pilotagem
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Marcos Camargo
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- Como tentativa de prever o futuro, a Ford foi longe, muito longe, no ano de 1962. Durante a Ford´s Fair, realizada em Detroit, a empresa mostrou um veículo que incorporaria todas as tecnologias que na época ainda estavam restritas aos laboratórios.

O Ford Seattle-ite XXI era apresentado para o público como a tendência dos automóveis no século seguinte. A principal novidade era a motorização. Ao invés de um grande propulsor V8, um motor com célula combustível, movida a fusão nuclear, vista como fonte segura e viável de fonte energética.

O prospecto que era entregue no evento de apresentação trazia pérolas como “os designers não estão mais limitados a sonhar com desenhos ou estilos. A liberdade não teve limites para chegarmos a um automóvel de concepção avançada”, dizia. De fato, o Seattle-ite XXI, era uma pérola do design, mesclando estilo espacial com os pesados cromados da época e a inconfundível identidade dos carros norte-americanos: grande com carroceria full size.

“O estilo do Seattle-ite XXI, com seus variados recursos do futuro, nos conduzem a um novo conceito de conforto e segurança”, terminava o folheto. E com razão.

Na parte da frente, aletas que percorriam a lateral até a parte de trás e dividiam o carro em “duas partes”. O habitáculo tinha um vidro do tipo bolha de várias camadas de proteção, que deslizava para trás, dando acesso ao interior. Na parte traseira, ficavam alguns detalhes de gosto discutíveis formando um “Y” invertido, além de quatro saídas de escapamento. Um exagero só.

Mas nem só de design viveu o Seattle-ite XXI, que apresentou várias inovações tecnológicas que ainda nem sequer haviam sido aplicadas.

Sua direção tinha quatro pneus finos com um novo sistema de direção hidráulica para facilitar as manobras, principalmente nas cidades. Os dois eixos também tinham dupla tração e todo o mecanismo era monitorado eletronicamente.

O carro tinha uma espécie de GPS, solução apresentada na mesma época pelo Ford Aurora. A novidade, chamada de “Fingertrip”, era um computador baseado em um sistema infravermelho que indicava o caminho a ser seguido numa tela, como os radares primários de avião.

Seu painel era incrivelmente aerodinâmico e suas tendências aparecem em carros-conceito até hoje. Os bancos tinham pequenas almofadas formando um conjunto único e um encosto era firmado na carroceria do automóvel, além de um console central onde estariam todos os comandos numa tela de TV cheia de botões laterais. O volante seria um joystick e o câmbio, automático, é claro.

O carro, embora trouxesse inúmeras novidades, ficaria inviável pelo seu altíssimo custo. As novidades viriam mesmo, paulatinamente, nas décadas seguintes.

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