Lei seca para direção

Mais severa, nova legislação pode modificar comportamento de baladeiros
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Adriana Bernardino
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- No caminho das políticas públicas que vêm sendo adotadas em várias partes do mundo, a legislação brasileira de trânsito divulgou, na sexta-feira 20, limites mais rígidos para o motorista que for flagrado dirigindo sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa.

As punições incluem Carteira Nacional de Habilitação CNH suspensa por doze meses, multa de R$ 957,70, além da retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e o recolhimento do documento de habilitação.

De 0,6 gramas de álcool por litro de sangue antes permitidos pelo Código Nacional de Trânsito equivalente a beber duas latas de cerveja, a nova Lei reduz para 0,2 decigramas por litro de sangue e de um décimo de miligrama por litro de ar expelido dos pulmões equivalente a não beber nada.

O teor de 0,2% não significa tolerância, mas uma margem de erro pensada para evitar conflitos em relação ao uso de medicamentos ou exceções como no caso de quem sofre de ocidose diabética e exala substância semelhante ao álcool.

Mitos e verdades - Quem comer bombom de licor, tomar florais de Bach diluídos em conhaque ou fazer bochecho com anti-séptico bucal – para ficar nas especulações que tem rondado os e-mails na última semana - pode sofrer as punições prevista na Lei? Pode. Isso porque, segundo esclareceu a assessoria de imprensa da Abramet Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, o que determina o teor e efeito de cada substância no indivíduo é o tipo físico do condutor, como altura e peso.

Vício internacional - Mel Gibson, Paris Hilton e seu irmão, Daina Ross, Richard Sambora guitarrista do Bon Jovi são alguns dos nomes que encenaram escândalos relacionados à mistura de bebida alcoólica e direção nos últimos tempos. Incidência que faz pensar o dirigir embriagado não apenas como um problema dos países em desenvolvimento.

A situação é tão séria que a Comunidade Européia instituiu um Plano de Ação Europeu sobre o Álcool. A tendência e objetivo é que as penas fiquem cada vez mais severas.

Na França, país cujo consumo de álcool é a primeira causa de mortes nas estradas, os condutores embriagados que reincidirem no flagra terão o veículo apreendido e instalação obrigatória de bafômetro no carro, impedindo-o de dar a partida antes de fazer o teste. A Lei prevê também proibição de venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina e instalação de bafômetros em danceterias.

Saída à direita - Diante do novo panorama, adeptos do happy hour e “baladeiros” de plantão buscam soluções para respeitar a Lei sem perder a diversão. O administrador de rede Eduardo Guassaloca, 26, acredita que as saídas noturnas vão ficar mais complicadas. “O jeito é sempre pegar uma carona. O motorista vai ter de beber qualquer coisa que não tenha álcool. Eu e meus amigos sempre fizemos isso. Quando íamos às baladas, quem estava dirigindo não bebia álcool ou, no máximo, uma lata de cerveja”.

Depois de passar uma temporada nos Estados Unidos, a executiva de contas Alessandra Mariano, 27, diz estar disposta a seguir a Lei, mas teme a postura da fiscalização brasileira. “No tempo que vivi fora, nunca bebia antes de dirigir, pois os policiais são incorruptíveis. Será que aqui não teremos policias que ficarão próximos aos bares justamente para extorquir dinheiro?”.

Revezar com o marido é a opção da analista de marketing Bruna Botelho, 28. “Combinamos um rodízio. Ou eu ou ele. Sei que vou sair ‘perdendo’ nessa, mas assim não corremos riscos de perder a vida nem a CNH”.

O estatístico, Guilherme Mitne, 25, também não acha a situação tão complicada. “Já dirigi carro de pessoas que estavam mal. Eu tinha tomado também, mas estava em condições muito melhores do que o dono do carro. Isso foi antes dessa Lei. O negócio agora é não beber e pronto, pegar táxi ou revezar com amigos”.

Vou de táxi - Para o assessor da presidência do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Giovani Romano, a expectativa com a nova legislação é de que haja crescimento nas corridas noturnas. “Em uma cidade como São Paulo, com forte apelo de entretenimento e deficiência de transporte público, a tendência é de haja um aumento de 5% a 10%. Entretanto, é muito cedo para afirmar, não há ainda nenhum indício que aponte para esse resultado”, diz Romano.

Se depender do administrador Luiz Pessanha, 23, a expectativa dos taxistas se concretizará. "Passarei a ir aos lugares de táxi, pois não costumo ir a bares e baladas muito distantes da minha casa. Outra opção seria eleger um amigo para não beber e ficar responsável pela direção. Essa opção é um pouco mais complicada, pois a maioria dos meus amigos tem o hábito de consumir bebida alcoólica; isso sem falar no inconveniente de ter de buscar ou deixar cada um dos amigos em diferentes pontos da cidade. Para algumas pessoas, entretanto, a solução não será tão simples, uma vez que o custo de pegar um táxi não é dos mais baixos. Além disso, contamos com uma infra-estrutura ruim de transporte público, que, além de precária, é mais perigosa à noite".

Mesmo com os inconvenientes, para Pessanha, a Lei é bem-vinda. "Apesar de as mudanças parecerem chatas e custosas, a sociedade ganha como um todo. Com o fim da impunidade e mais responsabilidade no trânsito, acidentes deixarão de acontecer e muitas vidas serão poupadas".

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