O brasileiro que ganha a vida acelerando superesportivos

Marco Diniz é pago para pisar fundo em carros como Viper e Charger. Ele dá a receita pra chegar lá
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Adriana Bernardino
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Em 1994, uma capa de revista mudaria radicalmente a vida do engenheiro mecânico Marco Diniz. Nela estava estampado um Viper, superesportivo fabricado pela divisão Dodge da Chrysler que fascina fãs de carros do mundo todo. Como a maioria desses fãs, ele sonhou em ter um exemplar na garagem, mas não só isso. Marco se colocou uma meta pretensiosa: um dia fazer parte da história do carro. Obstinado, o engenheiro conta como saiu do sonho para a concretização de seu objetivo.


Desde criança, ele era apaixonado por carros e louco por velocidade. Até aí, um clichê do típico menino brasileiro. Marco Diniz, porém, antes mesmo dos dois anos de idade, dava pistas de que avançaria os sinais do previsível. “Eu mal sabia falar e já apontava para os carros na rua e balbuciava o nome dos modelos”. Antes dos quatro, assistia às corridas de Fórmula 1 com o pai. E antes de saber o que era uma profissão já tinha decidido que trabalharia na indústria automobilística.


Cresceu, formou-se em engenharia mecânica e conseguiu um emprego na Volvo. Parecia que o projeto de uma vida estava realizado. Isso até ver, em 1994, a capa de uma revista com um Dodge Viper. Naquele momento, a história profissional e pessoal do engenheiro ganharia outro rumo. “Olhei pra revista e pensei: um dia, vou trabalhar nesse carro”.


Destino: Viper


Se a receita do sucesso costuma ser uma combinação entre “saber fazer a hora” e “esperar acontecer”, Marco acertou ‘na mão’. No final de 1997, quando a Chrysler oficializou que montaria uma fábrica em Campo Largo (PR), ele tratou de conquistar sua vaga. Era o primeiro passo para chegar perto do Viper, mas não o derradeiro. Depois de dois anos trabalhando em território nacional, ele juntou US$ 2 mil e mudou-se com a mulher e a filha para Detroit, nos EUA.


Começava, novamente, o tempo de semear. Entre 2001 e 2005, o paranaense nascido no Rio de Janeiro trabalhou como engenheiro de carroceria exterior em picapes como RAM e Durango. Até que no início de 2006, 12 anos depois de sua primeira visão do Viper, ele conseguiu entrar para equipe do superesportivo.


“Eu cuidava da parte exterior e da aerodinâmica, mas tinha a sorte de estar mais próximo do pessoal que trabalhava no acerto, na direção e fazia os testes em alta velocidade. Perguntei para eles ‘como é que eu chego lá?’ Esse era o limite máximo do meu sonho. Ocupar um função em que eu pudesse dirigir o carro com uma certa frequência”.


Caminho das pistas


O chefe da equipe deu as diretrizes. “Ele me disse ‘você tem que correr por sua conta, não abra mão do kart. Estude dinâmica veicular, aprenda o que afeta no carro quando você faz qualquer modificação nele”. Marco seguiu as recomendações à risca: comprou vários livros e estudou obstinadamente. Ao mesmo tempo, começou a competir de kart e autocross (corrida feita dentro de um estacionamento). Ganhou habilidade, experiência, controle do carro e... campeonatos. Em 2009, o grande momento havia chegado: ele se tornaria um engenheiro de Dinâmica Veicular da marca SRT (Street and Racing Technology).


Uma semana antes do Salão do Automóvel de SP, evento em que esteve ao lado de carros que trabalhou diretamente no projeto – as versões SRT do Viper (responsável por escolher os pneus e aprovar a calibração dos amortecedores), do Jeep Grand Cherokee (desenvolvimento do SUV do começo ao fim) e do Charger (acerto da suspensão) – o engenheiro e mais dois pilotos realizaram um teste de quatro dias dirigindo o Viper GTS por 24 horas.


Com nova carroceria feita de fibra de carbono e alumínio, o Viper GTS tem motor V10 de 8,4 litros, potência de 648 cv, torque de 82,9 mkgf e câmbio manual de seis velocidades “Cada piloto dirigia o carro no limite até o tanque esvaziar (entre 55 minutos e 1 hora). Depois, a gente revezava e retomava o teste”. Chato, não?


Será que falta alguma coisa a esse brasileiro de 43 anos? “Dirigir um F1, mas estou muito velho. E comprar um Viper ACR”. O modelo de 648 cv, que não é mais fabricado, custa 75 mil dólares. Profissionalmente, ele diz estar realizado e dá algumas dicas para quem sonha em ser um piloto de teste:


1 – Colocar na cabeça que é aquilo que você quer fazer. E encontrar meios de realizar.

2 – Ter iniciativa própria (ninguém vai bater na sua porta perguntando se você quer ser um piloto de teste, por exemplo).

3 – Pesquisar empresas que fazem o tipo de trabalho que você quer realizar.

4 – Contatar pessoas que já fazem o que você pretende fazer, perguntar o que é necessário e ir atrás.

5 – Não adianta só fazer, é preciso divulgar o que você está fazendo. Quando ganhei os campeonatos de kart e autocross, coloquei os troféus na minha mesa. É preciso se promover.

6 – Estude. Tem gente que é excelente piloto, mas se o carro der um problema não sabe dizer se é na frente ou na traseira. Não é só saber levar ao carro ao limite, mas o que fazer quando ele der problema, saber interpretar o que o carro está falando.


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